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Instrumentos & Geringonças

A Forbes.com lista os melhores instrumentos de cozinha. Imagino que os mestres-cucas e pretensos chefs adoram listas assim. *bocejo* Eu prefiro exercitar meu lado nerd com as melhores geringonças de cozinha. Como abstêmio, eu não preciso do software de adega, mas adorei o fogão a indução e o cadeado para sorvete.

Derruba uma araucária e depois corta um tomate

faca_tramontina.jpgCreio que minha melhor faca, em termos de custo/benefício, é a faca de sanduíche da linha Condor, da Tramontina. Está há dois anos cortando de tudo em minha casa, desde casca de abóbora a fatias de queijo, de cebola a copa. Não perdeu nem 1% do fio ainda. Por outro lado, uma Wüsthof de descascar legumes feita do melhor aço alemão perdeu o fio em menos de meio ano. Claro que facas de aço Solingen exigem outro tipo de cuidado e afiação constante, mas nem sempre se tem saco para isso. A faca de sanduíche da Tramontina custa menos de R$ 10. Não serve, é claro, para picar alimentos grandes. É um tanto pequena para uma berinjela, por exemplo. No entanto, para coisas mais simples, quebra o maior galho. E sempre se pode adquirir o jogo de sete peças, que sai por cerca de R$ 100.

Coisas inúteis

separador_claras.jpgTodo mundo ri quando entra em minha cozinha e vê este separador de claras em forma de frango — e sua companheira ampulheta, que marca os exatos três minutos para se cozinhar um ovo quente. De fato, o separador de claras parece meio inútil. Qualquer cozinheiro que se preze tem de saber como se quebra um ovo e se joga a gema de um lado para o outro, deixando a clara escorrer em um recipiente. A aquisição deste apetrecho só ocorreu porque minha mãe tinha crédito em uma loja de inutilidades para cozinha e mandou eu ir lá escolher qualquer coisa. Como era pouco dinheiro, não deu para comprar nada realmente útil. Então apelei para algo ao menos engraçado. Já que está por ali, no entanto, resolvi usar estes dias. Sabem que funciona muito bem?

Sanduicheira

sanduicheira2.jpgUm dos meu equipamentos favoritos na cozinha é essa sanduicheira ordinária aí ao lado. Incentivado pelo texto do Láudano abaixo, resolvi dar a dica a quem está montando sua cozinha: compre uma dessas, não aquelas porcarias elétricas. Há eletrodomésticos que simplesmente não valem a pena. Uma sanduicheira elétrica é um elefante branco difícil de limpar. Uma sanduicheira de fogão cabe em qualquer buraco numa prateleira e pode ser lavada na pia, se você quiser. É possível controlar o fluxo de calor. É simples de usar. E ainda tem a vantagem extra de ser barata.

Montando uma cozinha pra dois

Cada vez mais as pessoas deixam pra ter filhos mais tarde e, mesmo assim, continuam juntando as escovas de dente no meio tempo. Iniciar uma vida a dois costuma ser bacana, montar apartamento, escolher móveis, pendurar quadros e prateleiras, organizar livros e mídias, this kind of crap. Diversões domésticas que fazem a alegria dos pombinhos e dos donos de empórios de móveis.

Resolvidos os problemas de encanamento, acertado onde ficarão os móveis, você se pega olhando para a cozinha e pensando que, ei, vamos passar pouco tempo aqui, mesmo, pra quê diabos a gente deve se preocupar com isso? Afinal a gente sempre come fora, etc., etc. Mas a verdade é que uma das coisas mais legais a se fazer nessa nova vida a dois é receber os amigos, preparar algum rango, tomar vinho e falar bobagem enquanto se cuida a panelada no fugão. E, pra isso, uma cozinha simples, mas funcional, e cheia de truques bacanas faz toda a diferença. E chega a hora de brincar de casinha de verdade com a (o) sua (seu) significant one.

Mentalidade hippie não combina com cozinha gostosa

Um dos maiores e mais deprimentes descuidos de todo casal novo é o fogão. Geralmente é assim: Você ganha relativamente bem, tem sua vidinha resolvida, quer um fogão? Pega a sua (seu) mui amada (o) metade da laranja pela mão, vai às casas Bahia mais próxima e compra um bom seis bocas da marca Dako igualzinho ao da sua mãe, certo? Pode ser que não: Até as paredes de azulejo da sua nova cozinha sabem que a comida feita num fogão à lenha é mais gostosa. A comida esquenta de uma forma diferente e fica aquecida por mais tempo num deles.

Então talvez seja a hora de abandonar de vez essa mentalidade hippie e anos 60 e imitar seus avós: Equipar a cozinha com o que há de mais parecido com um fogão à lenha nos dias de hoje – um fogão industrial de duas ou quatro bocas, de preferência com forno. Pelo mesmo preço de um fogão genérico de seis bocas você põe na sua cozinha um equipamento industrial que vai fazer até o seu arroz de carreteiro ou omelete apressado parecer comida de gourmet, sem onerar muito a mensalidade do gás por isso.

E por que oneraria pouco? Porque normalmente os alimentos, apesar de expostos a mais fogo que num fogão comum (e, portanto, consumindo mais gás) cozinham sensivelmente mais rápido num fogão industrial. Além disso, com o ajuste correto da vazão, é possível preparar alimentos que requereriam forno diretamente no fogo do seu fogão. Outra coisa impressionantemente legal é o fato de que, se seu fogão industrial tem forno, você poderá fazer pães e outras receitas menos comuns envolvendo farinha de trigo, coisa que jamais sai bem num forno de fogão comum.


Exemplar da raça Fogão Industrial fotografado no zôo de São Paulo

Alguns cuidados para não comprar um elefante branco

Mas, atenção: Um fogão industrial pequeno numa cozinha doméstica tem vantagens inegáveis, mas é preciso observar alguns pontos para não acabar comprando um estorvo, ao invés de uma solução. O primeiro detalhe são, obviamente, as panelas. Um fogão industrial é capaz de transformar em papelão a canequinha de alumínio que você usa para aquecer a água do escalda-pés (inverno gaúcho stinks). Então, como num fogão à lenha, é preciso panelas que agüentem o tranco. Com o aparecimento desses conjuntos de panelas de Inox genéricas por menos de 300 reais está resolvida essa questão – você não estava pensando em economizar nas panelas, né, mão-de-vaca?

Você também pode optar por panelas de ferro, mas elas têm várias desvantagens em relação às de Inox. Sujam mais, são difíceis de limpar – a gordura parece gostar muito delas – são bem mais pesadas, ficam feias como o capeta com o passar do tempo. Mas, enfim, a cozinha é sua.

Outra coisa a se cuidar é a adaptação do seu sistema de gás. Em São Paulo, onde boa parte da cidade conta com gás encanado, a própria concessionária se encarrega de, na instalação, preparar a vazão certa para o seu tipo de fogão. Se você pretende usá-los com botijões de 13kg comuns (não há nenhum problema em fazer isso) é necessário especificar isto na hora da compra do fogão, para que ele saia com a configuração correta da loja.

Na minha próxima Garfada, falarei dos acessórios para essa cozinha hipotética. Sintam-se à vontade para deixar comentários educados e bem escritos. Se chamar de Caetano eu xingo de Gilberto Gil de volta. E distribuo fura-olhos.

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