Dois dias e contando

Parece que dessa vez o Large Hadron Collider realmente vai ser ligado. Há quem pense que ele pode criar um buraco negro e destruir a Terra, mas segundo estudos a chance de isso acontecer é inferior a 0,01% — sendo reservado sempre aquele espacinho para uma falha nas teorias que garantem a segurança do projeto.

O mais legal na ciência é essa nonchalance em relação às conseqüências de seus atos. Cientistas são como crianças que destroem seus brinquedos para ver como funcionam. A primeira colisão de partículas no LHC pode destruir o mundo? Embora a possibilidade seja infinitesimal, pode. Enquanto qualquer cultura ficaria horrorizada ante a possibilidade de provocar os deuses, a tecnocultura ocidental faz o sinal da cruz para Einstein e dispara o feixe de prótons. Teller achava que o teste da primeira bomba atômica poderia causar a ignição da atmosfera e, conseqüentemente, uma morte bastante desagradável para todos os habitantes do planeta. Mas eles foram em frente!

Não me entendam mal: não sou contra o LHC, apenas não posso deixar de perceber a fé religiosa que alguns de nós têm na ciência, um traço bastante pitoresco da cultura greco-romana. Provavelmente os temores são bobagem, apesar de a coincidência de datas com o início das Olimpíadas dar um certo sabor de conspiração cósmica a tudo isso.

De fato, se o mundo acabasse, seria no mínimo algo interessante de se ver. Vamos todos morrer mesmo, por que não presenciar o segundo maior evento de todo o tempo-espaço? Você pode acompanhar aqui a contagem regressiva.

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