As cotas raciais em universidades públicas são bom negócio

O melhor que os brasileiros contrários às cotas raciais em universidades públicas e outros tipos de ações afirmativas têm a fazer é ficar de boca fechada enquanto o Superior Tribunal Federal vota a constitucionalidade desse tipo de iniciativa. As atuais políticas de cotas são uma pechincha! Em troca de terem sido mortos, torturados, estuprados, condenados aos piores trabalhos braçais do mundo, para fazer a economia brasileira crescer e enriquecer os colonizadores portugueses, os negros e índios estão pedindo apenas uma dúzia de vagas em cada curso universitário público do país. Poderiam exigir muito mais. Nenhum negro ou índio está pedindo para se deitar com a minha mulher, ou vender minha filha para angolanos, ou me aplicar algumas chibatadas. Nenhum negro ou índio bateu à porta da minha casa pedindo 80% do meu patrimônio a título de indenização pelos salários, horas extras e INSS devidos a seus tataravós desde o século XVI.

Então, recomendo aos meus colegas de etnia que fechem negócio com as cotas raciais imediatamente e sem regatear, porque os negros e índios estão nos oferecendo uma barganha chinesa.

Muita gente argumenta que não tem culpa pelas atitudes de seus antepassados e, portanto, não é justo ter de pagar a conta agora. Creio que o cartum abaixo resume bem melhor do que eu poderia escrever os contra-argumentos a essa proposição:

Fonte: http://bloggingblue.com/2012/02/reverse-racism-or-a-fairy-tale-for-conservative-children/

Fonte: http://bloggingblue.com/2012/02/reverse-racism-or-a-fairy-tale-for-conservative-children/

Chegou o momento de estendermos a mão para os negros e índios e ajudá-los a subir na escala social e econômica. Se nenhum de nossos antepassados tomou essa responsabilidade humanitária para si, temos agora uma excelente oportunidade de corrigir seus erros e nos tornarmos mais honrados.

Apoio essa compensação mesmo vindo de famílias de colonos alemães, que normalmente não usavam escravos na lavoura. Meus antepassados podem não ter sido proprietários de escravos, mas ganharam terras roubadas dos índios e foram beneficiados pelo crescimento econômico baseado no trabalho dos negros. Eu mesmo, até hoje, sou beneficiado pela cultura racista do Brasil, que me abre todas as oportunidades e sempre me passa à frente dos negros e índios em qualquer fila. Então, sim, sinto que é minha responsabilidade compensar essas etnias pelo mal que lhes causo, ainda que involuntariamente.

Além do processo iniciado pelo Partido Democratas contra a política de cotas da UnB — um dos paladinos dessa iniciativa é o famoso senador Demóstenes Torres, cujos argumentos são do quilate desse aqui: “As negras foram estupradas no Brasil. A miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. Gilberto Freyre, que hoje é renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual.” –, há também um processo de um ex-candidato gaúcho ao curso de Administração da UFRGS. Examinemos seus argumentos.

Tem no processo alguns argumentos que considero eficientes, como a questão de que esse tipo de diferença (social) já é reduzido no Imposto de Renda progressivo. Assim como se eu estudei em uma escola particular, já foi compensado porque eu não utilizei o serviço público durante 11 anos.

De todos os argumentos absurdos dos contrários às cotas, esse deve ganhar o prêmio principal. Em primeiro lugar, a Receita Federal permite que os gastos com educação sejam descontados do imposto sobre a renda. Ou seja, o que existe é uma compensação do Estado aos ricos que preferem usar o serviço privado, em vez do serviço público. Estudar em escola particular não compensa a sociedade por nada.

Em segundo lugar, os ricos podem até pagar mais imposto de renda no Brasil, mas recebem isenções e descontos em diversas operações econômicas. Por exemplo, o imposto de renda sobre negociação de ações nas bolsas de valores é zero para quem vender menos de R$ 20 mil em ativos no mês. Os operadores da Bovespa estão sendo compensados pelo quê, exatamente? E empresas como a General Motors, que recebem isenção fiscal para produzir seus carros, estão sendo compensadas por qual tipo de sofrimento imposto pela sociedade brasileira?

Além do mais, os trabalhadores isentos de pagar imposto de renda ganham tão pouco que costumam gastar todos os seus ganhos em moradia, alimentação, vestuário e outras necessidades. Ao usarem sua renda, acabam pagando direta ou indiretamente impostos como ICMS, IPI, ISSN, entre outros. Enquanto isso, o dinheiro depositado em investimentos financeiros não paga imposto algum e recebe desconto progressivo sobre a renda gerada.

O próximo argumento é o da meritocracia:

Mas mérito intelectual, todos tem de disputar de igual para igual.

Este é um dos principais sofismas apresentados pelos contrários às cotas. O argumento confunde o caráter igualitário e universal dos concursos vestibulares com igualdade de condições entre todos os candidatos. Sob esta ótica, todos os brasileiros têm as mesmas oportunidades para se preparar intelectualmente para o vestibular.

Todos os que acreditam nesse argumento deveriam assinar um jornal qualquer com urgência, porque estão completamente alienados da realidade. O ensino público fundamental e médio no Brasil é uma piada de humor negro. Os alunos recebem um péssimo acompanhamento pedagógico e têm de lidar com falta de professores, despreparo de alguns profissionais, ausência de estrutura mínima para o ensino etc.. É um caso americano, mas este relato do astrofísico Neil DeGrasse Tyson, apresentador da nova edição do programa Cosmos, é bastante educativo:

Ainda que as escolas públicas brasileiras fossem muito boas, há o contexto social dos alunos. Por melhores que sejam a estrutura e os professores, nenhum aluno aprende se não estiver em boas condições físicas e psicológicas. Uma fração muito maior dos alunos da rede pública passam fome ou vêm de famílias desestruturadas, que não podem apoiá-los, quando comparados aos alunos da rede privada. Os negros e índios ainda têm de lidar com o preconceito dos colegas e professores, em adição aos problemas econômicos e familiares. Afirmar que estes candidatos podem disputar uma vaga no vestibular em condições de igualdade com egressos de escolas privadas e famílias burguesas não é apenas equivocado: é desumano.

Além de sofismático, esse argumento é falacioso, porque ignora a lógica da competição pelas vagas num vestibular com sistema de cotas. Os alunos candidatos às vagas de acesso universal não disputam com os alunos candidatos às vagas de cotas sociais e raciais. Existe um número de vagas definido para cada grupo e os candidatos disputam essas vagas entre seus iguais.

De modo que, se alguém não consegue ser aprovado no vestibular, seja para uma vaga de acesso universal ou destinada a cotistas, é mesmo por falta de mérito. Vejam bem: os cotistas também necessitam demonstrar maior mérito em relação a outros cotistas. Só os negros, índios e egressos de escolas públicas com mais capacidade são aprovados. Nada impede, inclusive, que o grupo de cotistas possa um dia ter notas mais altas que as do grupo de acesso universal nas provas do vestibular.

Se isso não ocorre, é mais uma evidência de que a reserva de vagas foi uma decisão acertada, por comprovar que os egressos de escolas públicas, negros e índios realmente não têm condições de disputar vagas com egressos de escolas particulares. Porém, isso não indica falta de mérito.

As universidades em geral não divulgam as notas dos cotistas, provavelmente para evitar represálias. Isso significa, inclusive, que alguns cotistas podem ter notas superiores às dos aprovados para vagas de acesso universal, mas ninguém sabe. Uma das poucas tabelas disponíveis é da Universidade Federal de São João Del-Rei, em Minas Gerais. Analisando os números, pode-se perceber que a diferença média entre as notas de corte dos grupos de acesso universal e ação afirmativa fica entre 10% e 20%. Será que as escolas públicas são apenas 20% piores do que as escolas particulares? E como incluir nesse cálculo a desnutrição, o preconceito, a estrutura familiar prejudicada?

Em suma, o mérito é uma qualidade contextual, relativa, impossível de ser aferida somente pela nota de uma prova. Sob qualquer ponto de vista, um negro, índio ou egresso de escola pública tem muito mais mérito em simplesmente chegar a se inscrever para um concurso vestibular do que um candidato de classe média, que comeu três refeições por dia a vida inteira e teve pais que puderam lhe pagar uma escola particular, livros, aulas de reforço e férias na Disney.

O que nos leva a outro argumento comum contra as ações afirmativas na universidade pública:

Esse é um compromisso social de todos, de sempre buscar governantes que tenham a proposta de levantar a educação pública. A intenção social só pode ser de que todos tenham a mesma condição. E não que um passe na frente de outro por necessidade ou porque a educação pública não tem qualidade.

Algum dos leitores aceitaria trabalhar todos os dias, mas recebendo uma nota promissória para daqui dez anos, em vez do salário em dinheiro? Pois é exatamente essa a proposta que os contrários às cotas estão fazendo aos negros, índios e egressos de escolas públicas quando defendem a melhoria do ensino público como solução mais desejável.

Uma vez definido que os negros, índios e pobres merecem alguma compensação da sociedade brasileira, por terem sido privados de seus direitos ao longo dos séculos em que o Brasil se desenvolveu a ponto de deixar a situação de colônia subdesenvolvida e se tornar uma economia maior que o Reino Unido, é preciso pagar a conta imediatamente. O sistema de cotas sociais e raciais pode ser visto como um financiamento sob tabela SAC, em que primeiro se paga a maior parte dos juros, depois o valor do dinheiro emprestado. As ações afirmativas são os juros que a sociedade vai pagando, enquanto não melhora as condições para que todos os candidatos a uma vaga em universidade pública possam efetivamente competir em pé de igualdade.

Por outro lado, no fundo, quem propõe deixar de lado as ações afirmativas em prol do esforço do Estado para melhorar o ensino na rede pública quer mesmo é manter o status quo. É muito difícil crer que os proponentes desta solução realmente acreditem na sua execução em uma década, ou mesmo duas. Na verdade, estão pouco ligando para justiça social, ou pensam que os negros, índios e pobres são imbecis completos e vão topar fazer mais um empréstimo a fundo perdido para a elite brasileira — bastante conhecida por não honrar seus compromissos, aliás.

O Brasil precisa melhorar as condições de vida de sua população agora. O ensino superior é um dos poucos fatores que comprovadamente geram desenvolvimento social, em qualquer lugar do mundo. Garantir que negros, índios e pobres tenham acesso à universidade pública é a maneira mais rápida e eficiente de distribuir renda e diminuir os preconceitos sociais e raciais. E toda a sociedade, inclusive os críticos das ações afirmativas, vão se beneficiar dos resultados. O projeto Bolsa-Família tem demonstrado, nos últimos anos, o imenso impacto positivo do desenvolvimento social sobre a economia como um todo. As cotas são mais um passo para tornar o Brasil um país sólido para todos nós.

ATUALIZAÇÃO: A Lenara Verle me enviou esse ótimo FAQ da UFMG sobre ação afirmativa. Vale a pena consultar, aborda algumas questões não contempladas no texto acima.

ATUALIZAÇÃO 2: O Marcelo Soares indica alguns estudos da UFBA sobre o impacto acadêmico da adoção de cotas sociais e raciais.

50 ideias sobre “As cotas raciais em universidades públicas são bom negócio

  1. Rodrigo De Ros

    Trasel, bem racista esse teu texto.

    nada tem a ver as pessoas brancas com os brancos do passado, nem os negros de agora com os negros do passado,

    ” Em troca de terem sido mortos, torturados, estuprados, condenados aos piores trabalhos braçais do mundo, para fazer a economia brasileira crescer e enriquecer os colonizadores portugueses, os negros e índios estão pedindo apenas uma dúzia de vagas em cada curso universitário público do país. Poderiam exigir muito mais.”

    Não poderiam não, não foram eles indivíduos atuais, que sofreram, tu está agrupando as pessoas por cor, e não pelo que elas são.

  2. Träsel Autor do post

    Sou racista, mesmo, Rodrigo: considero os brancos desumanos e choramingões, como se pode depreender do meu texto.

  3. Lucas Alberto

    Parabéns pelo ótimo texto.
    Espero que a sua clareza de idéias contagie outras pessoas que ainda não refletiram sobre os reais benefícios das ações afirmativas.

  4. Marcus Brito

    Träsel, se o problema enfrentado pelos negros e índios é a má qualidade do ensino público, a baixa renda e famílias desestruturadas, as ações afirmativas para remediar isso não deveriam usar como critério exatamente as características que os põem em desvantagem hoje?

    Não quero fazer de conta que não existe um problema racial, mas acredito que o contexto social é muito mais importante. A sociedade deve reparação não só a negros e índios, mas também a outros que hoje estão em situação frágil por motivos mais diversos que sua origem ou cor da pele. Temos principalmente nas zonas rurais do país um mar de gente que não é negra nem índia, mas que vive em situação precária e que merecia uma chance melhor de chegar ao ensino superior.

    Negros, índios, sertanejos, imigrantes, todos estes grupos e com certeza muitos outros têm seu acesso à educação superior negados devido as péssimas condições sociais às quais estão submetidos, e sem uma ação afirmativa não terão uma chance para mudar estas condições. Ao invés de criar cotas separadas, por que não buscar o fio que une tudo isso — a pobreza — e tentar resolver por aí?

  5. Träsel Autor do post

    Bom ponto, Marcus. Perceba que a maioria das universidades que adota sistema de cotas tem reserva de vagas para egressos de ensino público em geral, seja da cor que forem. Acho que isso contempla esses grupos aos quais você se refere.

  6. Sergio

    Seus argumentos são bons, porém eu gostaria de fazer uma pergunta: quando que esta dívida estará paga? Como saberemos? Concordo que existam cotas agora, porém sem uma política pra melhorar a educação pública de base, vamos ficar sempre nessa lenga-lenga. No fim, nunca existirão cotas suficientes, então nunca corrigiremos a injustiça social. Tapamos o sol com a peneira, como sempre.

    Tenho outra pergunta: por que não cotas *apenas* para quem estudou em escola pública (ou tem uma renda familiar menor que X)? Eu sou pardo com cabelo meio sarará, no entando estudei em escola e faculdade particular, meus pais tem casa e carro e sou 100% classe média. Eu mereço cota? Por quê? E os brancos de olhos azuis que são pobres (aqui no RS não é tão raro ver um morador de rua loiro)?

    Cotas podem fazer sentido. Cotas raciais nunca. Se o negócio é corrigir injustiças sociais, que se façam cotas apenas para quem estudou em escola pública e tem uma renda familiar menor que X.

  7. Träsel Autor do post

    Sergio, no caso da UnB, por exemplo, as cotas vão funcionar por 10 anos. No de outras universidades, teria de verificar, mas, até onde sei, ninguém pensa em torná-las eternas.

    No caso da UFRGS, as cota SÃO apenas para quem estudou em escola pública. Só que os cotistas são divididos em egressos de escola pública brancos ou asiáticos e egressos de escolas públicas negros, pardos e índios.

  8. Sergio

    Por isso a pergunta, faz sentido mesmo (pegando o exemplo da UFRGS que tu citou) ter uma divisão de cotas entre brancos de escola pública e negros de escola pública?

    Como o Marcus falou, não acredito que a saída tenha ligação com cotas raciais, mas sim sociais. Negro, branco, índio, asiático ou alemão, não importa a cor da pele, mas sim a condição social.

  9. Träsel Autor do post

    Faz sentido, a meu ver, porque os negros, pardos e índios sofrem um duplo prejuízo: da falta de condições e do preconceito. Merecem ser compensados em dobro. E, como eu disse no texto, acho que essas ações afirmativas são até pouco.

  10. Carlos

    Tu é descendente de alemães então deve saber que os nossos antepassados foram proibidos de falar o seu idioma em casa durante a segunda guerra mundial.

    Claro que não se compara à escravidão, mas foi chato para gente como a minha bisavó, que só sabia falar alemão.

    Dentro dessa lógica de compensações raciais por injustiças históricas, acho que ela – ou eu, por que não, já que as injustiças cometidas se transmitem – merece algo.

    Não precisa ser uma vaga na universidade… Pode ser uma cuca de goiaba. Pra quem eu mando a conta?

  11. Träsel Autor do post

    Sim, meus avós e bisavós sofreram com isso, mas nenhum deles nunca reclamou, até porque são de uma época em que as pessoas tinham mais noção de responsabilidade. A verdade é que muita gente nas colônias simpatizava como nazismo (aliás, até hoje) e o governo fez o certo ao tentar integrá-los à sociedade brasileira, mesmo que à força. Era guerra mundial.

    Já a escravidão não se justificaria nem mesmo se a África fosse ameaça militar ao Brasil no século XVII.

    Pode comprar a cuca de goiaba e me enviar a nota fiscal, eu pago. Assim, você se sente compensado e pode começar a pensar nos outros.

  12. Elisa

    Träsel,
    Achei teu texto excelentemente escrito, expressa de maneira clara e concisa um processo histórico que resultou no quadro social que temos hoje. Fico aliviada e muito feliz de saber que existem pessoas capazes de pensar em perspectiva com o passado, não apenas tendo em mente as relações de hoje. Não estamos sozinhos. Obrigada.

  13. maria luíza sá e madureira

    A Ufrgs divulga as notas dos cotistas, pelo menos a mais alta e a mais baixa. São, em geral, muitíssimo abaixo das obtidas pelos não cotistas. O que só reforça a validade do sistema de cotas, como tu disse.

  14. Charles Pilger

    “Apoio essa compensação mesmo vindo de famílias de colonos alemães, que normalmente não usavam escravos na lavoura. Meus antepassados podem não ter sido proprietários de escravos, mas (…)”

    Detalhe: devido à política de “embranqueamento” da população os imigrantes alemães e italianos eram proibidos por lei de terem escravos, assim os colonos seriam obrigados a terem mais filhos para ajudar no trabalho. Assim um descendente de imigrantes não pode vir com o discurso de que os antepassados não tiveram escravos e por conta disso a política de cotas é injusta para ele, pois a vinda dos seus antepassados foi justamente uma medida voltada para fortalecer ainda mais o racismo. O governo imperial poderia ter muito bem ter feito uma colonização negra, não necessitando de imigrantes, mas isso implicaria num “Brasil negro”, o que ia contra o desejo das elites brasileiras da época.

  15. Alexandre Gravem

    Os negros não eram escravizados não serem negros, mas por serem uma mercadoria mais barata. Os indios por exemplo tinham que ser dominados para serem escravizados, mas os negros eram vendidos na África por (outros negros) de tribos rivais. Mesmo negros libertos no Brasil comercializavam escravos. Logo não era um sistema de brancos oprimindo negros, era um sistema de brancos poderosos e negros poderosos oprimindo negros de tribos menores. Poderosos oprimindo indefesos é o sistema mais antigo do mundo e ainda não estamos livres dele.

    Se alguém se preocupa em recuperar o mal que escravidão fez aos escravos, não deve ser estúpido e imaginar que todo negro é descendente de escravos ou que todo descendente de escravo é negro ou índio. É raro achar um brasileiro que não tenha miscigenação negra ou indígena. Meus sobrenomes são grego e norueguês, ainda assim sou pardo e minha bisavó era bugre.

    Eu tinha vontade de comentar todos os parágrafos do teu texto mas acho que tu comete este erro de análise sobre o escravismo no início dele e tudo se deriva daí. Dada a maioria de negros no país e a maioria de negros nas classes mais baixas, não vejo por que não ignoramos a questão de raça e a desculpa da escravidão e simplesmente esforçar-se para que cidadãos de baixa renda que foram forçados a uma educação deficiente tenham acesso à universidade.

  16. Carlos

    Não só vou te mandar a nota fiscal da cuca, como fundar uma ONG para conscientizar a população alemã das injustiças históricas que sofremos no passado.

    Depois de algum tempo, espero conseguir patrocínio público para minha ONG e assim poder atingir muito mais pessoas do que esses meros comentários em blogs.

    Se tudo der certo, depois de algum tempo poderei acusar automaticamente qualquer opositor ao meu discurso vitimista e unilateral de ser um batatafóbo e no embalo disso aprovar um monte de leis que firam princípios básicos da constituição.

    Clube dos injustiçados pela história e pela sociedade. Se você não tem um, deveria sair correndo para fundar!

  17. José Teles Mendes

    Parabéns pelo texto. Simplesmente excepcional. As comparações e metáforas foram muito didáticas, além da escolha da imagem para ilustrar o argumento. Muito legal mesmo.

    Achei “interessantes” alguns comentários, especialmente aquele que conta sobre uma suposta injustiça histórica e social cometida contra as colônias alemãs. De fato, poderia ser interpretado dessa forma. E, neste caso, o saldo para os descendentes de alemães poderia realmente ser nesse sentido, qual seja, de terem sofrido algum tipo de injustiça histórica simplesmente por terem vindo desse e não de um outro país europeu.

    Contudo, é realmente importante levar em conta TUDO que foi recebido pelos imigrantes europeus que aqui chegaram. Em todos os casos, simplesmente o fato de serem brancos gerava, para eles, uma série de oportunidades que estavam fechadas para indivíduos de origem não-européia, como, por exemplo, a chance de ter um emprego não tão ruim. Em segundo lugar, a maioria dos imigrantes que se dirigiram para o sul/sudeste do país tiveram a imensa vantagem de garantir a posse de terras apoiada no sistema de direito por ocupação. Em suma: iniciava-se o cultivo de uma terra, e, mantendo-o por um período, o Estado outorgava o título de propriedade àquela família.

    Poderíamos enumerar uma série de outras vantagens históricas obtidas pelas populações de origem europeia. Entretanto, a principal já está citada: a capacidade de vencer as barreiras sociais imateriais originadas no racismo. Não é só por mérito que italianos e alemães que aqui chegaram nos anos 20-40 do século XX rapidamente ascenderam aos grupos de classe média-alta do país, enquanto mulatos e negros cujas origens familiares no continente remontam aos séculos XVII e XVIII estão, somente hoje, chegando a algo que poderíamos chamar de classe média baixa. Vale a pena refletir sobre isso.

    Abraços

  18. Felipe

    HAHA. O cartum justificando as cotas é ilustração da maior demagogia dos pró-cotistas. Sempre houve escravidão, não somente dos negros. Desde a antiguidade a escravidão é praticada. Foram às custas de muito suor escravo (digo escravo e não negro) que o mundo se tornou o que é hoje. Apenas na América a escravidão se tornou uma prática quase que exclusiva de negros, ou índios sobreviventes (lembrando que o Brasil não explorou muito o trabalho indígena). Poderia ficar aqui horas redigindo álibis para mostrar que a escravidão não trouxe “o que temos hoje”. Se ainda sim insistires nisso, acho que devemos cobrar dos portugueses todas as divisas geradas no Brasil oriunda de mão-de-obrava compulsória; siga meu raciocínio: a Lei áurea foi assinada em 13 de maio de 1888, no mesmo ano, apenas alguns meses depois, tivemos nossa “independencia” de Portugal. Oras, ao passo que nós deixamos de ser colônia de Portugal, deixamos de enviar toda nossa riqueza à Portugal, riqueza esta considerável, lembram do Quinto? Retomando pensamento, quando se extinguiu a escravidão, passamos a administrar nossos recursos e tambem os lucros, agora com trabalho pago. Será que posso dizer que a “riqueza” do brasileiro branco, agora gestor de sua própria pátria, era da mão de obra livre, sendo ela do negro ou então dos recém chegados europeus e alguns asiáticos? (que tambem sofreram e muito com as condições que aqui encontraram) Acho que posso dizer sim.

    “Portugueses, deem-nos cotas na Universidades de Lisboa para os brasileiros, o pá!”

    PS. Sou brasileiro, miscigenado, Doutor em Bioquimica, formado pela UFRJ desde a graduação. Oriundo de classe média-baixa, consegui bolsa de estudos no meu ensino médio por MEU MÉRITO, assim pude da inicio à minha vida acadêmica que tenho hoje. Por MEU MÉRITO estou onde estou. A Universidade de qualidade me formou porque apresentei os requisitos mínimos, julgados de forma imparcial, para ingressar nela. Assim, pude contribuir para que a excelência na qualidade fosse continuada, hoje, contribuo formando alunos na mesma Universidade, alunos de qualidade, que merecem estar onde estão por mérito. Quando o mérito de estar onde está cair, cairá a qualidade, cairá o ensino público, estaremos rendidos a “Estacios” por aí a fora. Jamais teremos a chance novamente de nos equiparar às grandes Universidades MIT, Harvard, Princeton…
    Hoje como professor universitário, digo que farei de tudo, de tudo mesmo, para formar apenas os competentes, por amor à minha casa e por amor a edução do brasileiro.

    Não deixem medidas imediatistas darem rumo ao nosso país. Tudo, absolutamente tudo, na nossa vida tem um preço a se pagar.

  19. Fábio Rocha

    Parabéns pelo texto e pela consciência demonstrada. Pra mim toda essa discussão sobre a necessidade de cotas sempre pareceu muito óbvia, e confesso, fico estarrecido e impressionado com a reação negativa e quase memética gerada por essa discussão, até mesmo entre pessoas inapetentes para o assunto e que não serão tocadas diretamente pelos efeitos desta decisão. Sinceramente, desisti há tempos de buscar a conscientização sobre este tema, pois cheguei a conclusão que o problema do reacionarismo que assola o nosso país não apenas ideológico, mas profundamente ético. Vivemos sob o mito do país da solidariedade, do humanismo de fachada, mas que nas entrelinhas do cotidiano, se revela um país racista e sem a menor capacidade de compaixão pelo próximo. O problema fundamental é de caráter, e de nada adianta a lógica mais indubitável provar a justiça das ações afirmativas, se uma parcela egocêntrica da sociedade não quer enxergar a realidade que salto aos olhos. Tem um provérbio que diz que só reclama do calor quem cozinha em fogo baixo. É só aumentar o fogo que todo preconceito evapora.

  20. Douglas S.

    Há duas semanas atrás, em um debate sobre ações afirmativas na UFRGS, discutia-se sobre a necessidade de ampliação das cotas, quando na verdade em alguns cursos sobram vagas para cotistas. Acho que as cotas devem existir, porém essa compensação poderia ser melhor aproveitada se concedida mais cedo. Digo, não precisa esperar neguinho terminar o ensino médio.

  21. Adeli

    nossa! como esse tema é abrangente nao é mesmo! Qdo as cotas foram mencionadas, imaginavamos tratar-se somente de uma questão de oportunidades p/ os + carentes. No entanto, vc foi fundo no tema, abrindo as portas do passado… evidente que, somos contra a discriminação, e acho que vc esclareceu alguns itens ja q a maioria das pessoas apenas ouve falar das ‘cotas raciais’ e imaginam q só esse ‘favorecimento’ lhes garante estar ali, contudo, p/ se formarem terão que demonstrar seu desempenho, esforço. Uma coisa que considerei esclarecedora em seu artigo, foi a avaliação feita pela Universidade de S. J. Del Rei, ou seja, q se equiparados, os desempenhos tanto de cotistas como de nao-cotistas, e nao deixando a desejar, entao o merito é valido. O que importa nesse caso, são os bons profissionais q se formam e as oportunidades q tiveram ao seu alcance, merito este concedido atraves da cota. Imagino que tem muitos que desejam ir alem , e q nao conseguem por falta de estimulos, e ao contrario tb, muitos ‘filhinhos de papai’, desperdiçam tempo e dinheiro de seus pais, sem q tenham vontade, ou vocação p/ o q estão cursando. Acho que neste caso, a cota, se refere àquele cidadão q deseja estudar, mas q como vc disse em sua materia, sempre ouviu ‘que pobre não tem chance, nem oportunidade de ir alem’. Então deveriam ser cotas ‘sociais’ e não ‘raciais’, ja q o proprio termo me parece discriminatório, nao sei… Mas como eu disse é um tema abrangente, pq no que diz respeito a questao da afrodescendencia, escravidão e pobreza, é um problema q ate hj a propria Africa ainda não conseguiu conter, e num artigo, (BBC Brasil), estava lendo que devido as leis naquel país, sejam tribais, ou constitucionais, enfim… nao aprofundei no assunto, o fato é que a África sofre c/ a falta de planejamento familiar, onde as mulheres, sem acesso a essas informações carecem de tudo, saúde, educação, cidadania… e que, algo precisaria ser feito p/ que a humanidade pudesse crescer e viver de forma sustentavel, pois, daqui a alguns anos, seremos 22 bilhões e desses 17 bilhões seriam africanos… que, se hj ja carecem de tanta coisa, imagine entao daqui a alguns anos, enfrentando problemas de super população! ? Crescer, desenvolver, progredir, é algo otimo, mas muito mais com sustentabilidade, pq senão de que valeria tanto esforço depois? presenciarmos nosso planeta devastado? sem a real utilidade aos nossos descendentes e à todo povo que nele habita! Me desculpe, por favor, pelo comentario um pouco extenso, qdo eu falei q ‘era abrangente’, acho q vcs nao imaginaram tanto, pois, comecei c/ as cotas no BR, parti pra outro continente e por fim à todo planeta! (^.^). sorry!

  22. Márcia Nunes

    Sair por aí procurando razões para dizer “não” ás cotas raciais é o perfil do cidadão brasileiro não negro, não índio, não pardo. A verdade é que mudar o status quo é preciso coragem e capacidade. Fala-se em mudança no ensino público como forma de se resolver o problema. Mas diante de tantos governos, na esmagadora maioria das vezes representada por eleitos de origem diferentes da afrodescendente ou indígena, fica a pergunta: há quantos séculos esses representantes tiveram a chance de fazer essa melhoria e não fizeram. Por mais quantos séculos se terá de esperar? Minha visão é de que o mal seja reparado já. Ainda assim os afrodescendentes sofrerão com a acusação de que “não são capazes; precisam de uma política específica para poderem chegar à universidade”. Mas isso não é nada, se comparado ao sofrimento desde que para cá foram trazidos como mercadoria barata. Não é válida a afirmação de alguns ao dizer que o que aconteceu no passado está isolado. Perdoem-me o extremo, mas esse comentário reflete total rejeição à realidade a um problema que concreto. O presente não existe sem que tenha havido um passado, e uma não nação não tem identidade sem sua história, suas vitórias, conquistas e, por que não dizer: seis erros, injustiças, explorações. O tempo para corrigir esse erro já está tardio, mas ainda se pode correr atrás. Meu apelo é de a população reflita e enfrente essa questão de frente. Assim, talvez daqui a algumas gerações, o Brasil possa se orgulhar de um passado hoje construtído, não sendo mais necessária essa preocupação com cotas de qualquer espécie. Não é preciso ter medo. Basta ter sensatez

  23. Carlos

    O Charles Pilger ali acaba de me informar que meus antepassados são culpados de racismo passivo por terem vindo ao Brasil.

    Eu achei que a vinda dos meus antepassados se enquadrava no marco da luta deles por uma vida melhor, por meio da sua própria iniciativa e coragem.

    Mas isso devem ser meus valores neoliberais encobrindo o escravagista selvagem que eu tenho por dentro.

    Me desculpem, me desculpem!

  24. Fabiano

    “A verdade é que muita gente nas colônias simpatizava como nazismo (aliás, até hoje) e o governo fez o certo ao tentar integrá-los à sociedade brasileira, mesmo que à força. Era guerra mundial.”

    Hum, ok.

    ERA. Agora passou. Ponto.

    Cotas são racistas…

  25. Shana Sudbrack

    Apenas uma das distorções que as medidas tapa-buracos causam.

    “Nos últimos 10 anos, quando o sistema de cotas em universidades passou a ser discutido e implementado, a população de cores parda e preta (nomenclautra do IBGE) aumentou como proporção do total de brasileiros. Os pretos eram 10.554.336 em 2000 e eram 14.517.961 em 2010. Um aumento de cerca de 38%. Enquanto isso, a população branca diminui. O que indica, provavelmente, algum viés, já que a cor é auto-declarada”.

    http://www.cristianomcosta.com/2012/04/sistema-de-cotas-solucao-facil.html

  26. Kelly Moraes

    Trasel
    Parabéns pelo texto. Infelizmente o racismo no Brasil é tão forte que as pessoas tendem a negar a existência dele a todo instante por isso a dificuldade das pessoas compreenderem a necessidade do recorte etnicorracial para combate ao RACISMO. Acho que ultrapassamos a questão de quem é contrário ou não, pois é fato no Brasil a necessidade de políticas afirmativas como forma de combater as desigualdades que persistem ainda devido ao racismo. Se existe racismo no Brasil é totalmente pertinente que falamos em raça sim devido a realidade SOCIAL, a qual somente os negros e quem carrega fenotipias negroides, estão submetidos neste país. As políticas universalistas não dão conta de atender esse segmento social que sofre em todos organismos públicos que são assolados pelo racismo institucional, isso é fato, pesquisas e dados da saúde pública comprovam o fato. Um pobre branco no Brasil é visto pela nossa sociedade de forma diferente de um pobre negro, a este último pesam todos os esteriótipos negativos possíveis, inclusive ele é tratado pela polícia como o marginal em potencial, seja ele pobre ou de classe média. E só ver a “cor” da população carcerária e marginalizada no país, isso não deve-se somente ao fato de serem pobres, mas parece que os pretendentes a “caras pálidas no Brasil” não querem (por conveniência) aceitar tal fato.

  27. luiza

    Gostei do texto. Gostei, mesmo. Só acho que o argumento forte dessa história toda é menos o passado e sim as consequências no presente. O negro do passado de fato não é o negro de hoje, mas não podemos negar que existe estruturas simbólicas (que se modificam ao longo do tempo), porém que ligam sim o negro do passado ao negro do presente. O modo como a invenção (no seu sentido positivo) e a transformação dessas estruturas ocorrem é um ponto a ser pensado e pesquisado pelos sociólogos e antropólogos (tal como fez Bastide e tantos outros a partir da temática afro-brasileira). Negar que existe correspondência entre o hoje e o ontem é tapar os ouvidos para uma grande parte da população que ainda relembra os tempos de seus avós que foram escravizados. Antes de qualquer comentário sobre a escravidão (“ah, mas negros também escravizaram negros!”) devemos levar em consideração que a escravidão é EXPERIÊNCIA de grande parte da população. Não importa se negros escravizaram negros na África. A questão é que um determinado coletivo FOI escravizado e seus descendentes portam marcas profundas em suas memórias e em suas práticas. Sou antropologa e trabalho com a temática racial. E afirmo a voces, é muitíssimo comum ouvir de negros de que “o negro tem que saber o seu lugar”. Ainda hoje essa estrutura que tanto caracterizou o processo de escravidão brasileiro faz-se presente em corpos, emana de relações sociais. É disso que se trata quanto falamos em cotas. E se esse ponto for levado a serio, todos os comentários do senhor Carlos estarão respondidos.

    Penso que o ponto importante disso tudo, como eu já disse, não é discutir o que aconteceu no passado e nos penalizar por isso. Não acho que nós brancos devessemos sentir culpa pelo passado (se não entramos numa lógica cristã da culpa e das cotas como “caridade”, esse é meu medo). Cota não tem que ser vista como caridade para compensar coisas do passado (confesso que me incomoda um pouco o argumento sempre remontando ao passado). A questão é que o “passado” se faz presente. Não defendo cotas por me sentir culpada pelo que meus antepassados brancos fizeram com negros que foram escravizados. Defendo cotas por presenciar o racismo que emana diariamente dos espaços sociais por onde eu circulo!

    O que deve ser o argumento chave é que um evento específico que ocorreu na construção do Brasil, a escravidão (ou alguém vai dizer que a escravidão de negros africanos nao existiu?????), estrutura hoje posições sociais determinadas. Olhe para os lados e depois vá até a vila Cruzeiro, Restinga e tantos outros espaços negros. Isso vai permitir sentir na pele um abismo cultural-racial existente na cidade, uma linha de cor que divide espaços, territórios, restaurantes, locais de sociabilidade. Faça assim: tire uma noite para circular pela Padre Chagas e Cidade Baixa e conte nos dedos quantos negros vês. Em outra noite, vá a Saldanha, Itinerante ou Imperadores e conte nos dedos quantos negros vês. Os espaços têm cor e, curiosamente, a cor da UFRGS é branca.

    Desde o início das elaborações das ações afirmativas foi pontuada a necessidade desta enquanto política transitória. O que me parece é que há um profundo desconhecimento (nao me refiro a ti diretamente, ok?) sobre a história da reivindicação de tais políticas. O movimento negro vem reivindicando a existencia de cotas (raciais, a principio, porém foi este o grande motim para se pensar a elaboração de cotas sociais) desde a década de 40. Cotas são tomadas como pedra de toque por quem nunca pensou os tantos degraus que foram alcançados para propor uma política dessa dimensão. Sobre aderir às cotas sociais somente, adiciona-se outra questão. Raça e classe são segmentos sociais entrelaçados há tempos. Todavia, mesmo se estabelecermos o recorte social veremos que as condições financeiras e simbólicas da população negra ou parda em adentrar espaços acadêmicos são menores que as condições da população branca, mesmo colocando ambas nesse recorte de classe: classe popular.

    Eu trabalho com o carnaval de Porto Alegre, na vila São José. Uso isso apenas como exemplo, ok? A neta de uma senhora do local onde trabalho é negra. A avó é descendente de indio. A menina negra veio reclamar a avó o fato dela ter nascido negra, visto o cabelo dela ser “ruim”. Essa percepção do proprio cabelo, do proprio fisico, fez com que a menina não quisesse ir mais a aula (desconheço o tipo de comentário infeliz que ela ouvira no colégio, mas imagino). Isso, somado ao fato de a família ter essa mesma visão (já ouvi muito isso de negros: o negro tem que saber o seu lugar, como já dito), gera pessimos rendimentos escolares. Pode-se dizer que cabelo não tem nada a ver com rendimento escolar. Pois eu diria o contrário. O recorte de classe em medida alguma planifica a questão racial. Ela não dá conta disso. É inevitável perceber que os alunos que adentram as cotas sociais são em sua maioria brancos e foi devido a isso que o reitor da UFRGS propos as mudanças no trato das cotas neste ano de 2011. Anteriormente, ou as cotas eram preenchidas por pessoas brancas de escola publica, ou não eram preenchidas. Já este ano, 21 alunos negros iniciaram o curso de medicina (na UFRGS, por exemplo). Definitivamente, todos temos o mesmo DNA, porém temos historicidades muito diferentes. É claro que eu e Lucia Carolina temos historicidades diferentes. Não me refiro às singularidades de cada trajetoria. Refiro-me a historicidades coletivas diferentes, as tais estruturas simbólicas que pontuei antes.

    O conceito de raça, como já dito e repetido zilhoes de vezes em qualquer debate sobre cotas raciais, não são os mesmos que a ciência biológica coloca. Por que não compreender os modos pelos quais os ativistas do movimento negro (e afins) estão construindo seus conceitos em vez de planificar outras possibilidades de conceituação a partir de uma matriz “cientificizante”? O conceito de raça está posto no fenótipo, mas para além do fenotipo. Está no modo como tal fenótipo atua na constituição das estruturas simbólicas dos sujeitos. Se a bilogia não nos permite afirmar que há diferentes raças (no seu sentido fisico) entre um negro e um branco, intelectuais e militantes negros estão querendo acentuar que há diferenças raciais (no seus sentido histórico-social) entre negros e brancos que configuram uma diferença estrutural na sociedade brasileira, porém camuflada sobre os preceitos da democracia racial freireana. Apenas para corroborar com esta idéia faço uso de outro exemplo. Anteriormente trabalhei com teatro negro e uma das coisas que os artistas me comentavam com a maior naturalidade é que quando eles encontravam um anuncio “precisa-se de atriz/ator” eles já sabiam que não era para eles. Agora, “precisa-se de um ator/atriz negro” sim, era para eles. Eu não levanto, nao caminho pelas ruas pensando que sou branca (penso que sou mulher com mais frequencia, mas isso é outra historia que muito tem a ver com esse papo). Eles, diziam-me, eram lembrados de sua cor com muita frequencia: na procura de emprego, nos papeis que podiam ou não desempenhar, ao entrar em um restaurante classe média (mesmo sendo classe média!), etc, etc, etc. É facil dizer que raça não existe e que não deve ser parametro para políticas publicas, visto que todos somos humanos. É pena que alguns são tomados como mais humanos que outros.

    Cotas raciais estão longe de ser a solução da educação brasileira. Ela é um degrau de muitas lutas sociais. É claro que precisamos atuar nas bases da educação (vide ensino fundamental e médio) e é por isso que outra batalha alcançada pelos intelectuais e militantes negros foi a aprovação da lei 10639 que torna necessário o ensino de artes, história e literatura negra.
    Enfim, uma opinião para fomentar esse importante debate.

  28. Joana

    Träsel, muito legal o texto.
    As pessoas deveriam gastar suas energias para melhorar a escola pública. Nesse tempo em que as cotas estão em vigor, a escola pública deveria estar sendo melhorada, não? Não vejo nenhuma ação ou grana sendo injetada na escola pública. Eu acho vergonhoso para todos nós que os cotistas ainda apresentem notas tão baixas em relação ao acesso universal. Daqui há pouco vai fazer 5 anos que as cotas estão aí e nada foi feito pela escola pública. Vergonha!

  29. CECILIA

    hummm…vou me arrepender de dizer isso mas lá vai: eu sou judia. os judeus foram escravos no egito, bem antes dos negros no brasil. e mais recentemente – beeem mais recente que a escravidão no brasil – parte da minha família, mesmo branquela, foi morta só pq era judia na europa/rússia e a outra parte fugiu p a américa do sul – socorrida por judeus ricos q doavam terras e ajudavam os sobreviventes da 1a e 2a guerra, não por decisões do STF – só com o que conseguia trazer em uma malinha de mão. meu avô paterno veio com primos, e não pode trazer a mãe nem os irmãos e irmãs pq morreram durante a guerra. chegou sem falar português e trabalhou duro desde então. meu pai estudou em escola pública e estudou p passar na ufrgs. meu avô materno, órfão do pai desde os 18 anos, ajudava a mãe e irmão mais jóvens, fazia cpr, trabalhava e estudava de noite, depois ainda tinha q manter uma casa com esposa e filho até conseguir se formar na ufrgs. segundo o autor do texto, seguindo o raciocínio dele, eu tb deveria estar sendo compensada por isso com cotas? milhas? malas louis vuitton? alguma coisa???

  30. Träsel Autor do post

    Cecília, os judeus ganharam um país e até hoje recebem alguns benefícios do governo alemão (por exemplo, qualquer judeu ganhava visto de residência imediato na Alemanha até poucos anos atrás), como compensação pelo Holocausto.

  31. helio

    Sobre o comentário do Trasel, sobre as medidas repressivas quanto a imigrantes de origem alemã durante a Segunda Guerra:

    “Sim, meus avós e bisavós sofreram com isso, mas nenhum deles nunca reclamou, até porque são de uma época em que as pessoas tinham mais noção de responsabilidade. A verdade é que muita gente nas colônias simpatizava como nazismo (aliás, até hoje) e o governo fez o certo ao tentar integrá-los à sociedade brasileira, mesmo que à força. Era guerra mundial.”

    Nenhum deles nunca reclamou? O governo brasileiro fez o certo ao tentar integrá-los à força à sociedade brasileira?”

    Bem, agora ficou bem complicado. Pessoas foram criminalizadas por serem estrangeiras ou descendentes de imigrantes (alemães, mas também italianos e japoneses). Foram proibidas de usar seus idiomas de origem, tiveram fechadas suas escolas e associações comunitárias, muitas foram obrigadas a se mudar de cidade e mesmo encerradas em campos de concentração (sim, aqui no Brasil aconteceu). Comerciantes cobravam “taxa extra” para mercadorias vendidas a esses “inimigos do Brasil”.

    E você, Trasel, afirma que nenhum deles nunca reclamou? Que o governo brasileiro fez o certo? Está lembrado que se tratava de uma ditadura sanguinária, a do Estado Novo? E que tais medidas começaram bem antes de o Brasil entrar na guerra?

    É duro que, na sua argumentação pró-cotas (que poderia ser encaminhada de outra forma), você precise tentar justificar o injustificável quanto a outras formas de racismo e de violência de estado.

  32. Träsel Autor do post

    Hélio, releia minha resposta ao Carlos. Disse que meus parentes nunca reclamaram. Além disso, essa resposta não faz parte da argumentação principal, mas é uma réplica a outro comentário que levantou uma comparação ridícula entre a situação dos descendentes de colonos europeus e a dos descendentes de escravos africanos na sociedade brasileira. Recomendo a leitura atenta do seguinte documento antes de seguirmos nas discussões:

    http://blog.talkingphilosophy.com/?p=2139

  33. helio

    Carlos, agradeço a indicação do livro. Sei que o tema não é o da sua argumentação principal. Mas penso que incorreria também na categoria das falácias quem argumentasse que “havia nazistas nas colônias, logo medidas repressivas contra todos eram justificadas” (inclusive gente sem nada a ver com a guerra, e que não era nem de origem alemã). Não é o fato de seus parentes nunca terem reclamado que torna o fato socialmente e politicamente justo. Como também o fato de muitos não reclamarem contra o racismo não significa que o racismo não exista, ou não deva ser combatido.

    Penso que o que liga os dois temas talvez seja a ideia de que há formas de discriminação e racismo que devem ser combatidas e outras que podem ser aceitas – e mesmo incentivadas. Ou tomamos uma atitude decidida contra qualquer uso de categorias raciais, étnicas, nacionais, nos processos de discriminação social, ou teremos muito trabalho em ficar diferenciando as “boas” das “más”.

  34. helio

    Desculpe, dirigi-me ao Carlos quando deveria estar me dirigindo ao Marcelo Trasel. Foi um engano.

  35. fernandinha

    eu apoi oque marcelo falou e que os que estão contra e porque tudo ke ele falou e verdade e tudo que eles fizerem ainda vai ser pouko para recompensa-los depois de tantos anos de sofrimento e ser um branco tem capacidade um negro tambem tem por que sabedoria niguem toma emprestado e nem compra vem do ser humano eles so querem o que desdo principio deveria ser…………….

  36. Ana Luiza

    Muito bom o seu texto, professor Träsel! Argumentos realmente válidos sobre a questão das cotas.

    As pessoas negras da minha família estudaram em universidades federais, passaram em concursos públicos e conseguiram bons empregos sem precisar de cotas (que não existiam naquela época, claro). E quando ouviram falar sobre cotas, logo disseram que não precisaram disso. Mas, já que as cotas foram criadas, então penso que quem que têm direito deve aproveitar.

    Confesso que eu também não sou muito a favor do sistema de cotas, mas acho que melhor do que reclamar de um direito que foi concedido (que que não causa dano a ninguém) é reclamar dos outros problemas graves ainda não resolvidos nesse país.

    Muito legal o seu novo blog… eu acompanhava o Martelada… :-)

  37. Ana Luiza

    Corrigindo meus erros de digitação:
    *penso que quem tem direito deve aproveitar.

    *e que não causa dano a ninguém.

  38. isa

    As cotas para negros se justifica não pela cor de sua pele mas, porque os indivíduos que as tem foram marginalizados e discriminados durante anos, se eles fossem brancos as cotas seriam para eles.
    Temos sempre a propensão de sermos contrários aos benefícios que não nos atinge favoravelmente.

    Träsel
    Parabéns pela sua posição e seu texto, participo de tuas opiniões
    Isa

  39. Santos

    olá,
    eu tenho uma dúvida: sou negro e estudei a maior parte do ensino fundamental e todo o ensino medio em escola particular, minha familia tem uma condiçao boa. Eu posso entrar na universidade pelo sistema de cota para negros??
    obrigado

  40. James

    Texto sem profundidade, apenas enumera argumentos falaciosos pró-cotas.

    As cotas não se aplicam no Brasil pois não há uma clivagem entre brancos e negros como no apartheid ou EUA, aqui a maioria é de mestiços como mulatos do mulato claro ao escuro e também de caboclos e cafuzos.

    Como esta gente toda é pobre e mora nas vilas juntamente aos negros pense, porque só o negro terá direito a vaga ?
    Sabemos que a lei é forçada pelo agressivo movimento negro que é amparado em Malcolm-X, apenas visam conquistar poder, e o PT apenas quer criar mais militância e mais um curral eleitoral.

    O ideal é manter as cotas sociais o que certamente abrangeria negros e mulatos, chegando ao objetivo de justiça social sem falsa divisão racial preconceituosa que criou o PT. Até tribunais raciais o PT tem criado, vide a experiência vergonhosa na UNB e o caso dos gêmeos em que um ganhou cota e o outro não.

    No Brasil a exclusão quanto ao ensino é social a todo pobre e não racial. O problema racial, do preconceito não é algo a se resolver com cotas.

    Enfim se o colega quer defender um argumento deve fazê-lo sem emoção visando bons resultados e não apenas fazer militância infantil ou barulho.

  41. Nathália Krein

    Olá,
    gostei bastante do seu texto, ajuda a mudar um pouco minha cabeça sobre isso, mas o problema que vejo nas cotas é o fato deles avaliarem a “cor” da tua pele. Eu sou branca(do estilo alemã) mas meus avôs são índios. Herdei poucos traços e mesmo assim não posso concorrer pois ao me verem não me consideram índia. Sou alemã. E sei que isso ocorreu em Brasília, com dois gêmeos e com uma Estudante de Pedagogia em Santa Maria, considerada branca demais pra ser descendente afro… Acho que isso deveria ser mais bem pensado.

  42. amaury pedrosa

    Galera acontece que as cotas é só um atraso no desenvolvimento da educação no Brasil e enquanto existir o governo não vai melhorar as escolas públicas. quanto as cotas raciais? É uma vergonha não acabar com esse preconceito.e cor de pele não significa nada sou negro e sou contra as cotas. Sou negro e não me acho menos inteligente do que um loiro.

  43. Alice

    Seus argumentos são de uma pessoa preconceituosa, isso é fato.

    Todos os brasileiros merecem uma educação básica e fundamental de qualidade, sejam eles negros, brancos, amarelos ou azuis, e essa é a raiz de todo o problema. Não adianta colocar estudante despreparado dentro da universidade, porque entrar com cota é fácil, difícil é se formar, e pode ter certeza que muita gente vai ficar presa na teia da faculdade, sem concluir o curso pelo simples fato de não conseguir acompanhar o nível alto que é exigido em âmbito universitário.

    Só através do conhecimento é que o aluno deveria ou não entrar numa universidade. Esqueça a cor e lembre que quem passa no vestibular tem que estudar muito pra se tornar um profissional decente. Não estou dizendo que um aluno esforçado que entre por cotas não consegue estudar de modo satisfatório, mas sim que é muito mais difícil para esse aluno, que teve uma educação inferior, concluir um curso de forma realmente satisfatória.

    Por mim o governo criava vergonha na cara e investia de verdade na educação pública. As cotas só atrapalham e envergonham nosso povo, que já passou por injustiças demais.

  44. José

    Gostei do texto. Achei muito bem escrito e com argumentos válidos. O que não dá para esquecer é que existem outras minorias…deveríamos ter cotas para gays e transexuais também, por exemplo? Preconceito eles também sofreram (e ainda sofrem)…

  45. Josiane Motta Vieira

    Olá. Gostei muito do texto, ele traz uma ampla visão do sim e do não até para quem venha a se beneficiar das cotas. Gostaria de salientar que em evidência esta a cota por etnia, mas apenas em evidência porque as cotas são: estudantes de ensino público e renda per capta e essas independe da cor ou raça… Com certeza em nossas bases o maior problema é o social, mas precisamos iniciar de alguma forma “amenizar” a desigualdade em nosso País/Mundo. E quando falamos em Social não podemos esquecer que nosso País é de uma totalidade de negros e assalariados(brancos/negros). Então reafirmo em evidência esta as cotas para os negros.. Mas as cotas beneficiam também estudante de ensino público e por renda per capta. Então ao invés de procurar motivos para mandar contra, procure maiores informações porque com certeza se você que é contra não for cotista você concorrerá com um grupo pequeno por vagas ” já que a maioria é cotista “.

  46. PAULO DA SILVA

    CARO COLEGA FICO FELIZ POR VOCÊ TER ESSA CONSCIÊNCIA DE QUE O BRASIL FOI CONSTRUÍDO COM A MÃO DE OBRA PRIMEIRAMENTE DOS ÍNDIOS MAS, COMO ERAM MUITOS PREGUIÇOSOS A RALE DE ETNIA BRANCA DE MALFEITORES QUE VIERAM DE PORTUGAL TROUXERAM DA AFRICA EM BARCOS NEGREIROS OS NEGROS PARA O TRABALHO ESCRAVO. ANTES DOS NEGROS CHEGAREM AO BRASIL DOS SENHORES DE ENGENHOS ESTUPRAVAM AS ÍNDIAS E DO DNA DOS BRANCOS COM O DNA DOS ÍNDIOS NASCIAM OS MESTIÇOS QUE ERAM CHAMADOS DE MAMELUCOS OU CABOCLO E COM A VINDA DOS NEGROS COM O TEMPO DOS SENHORES DAS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS ESTUPRAVAM AS ESCRAVAS MAIS LINDAS DAS SENZALAS. TINHAM FILHOS E FILHAS BASTARDAS AS QUAIS COM O DNA DE ETNIA BRANCA E ETNIA NEGRA NÃO TINHAM ETNIA DEFINIDA E ERAM CHAMADOS DE MULATOS. E INTERAÇÃO DOS NEGROS COM A ETNIA INDÍGENA NASCIAM MESTIÇOS CHAMADOS DE CAFUZOS.
    COM A LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS PELA PRINCESA ISABEL , OS SENHORES DE ESCRAVOS SE VIRAM AS MÃOS ATADAS, POIS PRECISAVAM DE MÃO DE OBRA PARA TRABALHAREM NAS FAZENDAS. E A SOLUÇÃO FOI TRAZEREM EMIGRANTES EUROPEUS E ASIÁTICOS PARA O BRASIL AGORA PARA TRABALHAREM COM SALÁRIOS NAS FAZENDAS DE PLANTAÇÃO DE CAFÉ. MAS, ESSES EMIGRARDES FORAM LUDIBRIADOS POIS NA REALIDADE SI TORNARAM TRABALHADORES ESCRAVOS DOS SENHORES DE TERRA.

    VEJA, AGORA CARO MARCELO AUTOR DESTE BLOG!

    JÁ EXISTIAM MESTIÇOS: MULATOS, CAFUZOS, MAMELUCOS OU CABOCLOS E AGORA TODAS ESSA MISCIGENAÇÃO DE BRANCOS, NEGROS E ÍNDIOS AGORA COM A VINDA DE JAPONESES E ITALIANOS E POSTERIORMENTE ALEMÃES. FOI MAS MISCIGENADA A POPULAÇÃO BRASILEIRA.; DA MISCIGENAÇÃO RESULTADA DA ETNIA BRANCA, NEGRA É INDÍGENA AGORA COM OS NETOS DE FILHOS (NISSEI) DE JAPONESES QUE EMIGRARAM PARA O BRASIL DE (SANSEI) E COM OS DESCENDENTE DE EUROPEUS.

    NÃO PODEMOS DIZER QUE EXISTEM NO BRASIL UM ETNIA PURAMENTE DEFINIDA E SE ASSIM ALGUÉM PENSAR QUE É BRANCO, NEGRO, ÍNDIO, JAPONÊS, ITALIANO, EUROPEU PELO A COR DE SUA EPIDERME, OU SEJA, PELE. MAS, ´POR DENTRO SEU SANGUE SI ENCONTRA IMPREGNADO DE DNA DE BRANCO, ÍNDIO, NEGRO, JAPONÊS, EUROPEU E ETC.]

    EU SOU MESTIÇO: TENHO DENA DE NEGRO, ÍNDIO E DE BRANCO ( HOLANDÊS ) MAS, NÃO ME CONSIDERO BRANCO , NEM NEGRO, NEM ÍNDIO E SIM UM MESTIÇO E TENHO ORGULHO DE TER O DNA DE BRANCO DE NEGRO E DE ÍNDIO. SI EU DISSER QUE SOU NEGRO ESTOU NEGANDO AS DEMAIS ETNIA QUE EU FAÇO PARTE E O MESMO ACONTECE SI EU DISSER QUE SOU BRANCO OU ÍNDIO. E ASSIM É TODA POPULAÇÃO BRASILEIRA. UMA NAÇÃO EM ETNIA DEFINIDA. E QUE FORMA UM POPULAÇÃO TÃO DIVERSIFICADA E LINDA. MULHERES MORENAS, MULATAS DE PELE MAIS CLARA E MAIS ESCURA, LOIRAS, MULHERES ( SANSEI) DE CORPO TÃO DELICADOS E LINDOS. O BRASIL ´O ÉDEN DE MULHERES BONITAS.

    AGORA VEM UMA LEI HIPÓCRITA SEPARANDO OS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS POR COTAS POR ETNIA! ISSO É BRINCADEIRA. ESSA LEI GERA JURISPRUDÊNCIA NO ( T S U ) PORQUE QUALQUER CIDADÃO BRASILEIRO QUE TIVER A EPIDERME MAIS CLARA OU BRANCA E FIZER O TESTE DO DNA E PROVAR QUE NO SEU SANGUE TEM TRAÇOS DE DNA DE NEGROS E ETC. TEM O DIREITO DE PLEITEAR UMA VAGA COM COTISTA!
    DEVERIA SIM INCENTIVAR ATRAVÉS DE BOLSAS EM DINHEIRO PARA AQUELES ESTUDANTES DAS ESCOLAS PÚBLICAS QUE PLEITEIAM UMA VAGA NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS DO BRASIL

    POR MAIS QUE O COTISTA SEJA INTELIGENTE, ELE TERÁ UM RÓTULO NA TESTA ESCRITO SOU COTISTA. MESMO QUE ELE SEJA UM NERD DA COMPUTAÇÃO, CIÊNCIA MAS, SEMPRE SERÁ UM COTISTA E DISCRIMINADO NA UNIVERSIDADE. EM UM A CERTA CIDADE UMA GAROTA LOIRA COM A EPIDERME CLARA. MAS, COM TRAÇOS DE DE DIVERSAS ETNIA NO SANGUE ENTROU EM UMA UNIVERSIDADE COMO COTISTA. E SOFREU BULEM DOS COLEGAS PORQUE ELA ERA DA EPIDERME CLARA E LOIRA E SEU COLEGAS PR PURO PRECONCEITO A REPUDIAVA.. O MESMO ACONTECE COM OS COTISTAS DE EPIDERME MAIS ESCURAS. A LOIRA OS COLEGAS NÃO ADMITIAM QUE ERA DESCENTES DE NEGRO E OS COTISTAS SÃO POR PURO PRECONCEITOS DISCRIMINALIZADOS DENTRO DAS SALAS DE AULAS NAS UNIVERSIDADES..

    E TAMBÉM ESSA LEI POR COTA POR ETNIA, CONTRIBUI AINDA MAIS O PRECONCEITO RACIAL NO BRASIL POR AFIRMAR QUE NUM PAÍS COM A POPULAÇÃO TOTALMENTE MISCIGENALIZADA SEM ETNIA DEFINIDA EXISTEM ETNIAS PURAS!

    MAS, PARA ESTAR NO PODER ISSO É BOM UM PAÍS COM UMA POPULAÇÃO FORMADA POR GUETOS SEM UMA CONSCIENTIZAÇÃO POLÍTICA É FÁCIL DE SER MANIPULADA!

    BRASILEIROS OLHEM PARA O SEU EXTERIOR E SONHEM E DEPOIS OLHEM PARA O SEU INTERIOR E ACORDA!

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