Category: produtos

Peru 2.0

Como o Dia de Ação de Graças americano está chegando, a Wired publicou uma boa reportagem sobre como produtos tradicionais do feriado — peru, milho, batata — mudaram com o passar dos anos. Algumas informações são aterroradoras (consumo de açúcares: crescimento de mais de 10.000% nos últimos quatro séculos), mas a reportagem em si é equilibrada.

A causa da maioria das mudanças é genética. A reportagem, sabiamente, sequer cita a palavra “hormônios”, e em dado momento cita um experimento em que dois grupos de perus, um grupo controle representativo do que os bichos eram antigamente, outro grupo que é o que comemos hoje, foram alimentados com a dieta antiga. O resultado não supreende quem não tem ilusões sobre a força da engenharia genética.

Lingüiça de avestruz

Em São Paulo está no mercado uma lingüiça de avestruz produzida pela fábrica de conservas Duas Lagoas, sob o rótulo Premium Meats. Um dos pontos de venda é a padaria Bella Paulista. A embalagem é atraente: vem num tubo de papelão com um selo de “processo artesanal”. A idéia de embutidos com carnes exóticas — aliás, qualquer coisa com carnes exóticas — também é sedutora. Comprei a variedade “curada com alho”, por cerca de R$ 15 a peça de uns 20 centímetros. Resultado da degustação: a experiência se assemelhou bastante ao que imagino seja mascar borracha salgada. Fique longe.

Feijões favica

Feijões favicaHá algum tempo vejo no Mercado Público os feijões da foto ao lado, chamados lá de feijão favica. Os grãos têm cerca de três centímetros de comprimento e são bem achatados, malhados de preto ou vermelho.

Segundo a vendedora, podem ser usados em saladas ou em sopas. Clicando na foto, você pode ver o resultado da fasulata que realizeicom eles. Uma surpresa não muito boa foi ver que eles perdem bastante pigmento ao ser cozidos, o que deixou a sopa meio arroxeada. Talvez a variedade vermelha seja mais indicada para esse tipo de preparação. O sabor desses feijões é muito bom.

Gostaria de saber de onde vêm, se são nativos aqui do Sul ou o quê. O Google não ajudou. Alguém?

Padaria Carina Barlett

Neste domingo experimentei meio sem querer os pães de Carina Barlett, nome da boulangerie — nome fresco para padaria — que se mudou recentemente de um espacinho na Barros Cassal para uma bela loja na esquina das ruas João Telles e Vasco da Gama. Todos os supermercados de Porto Alegre estavam fechados graças ao dia dos pais e precisava receber amigos em casa. Após buscar diversos mercadinhos e encontrá-los também fechados, arrisquei a padaria e dei sorte.

Comprei uma baguete, um pão tipo rústico, pão de batata, pão de moranga, pão sueco e o que se chamava notre-dame, mas pela descrição do Lüdtke parece que o atendente se enganou, porque tratava-se de um pão de farinha integral com umas fatiazinhas de maçã no topo. Todos esses custam até R$ 4 a peça. Todos muito bons, especialmente o suposto notre-dame, o sueco e o rústico, em minha opinião.

Se algo falta na capital, são mais padarias boas como essa. Com raras exceções, o pão daqui tem uma produção absolutamente tosca. Os cacetinhos não têm miolo, os integrais se esfacelam durante o corte, os italianos dos supermercados são borrachudos.

CARINA BARLETT BOULANGERIE
Rua Jọo Telles, 237 РMapa
51 3222-7878

Más notícias para quem come banana…

… no NYT. As notícias estão no NYT, não os comedores de banana. Suponho que pessoas comam banana no NYT, mas as notícias não atingem apenas eles.

Genérico de Coffee Coke

classic_impact_blog.jpgA New Age Bebidas lançou um refrigerante de cola com café no Brasil. Ao ver as garrafas no supermercado, fiquei imediatamente animado, como todo bom viciado na água negra da vida. Infelizmente, o refrigerante acabou ficando doce demais e o sabor tende mais para o caramelo do que para o café e deixa um travo ruim na boca. Desse jeito, não vai agradar nem aos amantes de café, nem aos amantes de Coca-Cola. Lamentável. Continuo querendo provar a Coca-Cola Blak.

Foto surrupiada do Mentes Ociosas.

Será que a alfândega deixa passar?

A britânica Edible é uma loja especializada em vender produtos alimentícios bizarros, desde salgadinho de formiga e curry de crocodilo até café fermentadoa no sistema digestivo de gatos da algália. Para quem gosta de experiências gastronômicas fortes.

Enfim, se algum leitor aí estiver morredo de vontade de me presentear, considere qualquer produto dessa loja uma boa opção — exceto os afrodisíacos e remédios, obrigado.

Nostalgia do pistache

Não existe um sorvete de pistache que preste em Porto Alegre. Hoje mais uma vez tentei encontrar o sorvete, na Troppo Buono. Mais uma vez, recebi algo com um sabor de perfume que vagamente lembra esse tipo de castanha. A consistência do produto da Troppo Buono é ótima, e por trás do ranço de perfume francês se vê que os ingredientes são bons, mas o pistache deles é deprimente como o de qualquer outra sorveteria — embora o morango seja ótimo, com pouco leite e sabor de verdade da fruta.

Adorava o sorvete de pistache da saudosa Prawer, quando criança. Posso até estar enganado por anos de distância, mas não lembro de nenhum gosto de perfume no pistache. Se alguém tiver uma indicação de sorveteria que tenha resolvido esse problema, por favor deixe nos comentários.

“Fuck Grapefruit”

fuck_grapefruit.png

Do xkcd.

Cuca integral sem gosto de remédio

Apareceu recentemente nos supermercados Zaffari de Porto Alegre a cuca integral da Alimentaria, cuja grande qualidade é não ter gosto de alimento integral. O grande problema dos produtos saudáveis é o sujeito ter consciência de estar comendo um alimento funcional a cada mordida. Dá a impressão de que ascese gustativa faz parte de uma vida com saúde. A cuca integral da Alimentaria não apenas evita esse defeito, como é muito boa mesmo se você não estiver interessado em ingerir mais fibras e sais minerais. O único problema é, como todo alimento integral, ser mais cara que suas contrapartes: custa R$ 6,50 a unidade de meio quilo.

WordPress Themes