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O melhor de Porto Alegre em 2009

Este √© o primeiro ano em que farei uma lista dos melhores restaurantes, caf√©s, armaz√©ns e outros produtos e servi√ßos relacionados √† gastronomia em Porto Alegre. Nunca antes me senti confort√°vel em faz√™-lo, porque pensava ser necess√°rio conhecer melhor o cen√°rio gastron√īmico da capital. Ap√≥s quatro anos de Garfada, por√©m, creio ser chegado o momento.

√Č claro, nem sempre os aspectos t√©cnicos s√£o o fator preponderante nas escolhas. Alguns selecionados t√™m para mim mais apelo afetivo do que propriamente gastron√īmico.

Convido os leitores a indicarem seus favoritos no espaço para comentários.

1. Del Barbiere — Sem sombra de d√ļvida, o campe√£o do ano. Alguns leitores j√° devem estar pensando que sou amigo de inf√Ęncia ou almo√ßo de gra√ßa no restaurante de Marcelo Schambeck, de tantos elogios rasgados por aqui. Acreditem, por√©m, que realmente se revelou um lugar fora de s√©rie nos √ļltimos meses. A rela√ß√£o custo/benef√≠cio de comer no Del Barbiere √© imbat√≠vel.

2. Koh Pee Pee — O melhor restaurante de Porto Alegre no quesito qualidade da comida. Considero as vieiras grelhadas em molho de lim√£o o melhor prato que j√° comi em uma casa local. N√£o deixa de ser bizarro uma cozinha tailandesa ser a melhor de uma regi√£o sem absolutamente nenhum la√ßo hist√≥rico com o pa√≠s do sudeste asi√°tico.

3. Chez Philippe — Muita gente prefere a comida francesa do Bateau √évre, mas eu tive uma m√° experi√™ncia l√° e portanto continuo achando o restaurante de Philippe Remondeau o melhor para se degustar pratos da cozinha cl√°ssica. De fato, o Chez Philippe est√° empatado em qualidade com o Koh Pee Pee, mas fica em terceiro porque prefiro a comida oriental. Embora a proposta seja o cl√°ssico, ainda, talvez o card√°pio se beneficiasse de um pouco mais de ousadia.

4. Churrascaria Porto-Alegrense — A melhor carne da capital. Sem grandes luxos e sem uma profus√£o barroca de op√ß√Ķes de acompanhamentos — sabem aqueles buf√™s que v√£o da salada de alface ao sushi de chocolate com coco? –, a Porto-Alegrense acaba dando destaque ao que o Rio Grande do Sul tem de melhor a oferecer: a carne. A paleta de ovelha e a costela s√£o irretoc√°veis. N√£o deixe de provar tamb√©m o matambre e, um tanto inusitadamente, o p√£o de queijo.

5. Padaria Priscilla’s — √önico lugar poss√≠vel para se adquirir¬†muffins, brioches, bolinhos e outras guloseimas de padaria. Um dos melhores √© o cinnamon roll. O pat√™ de f√≠gado feito em casa √© muito recomend√°vel, tamb√©m. Ainda por cima, os pre√ßos da Priscilla’s s√£o razo√°veis.

6. Pudim da minha m√£e — Continua o melhor pudim de leite da cidade, apesar da concorr√™ncia da sobremesa no Fazenda Barbanegra.

7. Daimu — Junto do Sakae’s, √© o √ļnico japon√™s entre as dezenas de japoneses da cidade a investir nas receitas tradicionais. Serve o melhor sushi/sashimi de Porto Alegre, sem sombra de d√ļvidas.

8. Caf√© do Mercado — A banca no Mercado P√ļblico fornece a mat√©ria-prima para os viciados hardcore em caf√©. L√° se pode comprar gr√£os selecionados de diversas regi√Ķes do Brasil, com certificado de origem. O quilo da vers√£o org√Ęnica do caf√© especial para espresso custa R$ 31, abaixo da m√©dia para essa categoria, e o cliente ainda ganha um espresso cortesia, para ser sorvido num ambiente sem igual. Fica convenientemente pr√≥ximo da Macrobi√≥tica Sauer (castanhas, cereais integrais, tofu, damasco seco) e do Emp√≥rio Banca 38 (vinhos nacionais e importados a bom pre√ßo e delicatessen).

9. Damask — Atendimento atencioso do propriet√°rio palestino e o melhor falafel da capital. Fica numa casa simp√°tica na cidade baixa, com direito a um sal√£o para fumar narguil√© no segundo andar. Serve cerveja Heineken em garrafa de 600ml, que pode ser bebida enquanto o cliente aprecia videoclipes de m√ļsica √°rabe. Precisa mais?

10. Burger King — Alguns leitores podem considerar uma heresia eleger essa rede de lanchonetes como um dos destaques numa cidade famosa pelo xis-cora√ß√£o e pelo xis-calota. H√° muito tempo por√©m n√£o frequento mais lancherias — deve ter algo a ver com n√£o estar mais na rua de madrugada nos finais de semana — e n√£o poderia julg√°-las. Depois de anos de hegemonia do ins√≠pido McDonald’s, entretanto, √© um alento poder comer sandu√≠ches com gosto de carne de verdade nas noites de cinema. Um sinal de que o Burger King tem tudo a ver com a cultura porto-alegrense √© o BK Stacker:¬†sandu√≠che com quatro hamb√ļrgueres, bacon, queijo e, at√© h√° pouco tempo, a op√ß√£o de “molho furioso” que, pasmem, era apimentado de verdade!

Slow food no Del Barbiere

Del BarbiereA experi√™ncia gastron√īmica que mais alegria tem me trazido ultimamente √© comer no Del Barbiere — anteriormente conhecido como Caff√® del Barbiere. O bistr√ī de Marcelo Schambeck, no centro de Porto Alegre, √© o melhor custo-benef√≠cio da cidade. Jamais comi um prato menos do que bom l√°; a maioria √© √≥timo. Agora, est√£o servindo um almo√ßo especial slow food no √ļltimo s√°bado de cada m√™s. Perdi a primeira edi√ß√£o, mas frequentei as duas √ļltimas, cuja chef convidada foi Michelle Le√£o. Trata-se de um menu fixo a R$ 34 por pessoa, privilegiando ingredientes brasileiros e sempre contando com alguma refer√™ncia ga√ļcha, como lim√£o-bergamota ou picanha.

Neste s√°bado, o menu foi o seguinte:

  • Um coquetel de espumante brut com gelo de bergamota montenegrina
  • Mini-wrap de variedade de ab√≥boras
  • Couvert de p√£o de batata com cenoura torrado e creme azedo
  • Como entrada, carpaccio de chuchu ao azeite de trufas brancas, salada verde com vinagrete de lim√£o sicialiano, ma√ß√£ caramelada e amendoim
  • O prato principal foi picanha confit ao molho de jaboticaba guarnecida de pur√™ de azedinha e farofa de copioba do Norte
  • Finalmente, sagu de hibisco com creme

As descri√ß√Ķes podem remeter a restaurantes pretensiosos e esnobes, mas nada est√° mais longe da verdade. Primeiro, porque a cozinha entrega o que promete no menu, com execu√ß√Ķes muito competentes. Al√©m disso, quem mais parece se divertir com as varia√ß√Ķes semanais e mensais do almo√ßo especial √© o pr√≥prio Schambeck. Ele parece estar seriamente dedicado a pesquisar usos e combina√ß√Ķes inovadoras dos ingredientes tradicionais com receitas internacionais, numa abordagem mais respeitosa que iconoclasta. O Del Barbiere √© reflexo disso.

Del BarbiereOutro sinal do comprometimento com a qualidade √© o fato de o Del Barbiere continuar pequeno e com qualidade constante ap√≥s muitos meses de mesas sempre lotadas — hoje em dia, √© imposs√≠vel comer l√° sem reserva. O restaurante poderia se mudar para um lugar maior ou passar a atender √† noite tamb√©m, mas continua l√°, dividindo um sal√£o min√ļsculo com uma barbearia.

Só se pode supor que Schambeck esteja preferindo continuar cozinhando como quer, para uma clientela pequena, mas cativa, a comprometer-se com as exigências de um lugar maior. Ou seja, não está colocando o carro na frente dos bois. Atitude sábia: refinar seu estilo culinário por algum tempo, estabelecê-lo, para então abrir um restaurante maior e com proposta sólida.

Uma confissão: pela primeira vez na vida, pensei em não publicar um artigo sobre um restaurante, com medo de levar ainda mais gente a disputar as poucas mesas nos almoços de sábado. O dever jornalístico falou mais alto. Vou ver se consigo reservar mesa para todos os almoços slow food até 2015.

DEL BARBIERE
Rua Jer√īnimo Coelho, 188 – Mapa
51 3019-4202

Duas boas notícias

O chef Caco Zanchi, cujo restaurante Kos fechou no final do ano passado, esteve durante o ver√£o na B√©lgica, estudando e criando novas receitas. De volta ao Bar L√≠der, parece que no fim das contas os clientes do falecido Kos poder√£o seguir desfrutando a est√©tica particular de Zanchi,¬† a julgar pelo card√°pio especial do dia de S√£o Valentim: salada ao vingrete de cerveja, hamb√ļrguer de peixe ao molho de cerveja branca e uma sobremesa de gorgonzola com abacaxi, chamada luxuriosa. A conferir.

Enquanto isso, o Caffè Del Barbiere agora se chama apenas Del Barbiere, porque o chef Marcelo Schambeck resolveu assumir de vez o lado restaurante. O estabelecimento passa a oferecer um cardápio mensal, com pratos sempre repetidos a cada dia da semana, no almoço. Em março, por exemplo, há peito de frango com espuma de coco e tubérculos assados todas as terças, ou filé grelhado com molho demi, shoyu e nirá, guarnecido de batatas gratinadas. Couvert, entrada e prato principal custam R$ 19,90. Uma boa opção para um almoço festivo no centro da cidade.

Caffè del Barbiere

Conheci o trabalho do chef Marcelo Schambeck em um coquetel do projeto Pequenas A√ß√Ķes Terroristas. Chamou a aten√ß√£o ver que ele montava as bandejas de salgadinhos e docinhos durante o evento, de modo que tudo estava sempre fresco. Depois chamou a minha aten√ß√£o a originalidade dos petiscos, bem diferentes do arroz-de-festa dos coquet√©is (croquetes, empadinhas e quetais). Havia at√© fatias de p√£o integral com coalhada e brotos de rabanete, para se ter uma id√©ia.

L√° peguei um cart√£o dele e h√° muito tempo estou para conferir um dos almo√ßos especiais de seu restaurante, o Caff√® del Barbiere. Toda quarta e sexta, √© a promessa, serve-se um menu baseado no que h√° de bom no mercado. Entrada e prato principal custam R$ 15. √Č bom chegar antes do meio-dia ou ap√≥s as 13h, sob pena de ter de esperar bastante uma das poucas mesas do lugar ser liberada. Ao menos o ambiente √© interessante: o caf√© divide o espa√ßo com uma barbearia tradicional ainda em funcionamento e adota a mesma est√©tica. N√£o se preocupe, h√° uma parede separando os cabelos cortados de sua comida.

Ao chegar no local e ver os pratos de nhoque e sopa de algum tipo de folha verde, fiquei um tanto decepcionado. Esperava um prato de apresenta√ß√£o luxuosa como os das fotos. Mas logo me dei conta de que era perfeito: se Schambeck conseguisse fazer um nhoque e uma sopa de espinafre que surpreendessem, ganharia muito mais o meu respeito. √Č f√°cil agradar com pratos diferentes e/ou estramb√≥licos, dif√≠cil √© fazer bem o b√°sico.

E posso dizer que o chef conseguiu surpreender. A sopa e o molho de carne de panela do nhoque estavam excelentes. O maior m√©rito de Schambeck √© n√£o ter receio de temperar a comida. De fato, confia tanto em seu gosto que nem mesmo h√° queijo ralado extra, sal ou pimenta na mesa. Faz bem em confiar, porque tem bom gosto. Se d√° para reclamar de alguma coisa, √© que a sopa talvez pudesse ter um tiquinho menos de pimenta. Nada que prejudicasse. Para a sobremesa, pedi tiramis√ļ (R$ 5), seguindo a mesma linha de racioc√≠nio de testar o b√°sico. A√≠, outra surpresa: o doce italiano que sofre tanto vilip√™ndio no Brasil estava perfeito, numa por√ß√£o individual em ta√ßa com mascarpone de verdade por cima e bastante Amaretto no fundo.

O Barbiere tamb√©m oferece v√°rias op√ß√Ķes de sandu√≠ches, calzones e quiches interessantes e um bom caf√© espresso. O atendimento √© simp√°tico e o pr√≥prio Schambeck leva a comida √† mesa em alguns momentos, aproveitando para perguntar a opini√£o dos clientes.

CAFF√ą DEL BARBIERE – Mapa
Rua Jer√īnimo Coelho, 188
51 3019-4202

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