Abrindo o voto para as eleições de 2018

Como venho fazendo há alguns anos, divulgo abaixo algumas recomendações de candidatos para votar nas próximas eleições. Ao contrário dos anos anteriores, porém, em 2018 só vou sugerir candidatos a cargos legislativos. Considero, ainda mais à luz do golpe contra Dilma Rousseff, a escolha de bons parlamentares muito mais importante do que a escolha do presidente ou governador.

No fim das contas, cabe ao Congresso e às Assembleias Legislativas decidirem sobre os limites do mandato presidencial, na forma de leis, emendas ao orçamento, ou mesmo eventuais processos de impeachment. O foco das campanhas e da cobertura jornalística em geral recai sobre os candidatos a cargos do executivo, o que causa ao eleitor a impressão de que eles sejam mais importantes. Muitos brasileiros consideram o presidente plenipotenciário, mas ele frequentemente se vê amarrado pelo Congresso.

Os candidatos a cargos executivos causam ainda mais confusão, ao fazerem propostas que seriam da alçada dos parlamentares. Qualquer candidato a presidente que prometa permitir o porte de armas a todo cidadão ou legalizar a maconha, por exemplo, está blefando. Ambas as medidas só podem ir adiante com aprovação do Congresso Nacional.

Incentivo todos os leitores a concentrarem seus esforços nas campanhas para deputado estadual, deputado federal e senador. Pode ser menos emocionante, mas a boa notícia é que, como ninguém dá muita bola para esses votos, pode ser muito mais fácil convencer familiares e colegas a escolherem um candidato no qual você confie.

Além disso, tenho adotado o critério de votar, sempre que possível, em mulheres, negros, indígenas, queers ou uma combinação destas qualidades. No entanto, minhas crenças se alinham à esquerda do espectro político, então, na falta de candidatas que preencham esses requisitos nas chapas de esquerda, meu voto vai para um homem branco.

Todos devem fazer sua própria pesquisa, mas ofereço as sugestões abaixo.

Deputado estadual

Cacique Saci 50789 — Os indígenas são pouco representados na política brasileira, embora sejam os habitantes originais do país e possam contribuir para decisões políticas que favoreçam uma relação mais saudável com o meio ambiente. O Cacique Saci talvez seja o único candidato indígena a deputado estadual no Rio Grande do Sul e concorre pelo PSOL, um partido que merece mais espaço na Assembleia Legislativa. Caso ele mesmo não seja eleito, o voto ajuda a colocar na Assembleia Luciana Genro ou Pedro Ruas, políticos com bom histórico de defesa dos direitos humanos e interesses dos trabalhadores.

Deputado federal

Gaudêncio Fidelis 1308 — Curador da mostra Queermuseu, fechada pelo Santander Cultural após protestos do MBL, o candidato a deputado federal pelo PT será um defensor da liberdade de expressão. Ao ser conduzido coercitivamente para depor no Senado, enfrentou com fleuma o senador Magno Malta e outros conservadores. Embora seja sua primeira candidatura, tem experiência política como assessor de Maria do Rosário. Nasceu pobre na zona rural de Gravataí, filho de mãe professora e pai caminhoneiro. É homossexual, outro grupo subrepresentado na esfera legislativa. Tem experiência de vida necessária para defender os direitos destes grupos na Câmara dos Deputados.

Fernanda Melchionna 5050 — Para quem tem dificuldade de votar no PT após todos os acontecimentos dos últimos anos, a vereadora de Porto Alegre mais votada em 2016 também tem um ótimo histórico de defesa dos direitos humanos e aumentaria o número de mulheres no Congresso, que hoje é pífio. Se conseguir repetir o fenômeno Manuela Dávila e for a candidata a deputada federal mais votada da eleição, pode levar junto consigo mais alguns bons quadros do PSOL, para contrabalançar a bancada do Boi, Bíblia e Bala.

Senador

Abigail 651 e Marli Schaule 161  — Há alguns anos, firmei o compromisso de votar sempre que possível em mulheres. Há duas concorrendo pela esquerda, Abigail, pelo PC do B, e Marli Schaule, pelo PSTU, mas, francamente, nenhuma delas parece ter muitas chances de se eleger. Em todo caso, sou contra o voto útil, então o meu vai para elas. Para quem prefere o voto útil, normalmente recomendaria o Paulo Paim (131), experiente senador negro do PT que concorre à reeleição, tem um bom histórico de defesa dos interesses dos trabalhadores. Paim, todavia, se retirou do meu rol de candidatos ao assinar a PEC que criminaliza o aborto desde a concepção, mas ainda pode ser viável para quem não se importa muito com a questão. Por outro lado, Paim está com 68 anos, o mandato de senador é de oito anos e as substitutas da chapa são todas mulheres…

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