Category: Petiscos

Paraíso dos celíacos

Empada de calabresaUma dica para os celíacos é o Café Terraço, na Cidade Baixa de Porto Alegre. O casal de proprietários decidiu investir na criação de salgados e doces, principalmente bolos, sem o uso de farinhas que contenham glúten. Também produzem salgados e doces sem derivados do leite, para os intolerantes à lactose. E o melhor de tudo: é tudo muito bom.

O Café Terraço também serve a clientela sem restrições alimentares. A empada de massa podre recheada com calabresa e Catupiry, na foto, é muito, muito leve . É um dos poucos lugares de Porto Alegre a servir o bolo de rolo com goiabada tradicional do Nordeste — ainda mais a um preço justo, R$ 3,50 a fatia. O bolo de macaxeira com coco também merece atenção.

O único problema do lugar é não ser exatamente agradável para sentar-se e tomar um café. O foco é mais nas encomendas. A não ser que você consiga uma mesa no terraço que dá nome ao estabelecimento, que não acomoda muita gente.

CAFÉ TERRAÇO
Rua Lopo Gon̤alves, 39 РMapa
51 3028-4795 ou 51 8437-4852

Amendoim torrado com mel

Amendoim torrado com melAmendoim torrado é um clássico acompanhante da cerveja. Em geral não gosto da idéia de mexer em time que está ganhando, mas por outro lado gosto muito do amendoim Planter’s. Então esses dias resolvi emulá-lo em casa. É uma alternativa aos petiscos tradicionais, para dar aquele gostinho diferente à cervejada de final de semana. O sabor não ficou o mesmo do original, mas ainda assim a receita funciona bem.

A primeira coisa a fazer é tentar encontrar amendoins previamente descascados. Sério. Eu tentei tirar as casquinhas à mão e, depois de quase uma hora, quando meus dedos estavam já doendo, tinha produzido apenas 200 gramas de castanhas peladas. Se ainda assim você quiser se arriscar, sugiro levar ao menos por uns cinco minutos ao forno, para soltar as cascas.

O resto do processo é simples. Derreta duas colheres de sopa de manteiga e duas colheres de sopa de mel para cada meio quilo de amendoim. Misture os dois ingredientes em uma pasta numa tigela e depois acrescente as castanhas. Mexa e remexa, até que todas elas estejam cobertas. Disponha em uma forma, espalhe sal por cima e torre por cerca de 20 minutos à temperatura de 100ºC. Abra o forno e revolva os amendoins de vez em quando.

O toque final é salpicar tudo com sal, para destacar o gosto do mel. Se quiser, salpique também com açúcar, o que ressalta ainda mais os sabores.

Antepasto ítalo-teuto-brasileiro

foto por sabrina fonsecaUm dos meus antipasti favoritos é a caponata. Trata-se de um refogado de berinjelas com tomates puxado no alho e no pimentão, temperado no mais das vezes com alcaparras e filezinhos de anchova. Há algumas variações, que podem incluir ou não doses generosas de vinagre, a desidratação da leguminosa antes do preparo, ou uvas-passas brancas. Minha mãe, brasileira de origem germânica, adaptou a receita que divido com os leitores logo abaixo.

O nome caponata pode enganar o lingüista mais afoito. Sugere logo ter algo a ver com capo, o nome dado aos chefões mafiosos. A popularidade do aperitivo na Sicília só reforça a tese oriunda do senso comum. Mas o historiador da culinária mediterrânea Clifford A. Wright posiciona o berço da receita na Catalunha.

Para ele, o nome vem do catalão capón de galera, nome de um gazpacho — muito parecido com a caponata — servido a bordo de navios espanhóis. O vinagre age como conservante, tornando-o um alimento conveniente em alto mar. Outra possibilidade citada por Wright é a receita ter origem na palavra latina caupo [taverna], onde a cauponae [ou "comida de boteco para viajantes"] era servida.

Seja como for, a caponata acabou chegando à Sicília e certamente o capo dei capi em pessoa é um fã.

A verdadeira caponata leva, como dissemos, vinagre e ainda muito sal, tornando-a bastante azeda. Minha mãe odeia coisas azedas e certa vez ficou sabendo que era possível adaptar a receita e usar menos destes ingredientes, o que a deixa bem mais suave ? embora um siciliano pudesse discutir se continua ou não sendo caponata. Como não pretendo ser perseguido por uma Mercedes negra toda vez que sair de casa, passarei a chamá-la de

Tira-gosto de berinjelas à Cristina Ruschel

  • 4 berinjelas médias
  • 2 pimentões vermelhos ou amarelos
  • 1 cabeça de alho (no mínimo)
  • Entre 50 e 100g de uvas-passas brancas
  • 1 vidro de azeitona em conserva fatiada
  • Azeite de oliva extra virgem
  • Aceto balsâmico
  • Orégano
  • Aji-no-moto
  • Sal

Descasque as berinjelas e corte-as em fatias finas na forma de meia lua. Corte os pimentões em tirinhas. Fatie o alho, bem fininho. Escolha uma panela com mais de 30 centímetros de diâmetro. Cubra o fundo com o azeite, em uma porção bem generosa. Refogue o alho, tomando muito cuidado para não queimar. Acrescente as berinjelas, mexa bem e deixe cozinhar por alguns minutos.

Se suas fatias de pimentão tiverem mais de 4 milímetros, coloque-as na panela assim que a berinjela começar a escurecer. Caso sejam mais finas, espere elas cozinharem mais, ou o pimentão desaparecerá, causando prejuízos ao aspecto do prato. Acrescente orégano a gosto, mas não menos de 3 colheres de sopa, e pelo menos uma colher de sopa de aji-no-moto. Jogue também uma colher de sopa de aceto balsâmico. Não deixe de mexer freqüentemente.

Caso o cozido comece a secar, use um pouco da água das azeitonas. Quando as berinjelas tiverem se tornado uma pasta, é o momento de adicionar as azeitonas, junto com a água da conserva e as uvas-passas. Desligue o fogo e deixe a panela tampada, abafando a caponata, até que esfrie. Então prove novamente e acrescente sal e orégano, se achar necessário. Depois guarde a conserva em potes de vidro, de preferência com boca larga, e cubra com um dedo de azeite, para evitar oxidação e fungos. À medida em que for usando, é recomendável manter o nível do azeite. Leve à geladeira.

A caponata pode ser comida pura, como acompanhamento, ou servida na forma de antepasto, com pão branco. A melhor combinação seria um pão italiano bem fresquinho.

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