Ao contrário do que muitos alunos pensam, a banca de monografia não é um momento de prazer sádico e vingativo dos professores que os acompanharam durante toda a faculdade, mas sim um momento de celebração e um tipo de aula magna.
Na banca, os professores avaliam as habilidades de comunicação e a desenvoltura no uso dos conhecimentos desenvolvidos durante o curso. A banca de monografia pode ser vista, talvez, como um ritual de passagem, no qual o aprendiz finalmente se coloca (ou não) à altura de seus mestres e, assim, adquire o direito de receber o diploma e atuar na sociedade através da profissão escolhida.
É sempre bom ter em mente que, em geral, quando o aluno vai para a banca, é porque o orientador tem razoável certeza de que o trabalho será aprovado.
As dicas e esclarecimentos abaixo foram originalmente produzidas para meus alunos na PUCRS, mas podem servir para monografandos de outros cursos e universidades.
O ritual
As bancas de monografia são compostas pelo professor orientador e, no caso de trabalhos de conclusão de curso de graduação, em geral dois professores examinadores, que têm a tarefa de avaliar o trabalho. Normalmente, o processo dura entre 30 e 60 minutos conforme o seguinte roteiro:
- Orientador introduz o aluno e o trabalho
- Aluno apresenta o trabalho em 10 a 15 minutos
- Primeiro examinador toma a palavra, faz considerações e perguntas
- Aluno responde às perguntas
- Segundo examinador toma a palavra, faz considerações e perguntas
- Aluno responde às perguntas
- O aluno e audiência se retiram da sala para a deliberação da nota
- A nota é anunciada pela banca
Há bancas mais formais e bancas menos formais. A quantidade de salamaleques depende da configuração de professores que a compõem. Todavia, o roteiro acima é sempre seguido, com uma ou outra pequena alteração dependendo da instituição.
Apresentação
A apresentação deve ser objetiva e evitar repetir temas exaustivamente tratados no trabalho. Os examinadores e o orientador já leram e conhecem a monografia, então digressões teóricas excessivas, por exemplo, acabam se tornando maçantes. O melhor é investir em apresentar o percurso da pesquisa e os resultados. Se os professores tiverem dúvidas sobre a seção teórica, sempre podem fazer perguntas no momento da arguição.
Recomendo não ultrapassar a extensão de dez lâminas na apresentação, contando a capa, o que dá mais ou menos um minuto de fala por lâmina. Se não for possível resumir o trabalho em dez lâminas, é porque o aluno não tem compreensão da própria monografia. Usar imagens e frases curtas pode ser uma boa estratégia, assim como dedicar cada lâmina a uma idéia.
A apresentação segue mais ou menos o formato da conclusão da monografia. O ideal é deixar claro qual foi a pergunta motivadora do trabalho, quais técnicas foram usadas para chegar a uma resposta e qual foi a resposta obtida. O roteiro recomendado para a apresentação é o seguinte:
- Tema do trabalho e pergunta de pesquisa
- Objetivos
- Objeto
- Técnicas de pesquisa
- Resultados
- Limites e problemas do trabalho
O último item é muito importante. Caso o aluno se dê conta, entre a entrega das cópias da monografia e o dia da banca, de que há uma lacuna ou um equívoco muito importante no trabalho, é uma boa idéia se antecipar aos examinadores e fazer uma retificação durante a apresentação. Para erros de português e normas técnicas, há o recurso de entregar uma errata impressa no início da apresentação.
Além disso, antes de começar a falar sobre o trabalho em si, é de bom tom agradecer aos examinadores pela presença e fazer uma breve introdução sobre si mesmo, explicando por que elegeu aquele tema. Ao final da apresentação, cabe dar uma opinião pessoal sobre o significado daquele tema para o campo científico e para si mesmo, enquanto profissional formado.



