Category: bares

Dometila

A maior qualidade do caf√© Dometila, um lugar extremamente agrad√°vel de frente para a pra√ßa Maur√≠cio Cardoso, no Moinhos de Vento, √© o propriet√°rio, Claiton. O sujeito leva a s√©rio o servi√ßo e a cozinha. N√£o √† toa, o Dometila √© chamado por algumas pessoas de “caf√© do Claiton”.

Claiton leva a s√©rio sua cozinha a ponto de mandar clientes que pedem para retirar e acrescentar ingredientes dos pratos irem comer no Subway, porque “l√° d√° para montar o sandu√≠che como quiser”. Quanto ao servi√ßo, basta dizer que os clientes s√£o recebidos com uma chuva de p√©talas de rosa e tratados sempre pelo nome. Quando o movimento permite, Claiton senta √† mesa para explicar com profus√£o de detalhes como √© cada sandu√≠che, torta ou quiche. O propriet√°rio tamb√©m tem uma intui√ß√£o bem certeira sobre o tipo de comida que cada cliente prefere. Em geral as pessoas escolhem a sugest√£o acompanhada de “voc√™ tem jeito de que vai preferir o seguinte…”. Vai ver, por outro lado, isso √© apenas efeito das descri√ß√Ķes saborosas dos pratos e caf√©s.

O melhor do Dometila é que a qualidade da comida e dos cafés está à altura do serviço e do ambiente. Tudo é belíssimo, e tudo é no mínimo bom. Como se não bastasse, os preços são os mesmos ou apenas marginalmente mais altos do que os de qualquer outro café de alta estirpe da cidade.

DOMETILA
Praça Maurício Cardoso, 49 РMapa
51 3346-1592

Nostalgia do pistache

N√£o existe um sorvete de pistache que preste em Porto Alegre. Hoje mais uma vez tentei encontrar o sorvete, na Troppo Buono. Mais uma vez, recebi algo com um sabor de perfume que vagamente lembra esse tipo de castanha. A consist√™ncia do produto da Troppo Buono √© √≥tima, e por tr√°s do ran√ßo de perfume franc√™s se v√™ que os ingredientes s√£o bons, mas o pistache deles √© deprimente como o de qualquer outra sorveteria — embora o morango seja √≥timo, com pouco leite e sabor de verdade da fruta.

Adorava o sorvete de pistache da saudosa Prawer, quando crian√ßa. Posso at√© estar enganado por anos de dist√Ęncia, mas n√£o lembro de nenhum gosto de perfume no pistache. Se algu√©m tiver uma indica√ß√£o de sorveteria que tenha resolvido esse problema, por favor deixe nos coment√°rios.

Café do Porto

Uma reuni√£o ontem me levou at√© o Caf√© do Porto, na rua Padre Chagas. Para quem n√£o mora em Porto Alegre, cabe informar que √© o eixo do jet-set local — e dos candidatos √† categoria, √© claro –, coalhado de bares e restaurantes dos mais variados tipos e qualidades. O Caf√© do Porto √© um dos pioneiros, est√° l√° h√° mais de dez anos, o que certamente n√£o ocorre √† toa.

Como era de se esperar, tudo é muito caro. O espresso sai por R$ 3, um pedaço ridículo de rolinho de goiabada custa cerca de R$ 7. Até aí, faz parte do jogo. O lugar é muito bonito e agradável, no bairro mais caro da cidade. De fato, tomar uma cerveja artesanal Helles numa tarde de sábado ensolarada (R$ 23 o garrafão de dois litros) vale abrir um pouco mais a carteira.

Não sei se o espresso vale o preço, mas o raviolone de vitelo com molho de funghi secchi (R$ 19) certamente poderia ser feito na hora, em vez de tristemente requentado. O tempero do recheio é até bastante bom, apimentado como raramente se vê em restaurantes porto-alegrenses, mas os cogumelos que um dia povoaram o molho são liquidificados, o que é um acinte. Considero o prato no máximo razoável.

No fim das contas, o Café do Porto em geral oferece um bom serviço e se esforça para servir comida de qualidade. Provavelmente é mesmo um dos melhores lugares da região. Alguém aí tem uma opinião sobre o café em si?

CAF√Č DO PORTO
Rua Padre Chagas, 293
Moinhos de Vento

Espumante Angheben na Champanharia

Aproveito a primeira visita √† Champanharia Ovelha Negra para falar da vin√≠cola Angheben, a mais interessante do Rio Grande do Sul — ao menos para quem n√£o entende nada de vinhos, como eu.

Neste inverno tomei pela primeira vez um de seus vinhos, cujos vinhedos ficam em Encruzilhada do Sul, no pé da serra, um pouco fora do eixo vinícola tradicional. A uva era touriga nacional, uma casta insólita no Brasil, que tem um sabor lembrando um pouco frutas mofadas (não, não tomei uma bebida estragada, posso garantir). Bastante diferente de qualquer outro vinho que já tenha experimentado. Virei fã e comprei uma garrafa de barbera, ainda não consumida.

Pois ent√£o, hoje cheguei √† Champanharia e descobri que a Angheben tamb√©m tem um espumante brut produzido pelo m√©todo champenoise. Estava em promo√ß√£o por R$ 50 a garrafa, um pre√ßo nada absurdo, cerca de R$ 10 a mais do que nas lojas. E o Angheben Brut √© excelente, compre se conseguir encontrar. √Č muito bom ver viticultores investindo em castas diferentes e bebidas de qualidade, para levar adiante a fama que os vinhos e, principalmente, os espumantes ga√ļchos amealharam nas √ļltimas d√©cadas.

Quanto √† Champanharia Ovelha Negra, o coment√°rio mais importante √© a justeza dos pre√ßos. Sempre tive um certo preconceito com o lugar, porque come√ßou a aparecer no guia da Veja e √© freq√ľentado por clientes oriundos da Padre Chagas, o que em geral significa pre√ßos altos por servi√ßo duvidoso. Gosto de beber, e espumante n√£o costuma ser a escolha mais econ√īmica para isso. Portanto, fiquei surpreso ao ver que os pre√ßos na Champanharia n√£o s√£o nada abusivos, pelo contr√°rio. Por outro lado, eles bem que poderiam n√£o cobrar 10%, ou ao menos avisar no card√°pio que o fazem.

No mais, a m√ļsica √© boa e n√£o atrapalha a conversa. A comida parece bem feita, embora n√£o tenha chegado a provar nada, e o gar√ßom sabe servir direito uma ta√ßa de espumante, que chega √† mesa na temperatura perfeita. Pode-se ver que os propriet√°rios levam bastante a s√©rio o objetivo da casa, que √© oferecer bebidas diferentes e de qualidade. S√≥ chegue cedo, porque a partir das 23:00 ningu√©m mais entra.

CHAMPANHARIA OVELHA NEGRA
Av. Duque de Caxias, 690
Centro
Telefone: 51 3061-7021

O melhor bar do mundo

Fica em Ubatuba. Est√°vamos cruzando a praia quando vimos aquela casinha na Rua Esteves da Silva. Muito branca, umas janelas em estilo colonial e os pratos descritos em quadro negro do lado de fora. Bardolino. “O chopp n√ļmero 1 da cidade.” Primeiro soou o alarme do bar caro, depois a sirene do foda-se-e-vamo-que-vamo. Entramos e logo em seguida forraram a mesa. Havia apenas um casal de meia idade sentado v√°rias mesas para l√°. O bar inteiro ao nosso dispor. Em cada mesa, um girassol verdadeiro em um vaso de garrafinha de perrier. Nas caixas, um Jo√£o Gilberto que ca√≠a muito bem com a brisa.

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Azeite alentejano no bolinho de bacalhau, regado a chope cremoso.

Demoramos uma eternidade e quase dois chopes para escolher. As entradas eram descritas como “tapas”, o que destaca ainda mais o bom gosto generalizado. Finalmente, me decidi por uma por√ß√£o de bolinhos de bacalhau (R$ 18, com oito). Carol tamb√©m relutou muito, mas acabou optando por um ravioli caseiro com recheio de ricota puxado na manteiga arom√°tica (R$ 25 o prato individual). Havia diversas op√ß√Ķes de frutos do mar, inclusive alguns pratos com lagosta, mas a prud√™ncia falou mais alto. Uma op√ß√£o para a pr√≥xima vez sem d√ļvida √© o hamb√ļrguer de cordeiro (R$ 18,50) e a feijoada (R$ 34,50, para dois).

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Ravioli caseiro com manjeric√£o fresco. No fundo, os bolinhos de bacalhau.

Pouco antes de servirem a entrada e o prato, colocaram na mesa uma garrafa de azeite portugu√™s do Alentejo e duas op√ß√Ķes de pimentas importadas. Comemos com apetite, del√≠cia e muitos chopes. No final, deu vontade de tomar uma Serramalte. Pedi apenas uma garrafa, mas, para minha admira√ß√£o, l√° veio o gar√ßom com um balde cheio de gelo. Irretoc√°vel, tanto a cozinha como o atendimento. Entendi um pouco melhor ao receber o cart√£o e saber que o Lino, do Bardolino, √© na verdade Brazelino Chiappetta Filho – parente, portanto, do pessoal do Emp√≥rio Chiappetta. Obrigat√≥rio numa visita a Ubatuba.

Infarto engarrafado

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Percebam todos os elementos malignos desta imagem. A manteiga dourada, mantida derretida em alta temperatura dentro da garrafa. A cacha√ßa, nem completamente branca nem muito amarela, no ponto entre o envelhecimento e o frescor. A pimenta vermelhinha, saborosa e ardente na medida. A carne seca bem desfiada, com pouca gordura, frita na cebola e acompanhada de aipim. Tudo isso na Adega da Velha, escondida em alguma travessa da Volunt√°rios da P√°tria, em Botafogo. O prato econ√īmico, que tamb√©m pode ser servido com carne de sol e uma infinidade de outros produtos nordestinos aut√™nticos, sai por justos R$ 10. Aprende, Saulo (rs).

Novela do Manoel Carlos

Quase me custou uma queimadura de sol, mas depois de rodar muito pelas ruas do Leblon e Ipanema, achei o que procurava para o almoço: um bar que tivesse comidas de boteco, como pastel e bolinho de bacalhau, e que aparentasse alguma qualidade e assepsia.
Pois o tal que achei leva na fachada os dizeres Espelunca Chic. Como sugere o nome, o lugar combina card√°pio de boteco (ainda que tamb√©m tenha op√ß√Ķes mais elaboradas de petiscos) com ambiente de restaurante (ainda que a aura de bar e as mesas na cal√ßada tamb√©m estejam l√°).
Optamos por uma porção de carne de sol com cebola, acompanhada de aipim frito, farofa e manteiga derretida. Para dar o toque final, molho de pimenta e muito azeite de oliva. Resultado: duas pessoas alimentadas a um custo condizente com a proposta e a localização do estabelecimento: R$ 23,00*.

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Espelunca Chic
Rua Maria Quitéria, 46
Ipanema – Zona Sul – 2247-8609
Rio de Janeiro

*valor do prato apenas.

Café massificado

A Starbucks vem a√≠. Nos Estados Unidos, critica-se a rede por tirar do neg√≥cio os caf√©s de bairro, independentes e supostamente mais charmosos, por n√£o terem um car√°ter pasteurizado t√≠pico das grandes redes de alimenta√ß√£o. Aqui no Brasil essa preocupa√ß√£o √© in√ļtil, j√° que nunca houve tradi√ß√£o de caf√©s. As lojas da rede talvez sejam at√© uma solu√ß√£o para aquelas redondezas onde n√£o se consegue um espresso decente. Isso porque, assim como o McDonald’s, a Starbucks pode n√£o ter charme algum, mas prepara um caf√© muito bom.

Cálculo sobre Qualidade de Serviço em Bingos

Sentado no Golden Bingo de Porto Alegre, fiz uma descoberta impressionante: a probabilidade de se fazer bingo ap√≥s quinze n√ļmeros serem cantados √© a mesma do gar√ßom trazer sua bebida em menos de vinte minutos: 0,00000000000000218361236647819%. A probabilidade dele acertar o pedido quando o traz, curiosamente, √© a mesma de se fazer linha com cinco n√ļmeros cantados: 0,00000682605225643348%. √Č um pouco maior, mas h√° menos vari√°veis, o que favorece o cliente/jogador.

O menu aconselha os jogadores a não dar gorjetas. Se estivéssemos em um país onde existe o costume de se dar gorjetas, eu acreditaria que há uma correlação entre os fatos acima.

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