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La Caceria

Durante o feriado de Páscoa na Serra Gaúcha, fomos jantar num dos restaurantes mais famosos de Gramado e certamente um dos mais requintados: o La Caceria, nas dependências do hotel Casa da Montanha — cuja diária mais barata está em torno dos R$ 500, para vocês terem uma idéia. Adoro caças e sempre quis comer faisão; o La Caceria é um dos poucos lugares no Sul a servir esta ave.

O restaurante é belíssimo, decorado por armas, troféus de caça, objetos antigos e essa estátua bizarra de um cachorro. A equipe do salão é extremamente atenciosa e eficiente. A carta de vinhos oferece rótulos de vinícolas locais a preços razoáveis, de modo que a bebida não pode ter menos peso na conta dos não-enólogos e não-milionários. Infelizmente, a comida deixou a desejar.

O couvert (R$ 14) oferece alguns acepipes gostosos, como um raro Prätzel bem-feito e uma pasta de carne de porco defumada, envolta numa rodela de pimentão. As manteigas aromatizadas são razoáveis, mas as confundi com queijos e acabei comendo um tablete inteiro por engano. Há um refogado de cogumelos decente e trazem mais pães se você pedir.

IMG_7783Pedimos como entrada os figos da montanha (R$ 31), recheados com queijo de cabra local gratinado e presunto de Parma. Conforme a expectativa, a combinação se mostrou excelente. De fato, foi o melhor prato que comemos no La Caceria. Um dos motivos, provavelmente, é a Páscoa ser época de figos no Brasil e a região do pé da Serra Gaúcha ter plantações da fruta, garantindo o frescor.

Os pratos principais se mostraram bem menos excitantes. O faisão Mato Queimado (R$ 79), com champignons da região, arroz e brócolis, foi uma grande decepção. Em primeiro lugar, o arroz com brócolis foi um dos piores que já comi na vida. Pareceu estar guardado na geladeira havia uma semana e ter sido requentado com creme de leite no microondas. O chef de um restaurante dessa categoria deveria ter vergonha de servir aquilo. Aliás, teria gostado mais do arroz e brócolis separados.

Quanto ao faisão, embora eu jamais tenha comido um, achei nada faisandée — a prática de deixar a caça ao ar livre para apodrecer um pouquinho, o que lhe confere maciez e um sabor característico. Na verdade, não estava muito diferente de uma galinha caipira. Em retrospecto, fui um tanto ingênuo em pensar que serviriam faisão faisandée num Estado em que servem comida baiana sem pimenta. Ou não sei nada, estou falando um monte de bobagens, a ave ficou presa pela cabeça até o corpo se destacar do pescoço — comme il faut — e o sabor da oxidação é assim mesmo.

IMG_7788O outro prato principal foi a codorna Linha Moleque (R$ 73), receita do Emmanuel Bassoleil, que estava bem melhor. Especialmente os legumes do acompanhamento estavam bons, no ponto perfeito. Os dentes de alho caramelizados são um toque de mestre. O recheio da codorna, com foie-gras e trufas, achei um tanto grosseiro. Havia um sabor de conhaque, se não me falham as papilas, que se sobrepunha a todo o resto. O pássaro, no entanto, estava gostoso.

Pesando os altos e baixos, não faço a menor questão de repetir a experiência de comer no La Caceria. Também não me arrependo, porque sempre tive curiosidade de conhecer o local e agora posso riscá-lo da lista e ficar em paz comigo mesmo.

LA CACERIA
Av. Borges de Medeiros, 3166 – Mapa
54 3295-7575

Feliz Natal!

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Já que eu não consegui arranjar tempo de publicar algumas sugestões de receitas para o Natal aqui, fiquem com essa bela imagem do turgooduccochiqua. Trata-se de um ganso recheado com um peru recheado com uma galinha recheada com um pato recheado com um frango recheado com uma codorna. Juro que no ano que vem vou tentar fazer algo assim, nem que seja um mero perupatolinha.

Dica do Mojo, lá no O de sempre nunca.

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