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Devolvam a minha alma

Em alguns meses entre São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, tornou-se flagrante a incompetência de estabelecimentos gaúchos em oferecer um mísero tipo de suco natural que seja em seus cardápios.

É uma situação simplesmente inaceitável. Tente pedir ums suco de laranja em qualquer café descolado de Porto Alegre, e provavelmente você vai ter como resposta alguma daquelas garrafinhas com pó de Tang mal batido. No último sábado, passando pelo Brique, questionei a atendente de um lugar desses sobre opções de sucos naturais, e ela respondeu: “temos várias polpas congeladas”.

O que passa pela cabeça dessa gente? Talvez o que alguns amigos paulistas me confidenciaram, ao pensar que não existia fruta alguma no Rio Grande do Sul, por causa do “frio que faz o ano todo” (aham). Podemos não ter nada mais que razoável, mas em qualquer Zaffari ou Nacional da vida dá para descolar pelo menos um mamão tragável. Ou sei lá: vá até a Lancheria do Parque e eles têm um monte de coisas para jogar naquele liquidificador que faz o tradicional suco misto, tosco ao extremo, mas que é uma das únicas opções em toda a capital.

Gosto muito dos smoothies daquele Saúde no Copo, mas o preço bastante salgado a proximidade excessiva com o conceito da Havaianas da Adidas me despertam saudosismo em relação ao suco de melancia encontrado em qualquer biboca a partir da região sudeste.

Por conta disso, espero obter apoio à campanha Vão à CEASA e comprem um liquidificador, seus malditos. Pela morte do Minute Maid, Del Valle, polpas congeladas de tangerina e os famigerados “laranja de garrafinha”, feitos com gelatina derretida ou coisa que o valha.

Chinelagem em São Paulo

Muito tempo atrás eu escrevi um “guia” gastronômico/cultural para o Centro Velho de Porto Alegre que, provavelmente, já não tem a menor validade. Aqui vai um guia chinelo gastronômico para a terra das gordinhas, ops, garoa.

1 – Pingüim. Lanche com generosa porção de lingüiça calabresa, ovo, alface, muito tomate e muito salame italiano. Servido no pão francês, excelente para forrar o pandulho antes de uma Itaipava. Chivito de Oro, Heitor Penteado próximo ao Metrô Vila Madalena. Cinco parangos por alma.

2 – Mega Beirute. Para duas pessoas ou para qualquer pessoa com mais de 140 kg. Diversos sabores, é, certamente, o beirute mais gostoso de São Paulo. O de champignon é especialmente TASTY. Sempre vou na loja da Doutor Arnaldo, mas há mais duas na cidade. De quinze a vinte pilas (dá para duas pessoas normais).

3 – Dogão do Black Dog. Não é barato para um dogão, mas é o masterfuckerninja dos dogões. Na Joaquim Eugênio de Lima, entre a Paulista e a Alameda Santos. De cinco a doze pilas por cabeça.

4 – Pastel de feira. Em qualquer feira livre. Algumas banquinhas são conhecidas e perseguidas por seus admiradores cidade afora, mas os pastéis em todos os lugares onde comi na Capital são praticamente iguais. Todos bons, mas iguais. Meu guri de 8 anos de idade viciou em menos de 3 visitas. “Vamos comer pastel de feira, pai?”. O melhor pastel do Estado de São Paulo, so far, é o de uma bodeguinha na praça principal de Embu das Artes. Três pilas que valem um almoço delicioso. Nas feiras paulistanas, por menos de dois reais.

5 – Risoles. Em qualquer padaria os risoles, principalmente os de queijo, são excelentes. De um e cinqüenta a três reais, em média.

6 – Pão de queijo. Mineiro em São Paulo é uma praga tão disseminada quanto gaúcho. O melhor pão de queijo que comi por aqui até o momento foi o de uma padoca na Morgado de Mateus esquina Humberto Primo (I) na Vila Mariana. Tinha o tamanho de um punho de adulto fechado e pode ser recheado ou puro, conforme o gosto do freguês. Três pilas, na época em que freqüentava.

7 – Real strange stuff. No boteco Valadares, na Lapa (Vila Romana), pode-se encontrar qualquer tipo de bizarraria. De testículos de boi a rãs empanadas, de buchada de bode a lebre na cerveja. Cervejas muito geladas (e meio caras) e clima de boteco dazantiga. Preços variados.

8 – Tapioca - Atrás do centro acadêmico da ECA, ou na maioria da feiras livres. Apesar de não ser tão gostosa quanto a que se encontra no Rio de Janeiro, dá muito bem pro gasto. Entre um real e meio e três reais.

9 – Frutas secas e castanhas – Fim da avenida Cásper Líbero, próximo à Estação da Luz. Muito mais baratas (e, sim, pode conter até as próprias, vá por conta e risco) que em qualquer outro lugar na cidade. Um quilo de castanhas de caju sai por dez reais, por exemplo. Como todo gaúcho sabe (ou deveria) el fuego mata todo.

10 – Macarrão com molho de gergelim. Uma das coisas CRAPPY mais gostosas que descobrimos nos últimos dias. Quase todos os TRÊS restaurantes CHINESES da rua dos Estudantes, na Liberdade, oferecem o prato. De dez a quinze pilas por cabeça. Geralmente o CHINA-PAU avisa que ocidentais não gostam muito do quitute. Ignore o ADVISE e vá com fé.

11 – El Mariachi – Quilinho no meio-dia e “com música ao vivo” à noite. Comida mexicana tradicional mais gostosa que as que servem na cidade do México. O que não servem e só tem na terra do Chapolim: Carnitas, mole e mole verde. O resto tem. Esse é mais caro, e dá uns trinta reais por cabeça à noite. Mas a chinelagem é total.

12 – Tábuas de salvação na madrugada, Zona Oeste e Centro – Habib’s da Augusta, quase esquina Alameda Santos (manjadíssimo), GMaburguinho (acho que é esse o nome) na Angélica, uma quadra acima do Pão de Açúcar, (excelentes hambúrgueres) e botecos da Maria Antônia (para terminar de se embebedar sem entrar no cheque especial).

Faltou dizer que o beirute do item 3 é do Toninho e Freitas, na Doutor Arnaldo, perto do portão principal do cemitério do Araxá.

As melhores refeições da minha vida – 2

Outra ocasião que ficou marcada em minha memória gastronômica foi um jantar no restaurante Jun Sakamoto. Não apenas é insuperável em termos de sushi, como talvez tenha sido a comida mais bem feita que já provei em qualquer categoria. Claro que a companhia de uma pessoa querida ajudou bastante para tornar tudo ainda mais gostoso. Abaixo, reproduzo uma coluna publicada no finado Semana 3 sobre a experiência.

Como já devem ter percebido, a série “melhores refeições” não segue uma ordem decrescente de importância. Aliás, não segue ordem alguma. Leia o primeiro texto.

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