Acrópolis
Amigos que moram em São Paulo viviam recomendando o restaurante grego Acrópolis. Estive na metrópole semana passada após um congresso, então aproveitei para preencher essa lacuna em meu currÃculo gastronômico. O lugar fica no Bom Retiro, antigo bairro judeu, depois coreano e hoje em dia boliviano, onde aos sábados milhares de sacoleiros se reúnem para comprar roupas baratas. Atende, portanto, a esse público e ao pessoal ligado de São Paulo. É apertado, caótico e informal. Nem mesmo há cardápio: o cliente vai até a cozinha da foto para escolher os pratos.
Um momento resume bem a experiência de comer no Acrópolis. Enquanto esperava um amigo chegar, pedi uma cerveja, pão e tzatziki — pelo qual, aliás, não me cobraram, não sei se por esquecimento ou simpatia. O proprietário da casa, que fica circulando entre as mesas e fiscalizando o atendimento, viu meu aperitivo sobre a mesa, resmungou algo, pegou um vidro de azeite da mesa ao lado e sem dizer palavra começou a encharcar o tzatziki com o óleo. Quando ficou satisfeito, disse: “agora, sim, está bom para comer”. Pode parecer invasivo ao leitor, mas me senti bastante mais confiante no Acrópolis ao perceber a preocupação do Sr. Thrassyvoulos Petrakis com o sabor mesmo de um aperitivo que nem consta no cardápio.
Escolhi como almoço o prato misto, com risoto de frutos do mar, polvo ao vinho e lula recheada (R$ 42). A comida é caseira, mas ao contrário do que costuma acontecer nesse tipo de gastronomia, os pratos tinham sabores bem diferentes e marcantes. O polvo traz um tempero com bastante canela, a lula recheada com arroz já é mais suave e o risoto lembra ervas mediterrâneas. O tzatziki, aliás, também é muito bom, percebe-se que é fresco, não algo guardado por dias na geladeira. Não tive condições de provar o mussaká nem o cordeiro à moda grega, porque as porções são muito grandes. Tampouco foi possÃvel provar as sobremesas.
Enfim, os relatos eram verdadeiros. A comida é boa e o atendimento é simpático, ainda que objetivo. Por exemplo, ao chegar sentei em uma mesa para quatro pessoas, mas o garçom solicitou que mudasse para uma menor, porque a casa sempre enche. No entanto, fiquei lá petiscando e almoçando por duas horas e jamais senti qualquer pressão para comer logo e sair. Ao contrário, o cliente se sente bastante à vontade para degustar com calma a comida. Aliás, é uma boa chegar até as 12:30, porque a partir das 12:45 pode ser difÃcil encontrar mesa sem esperar na fila.
ACRÓPOLIS
Rua da Graça, 364 – Bom Retiro – Mapa
11 3223-4386




By Guilherme Atencio, 23/11/2008 @ 23:10
De comida grega só conheço o Greek Donner, em Porto Alegre. Já foi lá pra poder fazer uma comparação?
Eu gosto, mas sem ter um referencial é difÃcil saber se é bom meso.
By weno, 24/11/2008 @ 09:12
o atendimento do dono é lendário.
sempre peço prato de polvo, mas já belisquei o cordeiro do prato de um amigo e é fantástico.
pra falar a verdade eu queria ir a um restaurante grego que quebrasse os pratos.. ou isso sim é lenda?
By Guilherme Atencio, 24/11/2008 @ 22:40
weno, no Greek Donner dá pra quebrar os pratos sim, mas só as mulheres…
By Rogério/Ruy, 02/12/2008 @ 20:31
Legal você ter gostado do Acrópolis, Träsel. Vou lá com alguma freqüência -é perto do trabalho- e sempre peço exatamente o que você pediu, o prato misto.
E seu Trasso é uma figura. Já aconteceu de ele me pegar pra conversar um pouco durante um jantar. Não entendi metade do que ele disse, mas foi simpático. (=