O Alex Primo recentemente publicou um texto criticando o movimento em defesa da manutenção de exigência do diploma de jornalismo para exercer a profissão, por ter objetivos corporativos e perder de vista questões mais profundas, como a qualidade da formação dos jornalistas. Vinha acompanhando o debate meio de longe, mas como o Alex perguntou o que tinha achado do texto e não se ignora pergunta de orientador de mestrado, andei refletindo sobre o problema.
A conclusão é que as ferramentas de publicação na Web contemporâneas permitem a qualquer pessoa com acesso a um computador conectado manifestar-se na esfera pública e, portanto, neutralizam de saída argumentos em ambos os lados do debate.
Por um lado, é ridículo e absurdo o argumento de defesa da liberdade de expressão apresentado pelos que exigem o fim da exigência de diploma. Dizem eles que essa exigência bloqueia o acesso de todos aos meios de comunicação de massa e, assim, seria inconstitucional. Porém, hoje em dia ninguém precisa ter acesso aos meios de comunicação de massa para expressar sua opinião. Basta criar, gratuitamente, um blog, ou mesmo enviar artigos para os dezenas de projetos de webjornalismo participativo que existem por aí — muitos deles, aliás, dentro dos próprios veículos digitais da mídia de massa.
Além disso, a exigência de diploma não impede ninguém de fazer jornalismo. Qualquer um pode se inscrever no vestibular de qualquer boa universidade, estudar, passar na seleção, freqüentar o curso de Jornalismo por quatro anos e obter seu diploma. Aliás, o melhor argumento da oposição ao diploma encontrável na Web pode ser resumido da seguinte forma, nas palavras de seu próprio autor:
1. Não se verifica essa condição necessária porque existem pessoas capacitadas para exercer o jornalismo sem serem graduadas em jornalismo.
2. Não se verifica a condição suficiente não é válida porque existem pessoas graduadas em jornalismo e que não são capacitadas para exercer essa profissão.
3. Conseqüentemente, a graduação em jornalismo não é condição necessária nem condição suficiente para a capacitação para o exercício dessa profissão.
Nessa linha de raciocínio, se alguém estudar a bibliografia do Direito e conseguir responder corretamente o suficiente à prova da OAB, deve-se imediatamente eliminar a exigência de formação na área para ser “doutor”. Da mesma forma, se juízes elaboram sentenças completamente desprovidas de conhecimento de causa em, digamos, processos envolvendo o uso da Internet, a condição suficiente do diploma em Direito não seria válida, porque existem pessoas graduadas na área incapazes de exercer a profissão. Aliás, o fato de existirem médicos, contadores e engenheiros incompetentes levaria à mesma conclusão sobre a exigência de diploma nessas profissões. Esse argumento é tão falacioso que faz acreditar quando as associações de jornalistas e acadêmicos denunciam uma conspiração dos empresários do setor.
Por outro lado, o diploma pode até garantir um nível mínimo de qualidade para o jornalismo, mas isso se restringirá apenas à mídia de massa e a alguns portais de notícias. Os jornais cada vez mais perdem leitores para a mídia social na Web, onde de qualquer maneira conteúdo produzido por amadores se mistura ao conteúdo produzido por profissionais em um grande carnaval. Não se pode negar que muitos desses amadores são mais competentes em suas áreas do que jornalistas, embora a maioria esteja bem abaixo do nível dos profissionais. É saudável que os amadores hoje possam disseminar suas idéias e opiniões via Internet, porque em casos específicos sabem mais sobre determinados assuntos do que os profissionais. Porque essa possibilidade se concretizou, também, os jornais podem ser deixados para os jornalistas.
É difícil simpatizar com a Fenaj e os sindicatos, no entanto, porque estão adotando estratégias de luta política em lugar de promover um debate racional. Isso não seria problema se estivessem tentando avançar uma agenda trabalhista qualquer. Quando se defende a formação universitária em Jornalismo como forma de garantir a qualidade da notícia, porém, espera-se que ao menos os defensores do diploma pratiquem bom jornalismo. Só que bom jornalismo raramente combina com agendas políticas. Um exemplo: na academia e nos círculos de debate ético da profissão é comum criticar o uso de sondagens de opinião como material noticiável durante campanhas eleitorais. Porém, a Fenaj não se furtou de usar as armas do inimigo na luta pelo diploma e está se valendo de uma sondagem como se ela representasse a verdade. Atitudes como essa servem apenas para dar argumentos a quem os acusa de mero corporativismo.
As associações também têm sido acusadas de não dar espaço para o outro lado no debate. Não que o “outro lado” esteja se comportando melhor, mas, de novo, é preciso dar o exemplo se queremos defender o jornalismo.
O fato é que atualmente a comunicação é um bem não-rival. Há 20 anos faria sentido combater a exigência de diploma com base no direito à liberdade de expressão. Apenas aqueles que tinham concessão do governo para usar o espectro eletromagnético com emissões de rádio e TV ou aqueles com poder econômico suficiente para imprimir um jornal ou revista podiam atuar midiaticamente. A. J. Liebling sintetizou essa situação em sua célebre frase: freedom of the press is guaranteed only to those who own one. Hoje, não mais. A Internet contrabalança o poder da mídia de massa. É claro, ainda é mais fácil um discurso ganhar relevância aparecendo em rede nacional de televisão do que num blog, mas há casos suficientes de denúncias partindo da mídia social e ganhando a imprensa para se postular a insuficiência do argumento da liberdade de expressão.
Infelizmente não se tem visto essa idéia sendo levantada pelos defensores do diploma. Talvez a explicação esteja na desconfiança que determinados setores da imprensa e academia nutrem pela mídia social — desconfiança da qual o Sindicato dos Jornalistas gaúcho dá um exemplo em sua posição sobre os blogs informativos. Se não estivessem preocupados em colonizar os novos canais de comunicação com interesses corporativos, talvez pudessem perceber que a mídia social é a maior aliada do Jornalismo nesse momento, porque permite o acesso à esfera pública por vias exteriores à imprensa.
Se a exigência de diploma não garante por si só uma maior qualidade da informação, como lembra o texto do Alex Primo, muito menos é um atentado à liberdade de expressão e à Constituição. Os interesses da qualidade da informação e da liberdade de expressão estão assegurados, a meu ver, pela mídia social. Isso torna a exigência do diploma mais uma questão trabalhista do que de democratização da comunicação. E avaliando a exigência de diploma como questão trabalhista, considero melhor mantê-la.
Os sindicatos e a Fenaj têm razão quando dizem que a eliminação da necessidade do diploma pode dar margem a abusos por parte do patronato. Também têm razão quando denunciam as estranhas coincidências nas manifestações do poder Judiciário e Executivo sobre a questão. Pode-se até discutir o fim do diploma, mas particularmente prefiro que não seja através do ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, ou de um governo petista com histórico de autoritarismo nas relações com a imprensa. Como estratégia política de curto prazo, é necessário garantir a manutenção da exigência de diploma para o exercício profissional do jornalismo.
ATUALIZAÇÃO: Como o artigo estava ficando longo, não abordei o papel da formação universitária específica em Jornalismo e como ela influi no debate. Isso já foi discutido por gente suficiente, dei preferência a abordar os pontos relativamente inéditos. Fica para um próximo post desenvolver, mas considero a educação na área uma vantagem importante para repórteres e, principalmente, empresas. Não à toa, futuros jornalistas continuam freqüentando faculdades de Comunicação onde o diploma não é exigido.




Duas objeções:
Primeira: em “Além disso, a exigência de diploma não impede ninguém de fazer jornalismo. Qualquer um pode se inscrever no vestibular de qualquer boa universidade, estudar, passar na seleção, freqüentar o curso de Jornalismo por quatro anos e obter seu diploma”, a segunda oração contradiz a primeira. Digamos que houvesse uma lei exigindo que, para ser empregada doméstica, fosse preciso cursar um curso de 500 horas sobre como cozinhar, lavar casas, etc. Dizer “a exigência de diploma não impede ninguém de ser empregada doméstica porque qualquer um pode fazer o curso de 500 horas” seria ridículo, e as conseqüências são claras. No caso da profissão de doméstica, a exigência de um diploma teria efeito de magnitude muito maior, mas do mesmo tipo que tem no jornalismo.
Segunda: O parágrafo que começa com “Nessa linha de raciocínio, se alguém estudar a bibliografia do Direito…” está engraçado porque muita gente defende exatamente isso há décadas e sem problema (na verdade, acho que esse foi mais ou menos o assunto da tese de doutorado do Milton Friedman, décadas e décadas atrás). E está hilário porque tu chega muito perto do argumento e depois escorrega. Lembro imediatamente da frase do PJ O’Rourke, “Without the licensing of medical practitioners the way would be clear for chiropractors, osteopaths, and purveyors of aromatherapy”, com a diferença que ele sabia que estava fazendo piada.
Não que eu discorde de tudo que tu escreveu. Meu ponto é apenas que os argumentos a favor da manutenção de exigência do diploma são menos razões do que racionalizações.
Publicado por Cisco em janeiro 8th, 2009.
Acho que a questão da obrigatoriedade do diploma é um problema pelo seguinte ponto de vista:
Como você bem disse, a internet trouxe a liberdade de expressão para qualquer cidadão. No entanto, no mundo real, não é bem assim. Sem a proteção da Lei de Imprensa, um “não jornalista” pode ser processado e condenado até por falar a verdade ou prejudicar gravemente suas fontes de informações.
Cito um exemplo prático: Eu mesmo.
Tenho um blog e recebi um material “forte” sobre um político muito influente e sabidamente corrupto. No entanto, fui aconselhado por advogados a não publicar o material e repassar para jornalistas “constituídos” porque a fonte que me forneceu o material era um funcionário público honesto e, se eu fosse processado, para provar minha inocência e a veracidade das informações seria obrigado a revelar sua identidade. Pois, como citei, não estaria protegido pela Lei de Imprensa que assegura o sigilo da fonte.
É assim; simples.
Logo, a liberdade de opinião e de expressão, no mundo real vai só até a página 12.
Inclusive há acordos internacionais assinados e uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos (que tem força de lei aqui) que invalida totalmente a exigência do diploma.
E, enquanto o Brasil for signatário. O acordo é que vale. O resto resume-se a corporativismo e sanha arrecadadora de entidades sindicais.
Um abraço.
OBS: “(…)também que tem força de lei no Brasil a decisão de 13/11/1985 da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que condenou a Costa Rica a abolir essa mesma obrigatoriedade. De fato, essa decisão tem força de lei em nosso país, como estabelece o Decreto Legislativo nº 89, de 3 de dezembro de 1998, cuja ementa é a seguinte.
“Aprova a solicitação de reconhecimento da competência obrigatória da Corte Interamericana de Direitos Humanos em todos os casos relativos à interpretação ou aplicação da Convenção Americana de Direitos Humanos para fatos ocorridos a partir do reconhecimento, de acordo com o previsto no parágrafo primeiro do artigo 62 daquele instrumento internacional”
Publicado por Arthurius Maximus em janeiro 10th, 2009.
Falácia. Longa e cansativa para quem ardilosamente tenta dissimular uma opinião já formada. O texto não é uma matéria jornalistica pois um bom jornalista não escreveria texto tão confuso. O autor anda em círculos, é um péssimo escritor pois o excesso confude a clareza. Quem diz que a liberdade de expressão não é privilégio de ninguém é a Constituição, os ministros apenas estão avaliando o que está expresso na Constituição. Turma de Mané, hipócritas!!!
Publicado por Geraldo Rodrigues de Oliveira em janeiro 11th, 2009.
Fico com a opinião do Geraldo Rodrigues de Oliveira, o texto é prolixo, o autor fica em cima do muro, não quer assumir posicionamento “contra” ou “a favor”, e no fundo, no fundo, é a favor da manutenção do diploma sim e devia assumir seu posicionamento sem hipocrisia. Ora, ora, se a Web tornou o Decreto-Lei da Junta Militar de 1.969 uma letra morta, por que então não baní-lo de vez de nosso ordenamento jurídico, sendo o que é, um podre entulho autoritário? E a questão da liberdade de expressão é crucial, há sim violação do dispositivo da Constituição Federal, a liberdade de expressão não pode ser limitada e, se na prática, de fato, assim está acontecendo em razão da Web, de direito também há que ser assim, banindo de vez essa monstruosidade. Os milhares que estão exercendo com registro “provisório”, “precário”, estão sim até hoje com medo de mostrar cara e nome e se ousam desafiar poderes (políticos e privados), o Sindicato aparece “caido das nuvens” para exigir silêncio sob pena de denúncia ao MT e processo por exercício ilegal da profissão. Isso tem que acabar…! Liberdade de expressão, já… ampla, geral e irrestrita.
Publicado por Edward em março 30th, 2009.
“Os interesses da qualidade da informação e da liberdade de expressão estão assegurados, a meu ver, pela mídia social. Isso torna a exigência do diploma mais uma questão trabalhista do que de democratização da comunicação. E avaliando a exigência de diploma como questão trabalhista, considero melhor mantê-la.”
Considero bastante explícito esse trecho do texto. Sugiro ler de novo inteiro, com maior atenção dessa vez.
Publicado por Träsel em março 30th, 2009.
A FAVOR DO DIPLOMA SIM!!!!
JORNALISTA COM FORMAÇÃO!!!
Publicado por priscila em abril 1st, 2009.
Caro professor,
Quero deixar claro, em primeiro lugar, meu profundo respeitp pelos graduados em Jornalismo e pelos professores da área.
Mas ouso divergir do senhor por levar em conta que o ofício do jornalista, diferente dos ofícios do contador, do engenheiro, do médico, do corretor de imóveis, coincide com o que nossa Constituição resguarda como liberdade de expressão (…é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença…). A liberdade de expressão é fundamental em qualquer democracias.
Perceba que o texto constitucional em nenhum momento faz a mesma ressalva à arte ou prática de cura, à interpretação das leis e atuação em cortes, ao cálculo e construções de estruturas ou avaliação e comercialização de imóveis.
Estas atividades não fazem parte das garantias essenciais da pessoa humana, a liberdade de expressão faz.
grato pelo espaço,
Roberto Mesquita
Publicado por Roberto Mesquita em maio 11th, 2009.
Prezado Roberto,
Obrigado pelo comentário equilibrado. Chamo a atenção para um equívoco na interpretação do texto da Constituição: o fato de se exigir um diploma para o exercício do jornalismo não configura censura ou exigência de licença para o cidadão exprimir sua opinião ou comunicar-se. A Constituição diz apenas, a meu ver, que o Estado não pode interferir na liberdade de expressão discricionariamente. Não pode, por exemplo, impedir ninguém de manter um blog ou comentar num blog, nem pode impedir que jornais publiquem determinadas notícias.
O problema todo é a confusão que se faz entre expressão e jornalismo. Jornalismo está bem longe de ser expressão de opinião. Só quem desconhece completamente as técnicas e a rotina de trabalho de um repórter pode achar que uma notícia expressa as idéias e opiniões de um jornalista. Na verdade, expressa as opiniões e idéias das fontes entrevistadas. Por isso, não vejo como a exigência de diploma está infringindo a liberdade de expressão. Qualquer um pode se manifestar livremente no Brasil e existem inúmeros meios para isso que não passam necessariamente por produtos jornalísticos.
Publicado por Träsel em maio 11th, 2009.
Olha, eu já discuti sobre o valor do diploma no exercício da profissão. Pensa comigo: O QUE TORNA ALGUÉM UM PROFISSIONAL?
- Seria o diploma? Não, já q muitos tem diploma e não são profissionais.
- Seria o tempo de profissão? Não, pois o tempo não necessariamente melhora as pessoas numa determinada atividade. Tem gente q é barbeiro no trânsito a vida inteira.
Só o conhecimento é q torna alguém um profissional. Ponto final.
E onde se pode adquirir o conhecimento? Seria só na Universidade? Será q a Universidade tem de fato o monopólio do saber? Não, isso jamais foi verdade. Hoje o conhecimento é distribuido e acessível em praticamente qualquer lugar. Não há limites e nem monopólios pra isso. Se fizer um teste de Turing com um texto jornalístico ou médico para serem analizados por outros profissionais, veremos que não há diferença entre formados ou não-formados, mas sim entre detentores do conhecimento e aqueles q não são.
E com relação à área médica. Eu já ví estudantes de segundo grau produzirem textos de medicina que professores universitários acharam se tratar de alunos do final do curso superior de medicina. Enquanto q já ví médicos formados confundirem Dengue com Gripe e receitarem AS durante um surto de Dengue na cidade. Coisa q até o mais leigo não faria.
Träsel, faça vc mesmo o teste de Turing. Vc conseguiria afirmar categoricamente em 100% dos casos que um texto produzido é realmente feito por alguém formado em Jornalismo? Conseguiria mesmo?
Eu compreendo que pessoas formadas tenham a tendência de reclamar para sí o monopólio do conhecimento. Isso é tão antigo quanto as Universidades da Idade Média. Como se o conhecimento fossem os tijolos de um feudo intelectual. Mas será mesmo q haveria espaço para tais castelos nos dias de hoje?
PS: Não sou jornalista, sou programador de sistemas rsrsrsrsrs.
Publicado por Maleb em maio 15th, 2009.
Nossa eu sou formado em historia mas de qualquer maneira achei seu texto otimo… contudo faltou um argumento em seu texto que vc nao disse que é que o curso precisa de uma profunda reformulaçao em sua grade…
O jornalismo precisa ter uma visao mais abrangente nao so sobre o mercado mas sobre a mudanca da sociedade em si… jornalismo deveria ter materias importantes como historia do brasil, filosofia, sociologia e antropologia para que as pessoas tenham senso critico quando da alguma noticia e nao apenas reproduzir uma informaçao.
Publicado por carlos dimitris em maio 23rd, 2009.
Carlos, obrigado pelo comentário. Ganhar elogio de historiador sendo jornalista realmente não é fácil. ;-)
Concordo totalmente com você. Creio que não apenas o curso de Jornalismo, como todos os cursos universitários devem estar sempre repensando seus currículos, para tentar atingir o melhor equilíbrio possível entre as exigências do mercado de trabalho — que afinal de contas é o objetivo da formação em bacharelados e licenciaturas — e a necessidade de formar cidadãos.
Publicado por Träsel em maio 23rd, 2009.
Olha, eu até acho que os meios especializados em informação e notícia devam ter jornalistas formados responsáveis pelo conteúdo editorial, mas que todo jornalista tenha que ter um diploma já não acho necessário não.
O argumento do ministro é central a meu ver … não há na atividade jornalística a necessidade de um conhecimento técnico-científico específico que justifique a necessidade de profissionais especializados para exercerem a profissão.
Diferentemente de profissões altamente técnicas e especializadas, onde o grau de profundidade dos conhecimentos e de treinamento profissional são cruciais para o desempenho mínimo aceitável.
Eu até gostaria que o jornalismo se desenvolvesse a ponto de que as notícias e informações jornalísticas pudessem ser objetos de pareceres técnicos profissionais como os pareceres médicos, de engenharia, científicos, etc, que nos garantisse a veracidade, utilidade, etc da informação … mas sabemos bem que a atividade jornalística não se desenvolveu tecnicamente para ganhar esse patamar de credibilidade …
Publicado por Gilberto de Paiva em junho 18th, 2009.
Sou contra a decisão do Supremo, sim. Considero histórica a luta dos jornalistas pelo direito a uma regulamentação que garanta o mínimo de qualificação profissional para quem pretende trabalhar como jornalista.
Concordo com a Fenaj de que é um ataque sem precedentes, que procura aniquilar nossa regulamentação, com o argumento de que “a profissão de jornalista não requer qualificação profissional específica”. Visão mesquinha de quem quer atacar um direito garantido pela Constituição Federal.
Como estabelecer a confusão sobre cerceamento à liberdade de expressão e a censura, com o direito dos jornalistas terem uma regulamentação profissional que exija formação acadêmica?
A regulamentação garante, sem dúvida, o direito à informação qualificada, ética, democrática. Acredito que essa decisão, que chamo de “FORA DA NOVA ORDEM MUNDIAL”, só objetiva favorecer empresas de comunicação.
A população tem direito à informação de qualidade, baseada em princípios éticos. Os jornalistas têm direito à sua regulamentação profissional.
Garantia de qualidade nenhum diploma dá: existem péssimos médicos, com diploma, terríveis advogados, com diploma e incompetentes engenheiros, com diploma… Isso evidencia que diploma não é garantia de qualidade, MAS EU DORMI PREOCUPADA E ACORDEI COM UMA CERTEZA: SOU UMA JORNALISTA DIPLOMADA, PÓS-GRADUADA E PRESTES A ME TORNAR MESTRA E VOU LUTAR POR UMA CATEGORIA DE FORMAÇÃO ACADÊMICA DE QUALIDADE.
Não sou radical, considero excelentes jornalistas que não têm o diploma, como o Lúcio Flávio, que foi meu professor da UFPa e sou leitora dele, o Guilherme Augusto, do Diário, Chico Alencar da Câmara, Hamilton Pinheiro, meu mestre na Rádio Cultura, enfim, não nem para citar nomes porque são tantos e não quero cometer injustiças.
A questão não é como está e sim como pode vir a ficar (frase estranha essa), pois está se abrindo precedentes perigosos.
Anamélia Araújo
jornalista 1087 DRT-PA
Publicado por Anamélia Araújo em junho 18th, 2009.
[...] coluna da direita, sou professor de jornalismo na Famecos/PUCRS. Alguns poderiam pensar que minha recente defesa do diploma foi um ato desesperado de manter o emprego. Pois não foi, porque não vejo ameaça aos empregos de [...]
Publicado por Cai exigência de diploma para ser jornalista. Comofas? | träsel/blog em junho 19th, 2009.
Concordo plenamente com o comentario de Amelia Araujo, comecei o curso de graduação em jornalismo a um semestre e quero ser diplomada em jornalismo, não pela questão do diploma que realmente não é uma garantia de um bom ou mal profissional…mas sim pelo reconhecimneto da profissão ser jornalista é muito mais do que uma liberdade de expressão!
Ser jornalista é aprender a ter senso critico!
Realmente é um absurdo essa decisão da STF e mais absurdo é o argumneto que é mesmo mais uma questão trabalhista do que democratização da comunicação,no meu ponto de vista isso é uma desvalorição do jornalista!
ATT
uma futura JORNALISTA DIPLOMADA
Publicado por Franciélly em junho 20th, 2009.
Estou indignada com os comentários abaixo! Em primeiro lugar, “mané” é quem tem preguiça de estudar para poder exercer a profissão, e acha que só porque existe o direito à liberdade de expressão qualquer um pode sair por aí publicando o que lhe vier à cabeça, dizendo que é notícia! “Hipócrita” é quem quer discorda da opinião do jornalista FORMADO que escreveu este artigo (entenderam, ele é formado em Jornalismo, ele estudou quatro anos de graduação e mais alguns de pós-graduações para fazer o que está fazendo, ou seja, ele sabe o que faz, não é qualquer um semi-analfabeto que não sabe sequer para quê serve o jornalismo e acha que todos podem fazer isso, sem o mínimo de conhecimento sobre ética, fundamentos da comunicação, técnicas de redação, diagramação, entre muitas outras coisas!). Sr. Marcelo Träsel, sem querer parafrasear ninguém, mas descupe-os, pois eles não sabem o que fazem!!! Acusam o seu texto de ser demasiadamente longo, porque simplesmente não sabem que existem vários tipos de textos jornalísticos (claro que não sabem, pois desprezam a formação universitária!), e um deles é o artigo jornalístico, que é razoavelmente maior que uma “nota” ou “notícia”, e que, aliás, é um gênero totalmente diferente destes dois por ser essencialmente opinativo, enquanto as notícias em si devem ser neutras, apenas contando o fato sem emitir julgamento algum, mesmo que subjetivamente. Aliás, vocês acham que nós ficamos fazendo o quê na faculdade durante quatro anos, já que consideram supérfluo o conhecimento universitário? Será que saímos da universidade com a mesma visão jornalística de quem nunca entrou? Será que a sociedade merece receber informação de alguém que não tem conhecimento para transmiti-la?
Publicado por Graziele em junho 21st, 2009.
Ah, e só para esclarecer: sou estudante de Jornalismo há três anos e, ao menos no currículo desta instituição, temos sim cadeiras de filosofia, sociologia, psicologia, história contemporânea, fundamentos da realidade brasileira e cidadania, crítica da mídia, entre outras que formam um profissional com senso crítico e conhecimentos globais sobre a sociedade em que atua. Concluam o que quiserem, mas Jornalismo é muito mais que escrever frases “bonitinhas”…
Publicado por Graziele em junho 21st, 2009.
[...] Sérgio Murilo de Andrade, Sérgio Leo, Rodrigo Manzano, Rafael Galvão, Mauricio Stycer, muito Marcelo Träsel, Leandro Fortes, Laerte Braga, Jorge Rocha, Ivana Bentes, Hélio Paz, Flora Ribeiro, Elias [...]
Publicado por o esperado debate do diploma | Trezentos em junho 22nd, 2009.
Há muito pano para mangas. No entanto, a discussão remete a tantos pontos e que não daria para num simples texto explanar. Na ordem mundial, digo respeitando o prisma jurídico, não há graduação de jornalismo em paises como Estados Unidos, França, Canadá e tantos outros pelo mundo; mas existem especializações nesta área da comunicação social, inclusive jornalismo. Devemos lembrar da carta de princípios de Chapultepec que diz não haver pessoas nem sociedades livres sem liberdade de expressão e de imprensa, que o exercício dessa não é uma concessão das autoridades, é um direito inalienável do povo. Além do artigo 4º do Pacto da San Jose da Costa Rica, ao qual o Brasil aderiu em 1992; onde garante a liberdade de pensamento e de expressão como direito fundamental do homem. Assim como citado, o jornalista como a sua técnica, indubitavelmente, deve informar de forma clara e concisa sobre o que ouviu, viu e entrevistou; tudo bem. Mas sabemos que não é bem assim o que acontece. O jornalista, normalmente está atrelado ao perfil extremamente definido da empresa, em que trabalha ou presta serviços. É de conhecimento notório o seu tolhimento, e que poucos são os profissionais da comunicação que ousam na verdadeira liberdade, tanto de imprensa, como de expressão. Portanto, sem querer estender o assunto, o que seria de imensa necessidade, é preciso que a FENAJ e Sindicatos pelo Brasil se pautem no que realmente é recorrente, e se unam aos demais profissionais da comunicação social, pois a posição do STF atinge também os bacharéis em Radio e Televisão. Vejo também muita vaidade por parte da FENAJ e dos sindicatos. As coisas estão muito confusas e nós próprios, os jornalistas, não temos conhecimentos de causa completamente.
Um grande abraço,
Gilton Santhouza
Jornalista
Publicado por Gilton Santhouza em junho 22nd, 2009.
Quase ninguém dará muito crédito a determinados pontos-de-vista sem a garantia de uma vida profissional. Saber da origem do texto é fundamental para sua legítima compreensão. A atuação de um profissional garante mais credibilidade. Optar pelo contrário, é decidir pelo faz-de-conta, pelo costumeiro “jeitinho brasileiro”, que faz a cama da corrupção no nosso país.
Publicado por Pe. José Erinaldo em junho 25th, 2009.