Hashi é um dos melhores de Porto Alegre

hashi.jpgOntem à noite fui conhecer o restaurante Hashi, que apesar do nome não é apenas mais uma casa de comida japonesa. O chef Carlos Kristensen serve comida internacional com uma forte ênfase no Japão, é verdade, mas o cardápio tem pratos como carpaccio de canguru, magret de pato com mel, ou carré de cordeiro com molho de vinho tinto e risoto de abobrinha. Porém, não se engane, o sushi servido lá é um dos melhores de Porto Alegre, perdendo apenas para o do imbatível Sakura.

A idéia inicial era jantar no Takê. Porém, chegamos lá e não havia lugar para estacionar. Um representante da casa na rua avisou que a espera era de pelo menos 40 minutos. Ainda assim, resolvemos deixar o nome da lista e depois decidir o que fazer. A subida pela escadaria até a mocinha responsável por isso foi chocante. Dezenas de jovens proprietários de caminhonetes Pajero e similares portando ninfetas bebiam coquetéis em poltronas sob um ruído ensurdecedor. Prometi a mim mesmo nunca pisar lá de novo, não importa quão boa seja a comida.

A chegada ao Hashi foi completamente diferente. Não se ouvia um só ruído. Na verdade, parecia estar vazio, até que a garçonete nos levou a um salão onde mais pessoas jantavam a uma distância saudável umas das outras. Perguntei-me em voz alta por que estava tão mais vazio que o Takê. “Quando vier a conta, tu vai ver”, respondeu um amigo. De fato, os pratos no Hashi custam um monte de dinheiro. Mas a qualidade da comida oferecida mais do que compensa.

O couvert foi atum cozido no shoyu com cebolinha. Bastante surpreendente, parecia até carne de vaca. Como entrada, pedimos guiozá (R$ 19, seis unidades), o melhor que já comi. O recheio de porco bem temperado estava envolto em pasteizinhos al dente e boiavam num molho tarê que não se impunha sobre os outros sabores. O prato principal foi o bom e velho sushi. Minha mulher e eu pedimos uma porção para dois do tipo “criações exclusivas”, isto é, releituras feitas pelo chef Kristensen (R$ 99). É a travessa da foto acima.

Entre os sushis especiais, havia de salmão com shissô, enguia, atum com foie-gras (senti-me tentado a comer o foie-gras separado do resto), ostras e camarão com palha de batata doce. Os leitores mais antigos sabem que não sou grande entusiasta de releituras em pratos de culinárias tradicionais (sim, refiro-me às pizzas de milho verde e sushi califórnia), mas nesse caso não tenho reclamações a fazer. O chef Kristensen demonstra ter muito respeito pelos ingredientes. Acredito que seja um dos melhores restaurantes de Porto Alegre, dada a qualidade da comida e do serviço.

O total para duas pessoas, sem sobremesa mas incluindo várias garrafas de Bohemia Weiss, foi de R$ 140. Não é um lugar para se comer toda semana, mas pretendo voltar ao Hashi para provar os pratos quentes. Um conhecedor recomenda fortemente o camarão ao curry.

HASHI
Rua Des. Augusto Loureiro Lima, 151
Bela Vista – Porto Alegre
Fone: 51 3328-0005

11 Comentários

  • By Nina, 12/01/2008 @ 09:55

    Ontem li na revista Gula sobre o ranking deles de melhores restaurantes/chefs de POA. O que vc achou? Concorda com a opinião deles?
    abs.

  • By träsel, 12/01/2008 @ 11:39

    não sei, nina, não li a gula. tem link?

  • By carolbensimon, 13/01/2008 @ 21:22

    mas CERVEJA com comida japonesa não é estranho?

  • By Bruno Galera, 13/01/2008 @ 22:52

    Sushi com cerveja é a melhor opção. Japoneses costumam fazer isso, se não me engano.

    Eu sempre faço :)

  • By träsel, 14/01/2008 @ 09:05

    vinho, sim, que fica estranho com comida japonesa. cerveja, ainda mais do tipo weissbier, combina bastante.

  • By Gabriel, 14/01/2008 @ 12:15

    Não era do Takê o posto de melhor sushi de Porto Alegre? Acho que li isso aqui no Garfada mesmo.
    Realmente, o climinha coluna social do Takê é um porre, além de ser apertadíssimo. Mas certamente a comida é melhor que a do Sakura.

  • By träsel, 15/01/2008 @ 14:20

    olha, gabriel, eu defendo o sushi sakura sempre que possível. só se algum outro colaborador do blog andou falando do takê, até porque nunca comi lá.

  • By Carmencita, 16/01/2008 @ 22:28

    Mas por que insistem em pronunciar guiozá, quando é guiôza?

    Não é francês. É japonês. Em mandarim é “jiaozi” (com mácron em cima do A). A palavra entrou no Japão através de algum dialeto do sul da China.

    E sákura como pronunciam? Sakúra?

  • By Nina Moori, 17/01/2008 @ 06:50

    Guioza é uma confusão. Mas no Japão, na província em que foi mais difundido a pronúncia é guiozá.
    E é sakurá.
    No link da gula ainda não saiu a ultima edição (sobre o ranking)…
    abs.

  • By Carmencita, 17/01/2008 @ 08:45

    Em português não se pronunciam as vogais das últimas sílabas claramente. Muita gente não consegue nem tentando muito.

    Por isso as pessoas tendem a dizer “nihongô, katakaná, kanjí*, hiraganá, kataná…”. E não só em palavras de origem japonesa: “Durgá, mudrá, urdú*”…

    Um ouvido menos acostumado também poderá entender “Brasiliá” se ouvir um alemão dizer Brasília. O A final é simplesmente A nesse e em outros tantos idiomas.

    As vogais das sílabas finais átonas do português sempre sofrem alguma alteração:

    A –> Â ou uma espécie de schwa/chevá
    E –> I breve ou uma espécie de schwa/chevá em outros países que falam PT
    I –> um I breve
    O –> um U breve
    U –> um U breve

    As pessoas sempre tendem a falar como lhes parece mais fácil.

    * Acentos utilizados apenas para dar ênfase.

  • By Nina Moori, 17/01/2008 @ 14:17

    Obrigada pela explicação.
    bjo.

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