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Urucum

Há grandes chances de que o Urucum seja o melhor restaurante na região de Garopaba, uma colônia litorânea gaúcha em Santa Catarina. A cozinha da pousada Solar Mirador produz excelentes risotos e pescados e o cliente ainda pode admirar uma das melhores vistas da Praia do Rosa de uma imensa plataforma, enquanto bebe um aperitivo e aguarda a comida. A pousada em si é também muito bonita.

Os pratos servem duas pessoas e custam em torno de R$ 80. Sugiro encomendar uma entrada e um prato principal para duas pessoas, ou dois pratos principais para uma mesa com três. Começamos com o risoto Ilha do Mel: lula, polvo, camarão, coentro, tomate, alho, suco de laranja e cachaça envelhecida. A primeira garfada foi uma surpresa. Não esperava, sinceramente, um risoto tão bom. É perfeitamente úmido e o sabor aciona todos os tipos de papilas gustativas.

Em seguida, veio o robalo assado em folha de bananeira com vinagrete de doce de goiaba e purê de ervilhas. Outro prato excelente. O robalo assado por 50 minutos dessa maneira retém um gosto marinho pronunciado — até pronunciado demais para mim. O peixe é acompanhado de fatias de batata doce assada, bem crocantes, salpicadas com urucum. Ficam ótimas embebidas no molho.

A carta de vinhos é pequena, mas há boas opções. Escolhemos o clarete espanhol Tremendus, da vinícola Honorio Rubio. É um vinho de cor salmão, cujo mosto de uvas garnacha e viura passa uma noite macerando antes de seguir adiante no processo de fermentação. Bastante leve, sem ser suave. Custou uns R$ 10 a mais do que o preço de R$ 45 nas importadoras, ou seja, o Urucum não ganha muito em cima dos vinhos.

Gostaríamos de ter pedido sobremesa, mas desistimos quando o garçom informou levarem meia hora para cozinhar um prato de frutas flambadas na cachaça ou banana flambada com sorvete de creme. O brownie levaria apenas dez minutos, mas era comum demais para valer a pena. Talvez estivessem demorando tanto nas sobremesas porque havia pouca gente no restaurante, ou porque fosse tarde, e fosse preciso começá-las do zero; ainda assim levar 30 minutos para flambar qualquer coisa parece mais um eufemismo para “por favor, vá embora, estamos querendo fechar”. Por outro lado, o atendimento é simpático e eficiente.

Se estiver aproveitando alguns dias na Praia do Rosa ou em Garopaba e quiser investir num bom jantar, vá ao Urucum. Fica aberto o ano todo. Você não vai se arrepender.

URUCUM
Estrada Geral da Praia do Rosa – Mapa
48 3355-7330 ou 3355-6144

Tainha na brasa

Tainha assadaUm dos restaurantes mais famosos de Garopaba, no litoral catarinense, é o Zanoni. O prato mais famoso do Zanoni é a tainha ou anchova assada na brasa. A beleza desse peixe é a simplicidade: apenas um bom braseiro, tempero quase indetectável e manteiga.

Conversando com o proprietário, descobrimos ser manteiga o segredo para deixar uma crosta crocante na tainha ou anchova. Outra dica é pedir ao peixeiro para cortar o peixe ao meio, abri-lo, de modo a acelerar e ao mesmo tempo homogeneizar o cozimento. Resolvi reproduzir em casa, com excelentes resultados.

Basta temperar a tainha com um pouco de sal e limão e levar à churrasqueira sobre o fogo alto, com a pele para baixo. Quando a pele tostar e começar a soltar da grelha, passe manteiga sobre a carne — gosto de usar um ramo de alecrim como pincel — e então virar. Assim que estiver tostado, está pronto. Cuide apenas para não deixar tempo demais na churrasqueira, ou a carne ficará seca.

Iaiá Bistrô

Iaiá BistrôDomingo passado almocei com a família no Iaiá Bistrô, um restaurante novo e extremamente agradável na Zona Sul de Porto Alegre. É especializado em culinária brasileira, privilegiando no cardápio os frutos do mar. Os carros-chefe são as moquecas e caldeiradas. É também o único lugar da capital a servir um prato com tucupi: uma releitura do ensopado de pato tradicional do Pará.

Não se anime demais, porém. Não foi dessa vez que Porto Alegre ganhou um restaurante de culinária brasileira comme il faut. O cardápio foi adequado ao paladar insosso do gaúcho para temperos — ainda que os chefs, o americano Loyd Martin e o paulistano Maurício Cupini, sejam de fora. Compreensível: restaurantes são negócios e portanto não podem se dar o luxo de agredir o gosto do público em geral. A proprietária, Daniela Craidy, certamente conhece o mercado, pois foi sócia-fundadora do Sanduíche Voador, um dos mais relevantes estabelecimentos na formação da cultura gastronômica porto-alegrense.

Iaiá BistrôOs pontos altos da refeição foram as entradas. O bolinho de peixe é perfeito. O bacalhauzinho a Gomes de Sá é igualmente ótimo. Os espetinhos de camarão com queijo coalho e abacaxi fazem o sujeito se sentir em uma praia de areia branca e mar esmeralda. Pedimos como pratos principais a caldeirada de frutos do mar e o bobó de camarão. Ambos muito competentes, peixes, moluscos e crustáceos no ponto correto, mas carecendo de um pouco mais de força nos temperos. Dá para subir um pouco mais a temperatura e ainda manter a clientela. Por outro lado, os chefs demonstram coragem ao servir caruru como acompanhamento. Quiabo é um modo quase certo de desagradar à metade dos comensais, logo de saída. (Eu gosto muito.)

O atendimento no Iaiá é simpático, bem como o ambiente. Há um deck ótimo para aproveitar o final de tarde da zona sul e o salão é bastante iluminado e arejado. O café é passado em uma cafeteira italiana e levado à mesa nela mesma — e é o melhor “espresso” desse tipo de cafeteira que já provei, talvez por ser do Café do Mercado. Abre de quarta a sexta-feira, das 19h às 22h, e aos sábados e domingos, das 12h às 0h. Uma refeição, com bebidas e café, custa cerca de R$ 50 por pessoa.

IAIÁ BISTRÔ
Rua Chavantes, 636 – Mapa
51 3222-0098

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