Category: restaurantes

The Raven

O The Raven é, provavelmente, um dos melhores restaurantes em operação em Porto Alegre.

Agora que o prezado leitor se recuperou da afirma√ß√£o bomb√°stica acima e terminou de questionar as minhas credenciais — ali√°s, inexistentes — de cr√≠tico gastron√īmico, deixe-me explicar. √Č verdade, o card√°pio do The Raven n√£o apenas n√£o tem inova√ß√£o alguma em ingredientes ou processos, como beira o reacionarismo culin√°rio. O ambiente lembra mais um Biergarten do que um restaurante franc√™s cl√°ssico. A lou√ßa √© ordin√°ria e h√° o m√≠nimo de gar√ßons poss√≠vel para atender √†s mesas encostadas uma na outra de maneira a preencher o sal√£o ao m√°ximo. Ent√£o, o que eu vi no The Raven?

Uma das melhores rela√ß√Ķes custo/benef√≠cio da capital ga√ļcha, aliada a total franqueza a respeito dos objetivos do lugar. O The Raven parece se pretender uma porta de entrada ao mundo da alta gastronomia para os leigos, a pre√ßos baixos o suficiente para transmitir uma aura de seguran√ßa na experi√™ncia, e entrega exatamente isso. Tem fil√© Rossini, com foie-gras, a R$ 59. Vieiras com caviar a R$ 32. Carta de vinhos enxuta, mas razo√°vel. Quase os mesmos pre√ßos de um prato de arroz de carreteiro ou maminha recheada vendido na concorr√™ncia imediata do bairro. √Č um convite a quem tem medo de investir centenas de reais em provar coisas novas nos franco-italianos chiques de Porto Alegre.

No dia em que jantamos l√°, um s√°bado, chegamos por volta das 22h, prevendo uma fila invi√°vel. Havia uma fila, realmente, mas como √©ramos apenas dois levou menos de 15 minutos para vagar uma mesa. O lugar estava completamente lotado de fam√≠lias comemorando anivers√°rio, mas sem crian√ßas, e alguns poucos casais na faixa dos 20-30 anos. Pretend√≠amos pedir as vieiras flambadas na vodca com caviar, mas a gar√ßonete ofereceu escargots “que chegaram hoje mesmo”, ent√£o decidimos deixar as vieiras, fixas no card√°pio, para outra ocasi√£o. A entrada previa quatro escargots a R$ 32, mas recebemos cinco carac√≥is. S√≥ h√° talheres comuns no The Raven, daqueles bem simples, mas a equipe percebeu a nossa dificuldade para puxar as lesmas da casca e trouxe garfinhos de coquetel feitos de madeira.

O restaurante √© um dos poucos a oferecer o fenomenal vinho tannat H. Stagnari Premier, uruguaio, ent√£o pedimos uma garrafa (R$ 72). Casaria bem com o confit de pato com pur√™ de batatas e ervilha torta (R$ 49) e o magret de pato com risoto de queijo de cabra. Fomos bebericando e a comida demorando. Quando come√ßava a pensar em perguntar ao gar√ßom qual era o problema, o chef veio √† mesa explicar que “n√£o estou gostando muito do magret”, da√≠ a demora, e saber por qual prato quer√≠amos trocar. Pedimos ent√£o a picanha de cordeiro com molho de frutas vermelhas e pur√™ de batatas com chocolate branco (R$ 48). O chef tamb√©m avisou que, devido √†s tribula√ß√Ķes, n√£o cobraria pelos escargots da entrada. N√£o se trata de um excelente servi√ßo? Para a sobremesa, encomendamos um zabaglione (R$ 18) e um semifreddo de pistache (R$ 16).

Tudo estava, no m√≠nimo, competente, exceto pelo semifreddo, que chegou √† mesa ainda muito congelado — mas era o final da noite de um dia de casa cheia. O confit estava macio, mas crocante por fora. O pur√™ com ervilha torta, embora pare√ßa trivial, foi um dos pontos altos da refei√ß√£o. O cordeiro n√£o foi torrado, como √© o costume ga√ļcho, mas chegou √† mesa rosadinho. O pur√™ com chocolate branco, se n√£o √© algo a se comer todo dia, vale o experimento. Os escargots estavam consistentes, com a dose certa de alho e o saborzinho de terra, caracter√≠stico da salsinha, ao fundo. O zabaglione sem supresas e o creme de chocolate do semifreddo muito superior a, por exemplo, o molho da Torta de Sorvete, que ocupa a mesma faixa de pre√ßo noutros locais.

Em resumo, o The Raven oferece pratos cl√°ssicos com qualidade e √≥timo servi√ßo, sem frescuras e a pre√ßos semelhantes ou muito pouco superiores aos de restaurantes cujos card√°pios s√£o triviais metidos a besta. O chef √© honesto ao servir pratos reconhec√≠veis por qualquer um como refer√™ncia gastron√īmica — ainda que quase pr√©-moderna — executados com genu√≠na aten√ß√£o √† qualidade. Boa comida, sem frescura. √Č um lugar ao qual pretendo voltar, quando bater o peri√≥dico cansa√ßo das novidades contempor√Ęneas.

The Raven

Rua Sarmento Leite, 969 – Mapa
51 3072-2882

MoDi

Numa viagem recente a S√£o Paulo, aproveitei um domingo de garoa para almo√ßar com amigos no MoDi, bistr√ī da moda em frente ao parque Buenos Aires. √Č recomendado por oferecer boa comida a pre√ßos razo√°veis numa cidade de pre√ßos frequentemente irracionais. O propriet√°rio-gerente n√£o estava no local no dia, ent√£o n√£o foi poss√≠vel verificar se o nome remete ao artista pl√°stico Modigliani, mas o fato de haver um coquetel com seu nome no card√°pio √© uma evid√™ncia em favor da teoria.

A perspectiva √© primordialmente italiana. H√° massas, assados de cordeiro, risotos, focaccias e caponatas. H√° no menu sempre um prato do dia, que varia conforme o dia da semana. No final de semana, pode-se encomendar qualquer um dos pratos do dia da semana anterior, que costumam ser um pouco mais baratos. Al√©m disso, remetem a uma culin√°ria mais popular, caseira, usando mi√ļdos frequentemente.

Entrada de borsch frio com massa recheada de queijo de cabra.

Dispensamos o couvert e pedimos coquet√©is para abrir o apetite, j√° que cheg√°ramos ao local antes de o caf√© da manh√£ abrir espa√ßo para o almo√ßo. Poucos minutos depois de sentarmos, cerca de 12:05, come√ßou a se formar uma fila de espera. Ap√≥s uma espera longa o suficiente para ser sentida, a gar√ßonete veio informar que n√£o havia os ingredientes necess√°rios para os coquet√©is solicitados. Para um martini “sujo”, faltava polvo em conserva, para a mistura que, salvo engano, se chamava Modigliani, faltava poejo ou alguma erva do tipo — estava sem meu caderno de anota√ß√Ķes e, quando tenho companhia, evito anotar no telefone.

De fato, o atendimento estava inseguro no dia. Primeiro, não sabiam da falta de ingredientes para os coquetéis e demoraram a retornar para refazer o pedido. Depois, ao explicar a natureza do orzotto, o garçom afirmou que poderia ser preparado com ossobuco; feito o pedido, entretanto, retornou para dizer que só havia a versão com frutos do mar no dia. No mais, tudo era demorado, embora o serviço estivesse apenas começando.

Orzotto de lula e camar√£o do MoDi.

A comida, porém, estava boa. Após um coquetel de caju bastante forte e relativamente seco, chegou a entrada: um cálice de borscht frio com ravióli de queijo de cabra. Sua consistência era cremosa e o sabor, suave, sem ser insípido. O prato principal foi o orzotto, ou risoto de cevada, com lula e camarão. Nunca havia provado essa versão do tradicional risoto, que é, de fato, bastante interessante. A cevada cozida é mais consistente do que o arroz, sem ser dura, e tem um sabor um pouco mais denso, selvagem. A lula e o camarão vieram com uma consistência adequada e bom tempero.

Para a sobremesa, escolhi o cheesecake de queijo de cabra, excelente — mas apenas porque o canoli, assim como diversos outros √≠tens do card√°pio, estava em falta. O queijo de cabra √© bastante mais leve do que a vers√£o cl√°ssica com cream cheese ou ricota. Al√©m disso, a pung√™ncia do leite ovino equilibra ainda melhor o doce da geleia.

Cheesecake de queijo de cabra.

A conta resultou em cerca de R$ 100 por pessoa, incluindo bebidas e caf√©. √Č um valor razo√°vel pela qualidade da comida, mas o atendimento, ao menos neste dia, deixou a desejar. Por outro lado, embora tenhamos esperado um tanto pelos coquet√©is e pela comida, o ambiente √© extremamente agrad√°vel e tem vista para o parque, em especial se o cliente estiver sentado no mezanino. Vale a pena conhecer.

MoDi

Rua Alagoas, 475 ‚Äď Higien√≥polis (Mapa)
Telefone: 11 3564-7031

Xavier260

O Xavier260 é, muito possivelmente, o melhor restaurante de Porto Alegre no momento.

Volta e meia, um prato de comida servido na capital ga√ļcha me faz suspirar e pensar “uau!”. Todavia, n√£o me lembro de alguma refei√ß√£o na qual essa sensa√ß√£o mantivesse a consist√™ncia da entrada at√© o cafezinho. O menu do chef catal√£o Xavier Gamez que tive a oportunidade de provar era redondo, sem arestas. S√≥ alegria do in√≠cio ao fim.

Al√©m disso, h√° uma certa boa vontade acima da m√©dia do Xavier260 em rela√ß√£o aos clientes. √Č o √ļnico lugar da cidade, por exemplo, a servir √°gua gratuitamente — n√£o perguntei se era da torneira, mas havia op√ß√£o com g√°s, ent√£o suponho que n√£o. Outro sinal disso √© o fato de o chef conversar abertamente sobre as receitas quando vem √† mesa perguntar se tudo estava a contento. Gamez d√° quantidades, propor√ß√Ķes, tempos de preparo, fornecedores, sem se preocupar em manter segredos. √Č bem verdade que nem todo mundo tem um Thermomix ou um termocirculador em casa para reproduzir as receitas, mas, ainda assim, √© uma atitude simp√°tica.

O restaurante serve um menu confian√ßa renovado quinzenalmente, que custa R$ 130 por pessoa. O repasto come√ßou com um¬†Salmorejo amb gambes i alf√†brega (creme frio de p√£o com tomate, camar√Ķes e azeite de manjeric√£o), cujos camar√Ķes vieram no ponto certo e muito frescos, a sopa numa textura e temperatura perfeitas.

A seguir, uma releitura do Pop a la Gallega (polvo à galega), com o molusco trazido diretamente da Península Ibérica e servido sobre um purê de batatas de um produtor de São Francisco de Paula. O polvo estava crocante, saboroso, mas impressionou mesmo foi o purê, dotado de uma consistência inédita para mim. Questionando o chef, descobri que foi feito num Thermomix, usando apenas óleo de oliva para emulsionar. Comecei até a achar que pode valer a pena o preço obsceno cobrado por este aparelho.

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Bacalhau com alho-e-óleo de goiabada (Divulgação)

O segundo prato foi um Bacallà amb allioli de goibada, ou lombo de bacalhau da Noruega com alho-e-óleo de goiabada, purê de grão de bico e couve manteiga frita em imersão. O peixe é cozido sous-vide num termocirculador, mantendo o sabor característico do bacalhau, mas com muito mais umidade. Em vez de desfiar, ele solta-se em lascas, como um peixe fresco. Infelizmente, só descobri o alho-e-óleo ao chegar ao final do pedaço de peixe, porque combinava muito bem. A couve e o purê de grão de bico estavam muito bons, mas não há nada digno de nota a dizer.

Para a sobremesa, Escuma de crema catalana, uma releitura do creme catal√£o, que por sua vez √© a receita inspiradora do cr√®me br√Ľl√©e. Na vers√£o do Xavier260, trata-se de uma emuls√£o com uma explos√£o de sabores de laranja, canela e outras especiarias. Vem acompanhado de uma teia de caramelo — n√£o lembro o nome correto desse tipo de decora√ß√£o e as ferramentas de buscas n√£o ajudaram — que d√° o toque queimado ao creme.

O caf√© Nespresso est√° inclu√≠do no jantar e o cliente pode optar por ristretto, normal ou descafeinado. Uma atra√ß√£o √† parte √© ¬†a folha de chocolate com erva-mate que acompanham o cafezinho. O chocolate belga Kaebisch √© infusionado com erva-mate e depois moldado numa folha de √ćlex paraguaiensis mesmo, tomando a sua forma. Xavier comentou que, para ele, foi √≥bvia a conex√£o entre os dois ingredientes, uma vez que na Europa √© comum se infusionar o chocolate com ch√° e a erva-mate √© o ch√° guarani. Talvez para um estrangeiro seja mais f√°cil enxergar usos incomuns para os ingredientes t√£o carregados de tradi√ß√£o.

Uma cr√≠tica a ser feita √© que o vinho mais barato na carta custa R$ 75, mas ao menos √© um bom vinho. Por outro lado, a √°gua √© gratuita, ent√£o a economia nesse quesito termina por compensar o gasto acima do esperado com a bebida alco√≥lica — e sempre h√° a alternativa de ficar apenas na √°gua, ainda mais em tempos de Lei Seca. O servi√ßo √© atencioso, mas o gar√ßom n√£o soube explicar com seguran√ßa a diferen√ßa entre um e outro r√≥tulo de vinho da carta, quando fiquei em d√ļvida entre dois deles, e conta hist√≥rias sobre os pratos e o restaurante que, embora interessantes, √†s vezes acabam por se tornar um pouco invasivas. Nada grave.

N√£o se deixe espantar com o fato de Xavier Gamez se dizer disc√≠pulo da cozinha molecular. As t√©cnicas disseminadas pelo catal√£o Ferran Adri√† s√£o aplicadas parcimoniosamente no Xavier260 e n√£o servem como ve√≠culo de exibicionismo ou objeto de fetichismo. O resultado √© uma fus√£o harm√īnica dos sabores da Catalunha com os ingredientes locais.

Xavier260

Rua Auxiliadora, 260 — Mapa
51 3273-0551

O Tigre Asi√°tico da Praia do Rosa

O restaurante Tigre Asiático ocupa hoje a lacuna deixada pelo Koh Pee Pee na Praia do Rosa, quando o pioneiro da culinária tailandesa no Sul se mudou para Porto Alegre. Infelizmente, o substituto não parece carregar a tocha com a mesma competência.

Não que a comida do Tigre Asiático seja ruim. Pelo contrário: todos os pratos que provamos estavam muito bem executados. O pad talay (lulas ao alho e óleo com especiarias) da entrada, por exemplo, apresentaram talvez a melhor consistência deste molusco que já encontrei em restaurantes. Estavam al dente.

Tampouco tenho reclama√ß√Ķes quanto ao prato principal de polvo com quatro pimentas (koh sa mui), outra carne dif√≠cil que foi cozida no ponto perfeito pela equipe do Tigre Asi√°tico. Em ambos os casos, os molhos estavam √≥timos.

Minha companhia pediu como prato principal um pad thay, talvez a receita mais conhecida da Tail√Ęndia. Tamb√©m neste caso, os legumes vieram no ponto perfeito, assim como o macarr√£o de arroz, e o sabor poderia figurar como padr√£o m√©trico de pad thay.

As sobremesas foram pepper chocolat um brownie com sorvete e calda de pimenta e damasco fresh, um sorvete de frutas ex√≥ticas com calda de damasco e am√™ndoas. De novo, o brownie era uma reprodu√ß√£o perfeita do c√Ęnone.

O sorvete da outra sobremesa parecia levar maracuj√° e talvez alguma outra fruta amarela, como manga. A calda doce, mas c√≠trica, com gengibre, dava um bom contraponto, ainda mais com l√Ęminas de damasco gelado salpicadas sobre o sorvete.

A sobremesa com damascos foi a primeira surpresa da noite e esse √© o principal defeito do Tigre Asi√°tico: tudo √© executado de acordo com o c√Ęnone, o que resulta em uma refei√ß√£o perfeitamente satisfat√≥ria, mas apenas isso.

Lembro da ocasi√£o em que comi um menu degusta√ß√£o no Koh Pee Pee e tive uma epifania ao provar a entrada de vieiras em molho de a√ß√ļcar de palma com lim√£o. Ali estava um forte candidato a melhor prato da minha vida! Outros pratos do menu, entretanto, deixavam a desejar.

A cozinha do Tigre Asiático é mais regular que a do Koh Pee Pee, para o bem e para o mal. Se não decepciona em momento algum, também não emociona. Recomendaria como um excelente primeiro encontro com a culinária tailandesa.

Noutros aspectos, o restaurante da Praia do Rosa n√£o brilha tanto. O card√°pio √© bastante breve, por exemplo. H√° apenas tr√™s tipos de entradas, sendo uma delas varia√ß√£o da mesma receita com frango, lula ou camar√Ķes. H√° uma lista fixa e uma lista que varia conforme a esta√ß√£o. Os pratos de esta√ß√£o parecem ser os mais elaborados. O Tigre Asi√°tico tamb√©m oferece sushi e sashimi, mas pessoalmente preferiria que eles dedicassem essa energia a ampliar as op√ß√Ķes de comida tailandesa.

A carta de vinhos √© uma das piores que j√° vi. Todo freq√ľentador de restaurantes sabe que os pre√ßos da carta s√£o, em geral, ao menos o dobro do pre√ßo de varejo das bebidas. Todavia, a maior parte dos restaurantes toma o cuidado de n√£o oferecer muitos vinhos encontr√°veis no supermercado, pois isso facilita a compara√ß√£o de pre√ßos e causa ao cliente uma sensa√ß√£o desagrad√°vel de estar sendo logrado ao ser convidado a pagar mais de R$ 50 por um vinho chileno vagabundo que custa menos de R$ 20 no Zaffari. O √ļnico vinho acess√≠vel da carta que me era desconhecido, Dom√≠nio Vicari riesling, estava em falta no dia.

Outro defeito do Tigre Asiático é não oferecer estacionamento aos clientes, o que pode ser um problema muito sério na Praia do Rosa em determinadas épocas. Esse tipo de facilidade é o mínimo a se esperar de estabelecimentos que se pretendem de alto padrão.

No geral, a experiência de comer no Tigre Asiático compensa os preços de pratos principais na faixa entre R$ 40 e R$ 70. Uma refeição com entrada, sobremesa e vinho deve custar mais ou menos R$ 150 por pessoa.

Caso esteja na região da Praia do Rosa, porém, sugiro comer primeiro no Urucum e no Lua Marinha, antes de ir ao Tigre Asiático. Os preços são semelhantes e a proposta destes dois outros restaurantes é mais arrojada.

TIGRE ASI√ĀTICO
Centrinho do Rosa – Praia do Rosa — Mapa
48 3355-7045

Lua Marinha

Neste verão, conheci finalmente o restaurante Lua Marinha, um dos mais antigos e respeitados da Praia do Rosa, Santa Catarina. São famosos pelos pratos exóticos com frutos do mar e pela belíssima vista da lagoa de Ibiraquera, às margens da qual fica o estabelecimento.

Infelizmente, n√£o pudemos conferir o p√īr-do-sol na lagoa, porque, como voc√™s sabem, Tati e eu somos pais de uma menininha de sete meses e isso torna muito dif√≠cil sair de casa no hor√°rio planejado. √Č uma boa id√©ia ir cedo para o Lua Marinha, tanto para pegar o fim de tarde, quanto para se locomover pela estrada de ch√£o que leva at√© l√° — √© bem sinalizada, mas no escuro pode ser dif√≠cil ver os buracos e atoleiros.

H√° dois sal√Ķes de jantar e um deck sobre a lagoa. Por causa da posi√ß√£o da porta, n√£o vimos que um segundo sal√£o fica perto da √°gua e acabamos sentando no principal, que de qualquer forma √© muito agrad√°vel. Fique perto das janelas, para pegar a brisa fresca.

O polvo do Lua Marinha √© bem famoso e quase pedimos o que leva o nome da casa, com passas de uva e cogumelos, mas desistimos em prol do tamb√©m recomendado camar√£o com abacaxi e cacha√ßa no prato principal. Como entradas, ostras com bloody mary e vieiras com leite de coco e favas de baunilha, uma d√ļzia de cada. As ostras estavam maravilhosas com o molho de tomate e vodca, muito, muito frescas mesmo. O molho das vieiras faz com que pare√ßam confeitos com sabor marinho — o que pode parecer meio repugnante lendo assim, mas funciona. Gosto muito de vieiras, pe√ßo sempre que h√° num card√°pio, desde que comi pela primeira vez no Koh Pee Pee, cuja receita com molho de lim√£o ainda √© insuper√°vel na minha experi√™ncia. O √ļnico defeito das entradas foi o p√£o dormido e a manteiga ordin√°ria que as acompanhavam.

O camar√£o com abacaxi decepcionou, por outro lado. Achamos que faltou um arremate, algo que arredondasse o sabor. Estava correto, mas meu coment√°rio foi que “poderia muito bem fazer isso em casa”. Parece n√£o haver truque algum no preparo, fora juntar o abacaxi, o camar√£o e flambar na cacha√ßa. Quando vou a restaurantes bons, espero sempre comer coisas que n√£o conseguiria reproduzir em casa. O arroz que acompanha tamb√©m √© assim: um arroz branco comum misturado com gergelim preto e dourado tostados levemente. Parece elaborado, mas √© simples. Finalmente, a por√ß√£o √© supostamente para dois, mas ambos ter√≠amos comido um pouco mais, mesmo ap√≥s duas entradas.

A sobremesa foi um sorvete de creme com morangos flambados e molho picante. Aqui a coisa voltou a ficar boa, achamos a combinação fora de série. O molho é feito com melado e pimenta malagueta e tem a consistência um pouco mais espessa do que geléia, mas não sei se posso acreditar nos ingredientes, porque a garçonete castelhana que nos atendeu, embora competente, estava de má-vontade naquela noite.

Se voltar ao Lua Marinha no próximo verão, vou considerar seriamente pedir apenas entradas e sobremesas, já que as entradas não parecem muito menores do que os pratos principais e são mais interessantes. Ceviche de polvo está na lista. No mais, a má-vontade da garçonete e o pão dormido realmente incomodam quando a conta de um jantar para dois com bebida e 10% fica em R$ 288. Detalhes desse tipo acabam manchando uma experiência que foi no geral muito boa.

LUA MARINHA
Estrada Geral de Ibiraquera (siga as placas) – Mapa
48 3354-0543

La Caceria

Durante o feriado de P√°scoa na Serra Ga√ļcha, fomos jantar num dos restaurantes mais famosos de Gramado e certamente um dos mais requintados: o La Caceria, nas depend√™ncias do hotel Casa da Montanha — cuja di√°ria mais barata est√° em torno dos R$ 500, para voc√™s terem uma id√©ia. Adoro ca√ßas e sempre quis comer fais√£o; o La Caceria √© um dos poucos lugares no Sul a servir esta ave.

O restaurante é belíssimo, decorado por armas, troféus de caça, objetos antigos e essa estátua bizarra de um cachorro. A equipe do salão é extremamente atenciosa e eficiente. A carta de vinhos oferece rótulos de vinícolas locais a preços razoáveis, de modo que a bebida não pode ter menos peso na conta dos não-enólogos e não-milionários. Infelizmente, a comida deixou a desejar.

O couvert (R$ 14) oferece alguns acepipes gostosos, como um raro Prätzel bem-feito e uma pasta de carne de porco defumada, envolta numa rodela de pimentão. As manteigas aromatizadas são razoáveis, mas as confundi com queijos e acabei comendo um tablete inteiro por engano. Há um refogado de cogumelos decente e trazem mais pães se você pedir.

IMG_7783Pedimos como entrada os figos da montanha (R$ 31), recheados com queijo de cabra local gratinado e presunto de Parma. Conforme a expectativa, a combina√ß√£o se mostrou excelente. De fato, foi o melhor prato que comemos no La Caceria. Um dos motivos, provavelmente, √© a P√°scoa ser √©poca de figos no Brasil e a regi√£o do p√© da Serra Ga√ļcha ter planta√ß√Ķes da fruta, garantindo o frescor.

Os pratos principais se mostraram bem menos excitantes. O faisão Mato Queimado (R$ 79), com champignons da região, arroz e brócolis, foi uma grande decepção. Em primeiro lugar, o arroz com brócolis foi um dos piores que já comi na vida. Pareceu estar guardado na geladeira havia uma semana e ter sido requentado com creme de leite no microondas. O chef de um restaurante dessa categoria deveria ter vergonha de servir aquilo. Aliás, teria gostado mais do arroz e brócolis separados.

Quanto ao fais√£o, embora eu jamais tenha comido um, achei nada¬†faisand√©e — a pr√°tica de deixar a ca√ßa ao ar livre para apodrecer um pouquinho, o que lhe confere maciez e um sabor caracter√≠stico. Na verdade, n√£o estava muito diferente de uma galinha caipira. Em retrospecto, fui um tanto ing√™nuo em pensar que serviriam fais√£o faisand√©e num Estado em que servem comida baiana sem pimenta. Ou n√£o sei nada, estou falando um monte de bobagens, a ave ficou presa pela cabe√ßa at√© o corpo se destacar do pesco√ßo — comme il faut — e o sabor da oxida√ß√£o √© assim mesmo.

IMG_7788O outro prato principal foi a codorna Linha Moleque (R$ 73), receita do Emmanuel Bassoleil, que estava bem melhor. Especialmente os legumes do acompanhamento estavam bons, no ponto perfeito. Os dentes de alho caramelizados s√£o um toque de mestre. O recheio da codorna, com foie-gras e trufas, achei um tanto grosseiro. Havia um sabor de conhaque, se n√£o me falham as papilas, que se sobrepunha a todo o resto. O p√°ssaro, no entanto, estava gostoso.

Pesando os altos e baixos, não faço a menor questão de repetir a experiência de comer no La Caceria. Também não me arrependo, porque sempre tive curiosidade de conhecer o local e agora posso riscá-lo da lista e ficar em paz comigo mesmo.

LA CACERIA
Av. Borges de Medeiros, 3166 – Mapa
54 3295-7575

Le Tire-Bouchon

Uma das melhores descobertas da temporada em S√£o Paulo no final de janeiro foi o Le Tire-Bouchon. √Č uma loja de vinhos comandada por um simp√°tico franc√™s, que resolveu construir um restaurante no subsolo para realizar cursos de harmoniza√ß√£o e degusta√ß√£o de vinhos. O bistr√ī acabou ganhando vida pr√≥pria e hoje oferece, al√©m do menu semanal harmonizado com vinhos importados pela casa (R$ 75 com entrada, prato principal e sobremesa), diversos pratos e tira-gostos √† la carte. A comida √© √≥tima e a carta de vinhos tem pre√ßos de loja, n√£o de restaurante, uma enorme vantagem no fim das contas.

O melhor prato do card√°pio √© provavelmente a polenta mole com cogumelos selvagens (R$ 26), que pedimos como entrada. Tamb√©m comemos o risoto do chef (R$ 28), que no dia era feito com tomates-cereja e ervas finas, muito competente. Os clientes podem pedir algum dos pratos do menu harmonizado, e foi o que fizemos: comi uma das melhores paletas de cordeiro da minha vida, acompanhada de pur√™ de batatas e alcachofra com, se n√£o me falha a mem√≥ria, um tipo de gremolata. Um jantar despretensiosamente Europeu perfeitamente dentro dos par√Ęmetros e a pre√ßo justo. Muito mais do que se pode dizer da maioria dos restaurantes badalados.

Uma experiência divertida é seguir o sommelier até a adega do restaurante, para escolher o vinho. Como todo o resto, a abordagem é despretensiosa. O sommelier explora os gostos do cliente e tenta encontrar o rótulo mais adequado sem muitas firulas enológicas. A equipe do Le Tire-Bouchon não tem por que encantar o cliente com metáforas gustativas estrambólicas; eles conhecem vinho muito bem e simplesmente indicam o melhor negócio dentro das expectativas do comensal. Escolhemos um rótulo da vinícola californiana Wente que agradou a todo mundo.

Aproveitei a viagem para comprar uma garrafa do vinho grego S√°mos, dif√≠cil de conseguir. √Č um vinho licoroso excelente, mais barato que o sauternes e o substitui muito bem.

O Le Tire-Bouchon √© um dos melhores lugares de S√£o Paulo para um jantar cl√°ssico sem muita badala√ß√£o — o espa√ßo √© pequeno e o fato de ficar no subsolo afasta os arrivistas. √Č para quem gosta de comer e beber bem, n√£o para quem quer ser visto.

LE TIRE-BOUCHON
Rua Barão de Tatuí, 285 РMapa
11 3822-0515

A melhor costeleta de cordeiro do universo

Nem Montevidéu, nem Buenos Aires. Muito menos Porto Alegre. A melhor costeleta de ovelha do universo pode ser encontrada por exatos R$ 39 até o dia 14 de março no restaurante do Hotel Hilton, em São Paulo. A unidade da hospedaria da família Hilton acha que está no Morumbi, mas na verdade é o Brooklin.

Se a localiza√ß√£o espanta um pouco — posso dizer que dificilmente me daria o trabalho de ir se n√£o estivesse ao lado da reda√ß√£o do Terra — o ambiente, o servi√ßo e, principalmente, o n√≠vel excepcional da cozinha est√£o muito al√©m do pre√ßo exigido. Muito mesmo.

Na chegada, mesmo com o restaurante praticamente vazio, sugeriram uma poltrona. Dois minutos depois a mesa estava escolhida. A pasagem conhecida diariamente revelava um ambiente completamente novo. A cadeira com encosto de madeira e um tecido n√£o identificado confortava.

A pouca ilumina√ß√£o estava voltada diretamente para o prato. Os gar√ßons sugeriram um couvert, que foi recusado. Em seguida, um micro camar√£o com tomate cereja espetado chegou √† mesa. “Cortesia de nossa cozinha”, explicou o gar√ßom. Sem solicita√ß√£o ou cerim√īnia, o gar√ßom despeja uma √°gua que custa R$ 6 no copo. O vinho tamb√©m foi recusado.

Como entrada, uma competente salada verde com um wrap de nozes. Tudo montado com enorme cuidado. Duas mesas para lá, um americano traçava a mesma entrada com certo desleixo.

O prato principal veio com a devida pompa. Minha companhia preferiu camarão com pedaços de polpa de maçã (o nome do prato era outro, não conseguirei lembrar). Eu fui na carne animal mais nobre que existe. O maitre veio perguntar instantes depois se agradara. Quase chorei.

Para completar, uma torta de maçã com sorvete de pimenta jamaicana. Perfeição.

Para melhorar tudo, o restaurante n√£o inclui os indigestos 10% no pre√ßo ao cliente. Nota-se uma certa tens√£o no ar, mas √© s√≥ ignorar. Na mesa, os gar√ßons colocam o cofrinho das contribui√ß√Ķes para uma institui√ß√£o que beneficia crian√ßas. Escuto na mesa pr√≥xima o americano perguntar como faria se quisesse doar, “por exemplo”, quarenta reais.

CANVAS
Av. das Na√ß√Ķes Unidas, 12901 – Mapa
11-2845-0000

O espírito Riversides

Neste domingo voltei a uma casa da rede Riversides após anos e anos. Não esperava muita coisa do novo Riversides Shikki Madero, aberto há poucas semanas na Zona Sul de Porto Alegre, mas fui surpreendido em minha baixa expectativa: a comida não estava medíocre, mas sim absolutamente intragável.

O Madero agrega ao sistema de buf√™ de grelhados, saladas e massas tradicional da rede um espeto corrido e a “sustentabilidade” — isto √©, o restaurante foi planejado para causar o menor impacto ambiental poss√≠vel e os alimentos s√£o, na medida do poss√≠vel, org√Ęnicos. Atitude louv√°vel. O lugar √© tamb√©m muito bonito e conta com estacionamento e servi√ßo de manobrista.

Infelizmente, os propriet√°rios parecem ter se preocupado apenas com o plano de marketing e com a decora√ß√£o e esquecido de cuidar da cozinha. S√≥ comi um prato bom l√°, embora fosse realmente muito bom: um entrec√īte org√Ęnico macio como manteiga. O resto est√° da mediocridade para baixo. Simplesmente n√£o consegui comer a paella de frutos do mar e um suposto “bacalhau √† Madero”, no qual n√£o encontrei uma lasca de bacalhau sequer. Desisti de pedir alguma das massas no balc√£o onde se pode escolher os ingredientes do molho, porque algu√©m na mesa pediu antes e o espaguete me pareceu estar com pensamentos suicidas. As saladas n√£o eram menos depressivas e o agri√£o estava com gosto de hipoclorito de s√≥dio.

As carnes do espeto corrido estavam razoáveis, mas pode-se comer muito melhor por bem menos que os R$ 32,90 do bufê/rodízio de domingo em diversas churrascarias de Porto Alegre. Há ainda sashimi a la carte por cerca de R$ 10 e um bufê de sobremesas pouco apetitosas por R$ 8,90.

Ent√£o, qual o motivo para comer no Riversides Shikki Madero, se o que n√£o √© repugnante √© encontr√°vel a pre√ßos mais baixos na concorr√™ncia? √Č a conveni√™ncia de encontrar algo para qualquer gosto num mesmo lugar. Se sua sogra s√≥ come bife e feij√£o com arroz, seu filho adolescente quer sushi, sua filha chata para comer quer espaguete ao sugo, sua esposa quer saladas por causa da dieta e voc√™ quer uma picanha sangrenta, o Riversides tem tudo isso num ambiente selecionado. Ou o caro leitor pensou que o segredo da longevidade da marca era a boa comida?

O Riversides já foi bom por um breve período há cerca de 15 anos, quando a primeira casa abriu no shopping Iguatemi. Ou talvez eu tivesse péssimo gosto na época. De qualquer modo, serviam um sushi honesto e um bufê com alguns ingredientes ainda pouco comuns em Porto Alegre a preços competitivos.

Isso durou mais ou menos at√© mec√Ęnicos e esteticistas da Zona Norte decidirem que era um programa muito chique se esbaldar num jantar a dois no Riversides — tinha salada de r√ļcula com tomates secos! — e passarem a comemorar seus anivers√°rios por l√°. Nada contra a pequena burguesia ir ao para√≠so gastando seu dinheiro suado numa experi√™ncia gastron√īmica barroca. Eu mesmo creio ter levado alguma namoradinha para jantar no Riversides de ent√£o. O problema foi a rea√ß√£o do restaurante: juntar as mesas at√© voc√™ n√£o conseguir mais distinguir sua conversa das conversas nas mesas vizinhas e passar a usar salm√£o enlatado no sushi. A queda na qualidade foi vis√≠vel at√© mesmo para meu gosto adolescente.

Como esse modelo se estabeleceu e se tornou o esp√≠rito de todos os Riversides, evito ao m√°ximo frequentar os estabelecimentos da rede desde ent√£o. Nem sempre d√°. Se voc√™ por acaso se vir obrigado a comer no Riversides Shikki Madero, atenha-se ao entrec√īte org√Ęnico, √† polenta e a alguma salada de folhas. Voc√™ nunca ter√° pagado t√£o caro por essas tr√™s coisas, mas ao menos evitar√° m√°s recorda√ß√Ķes.

RIVERSIDES SHIKKI MADERO
Av. Wenceslau Escobar, 1598 – Mapa
51 3268-0288

Urucum

H√° grandes chances de que o Urucum seja o melhor restaurante na regi√£o de Garopaba, uma col√īnia litor√Ęnea ga√ļcha em Santa Catarina. A cozinha da pousada Solar Mirador produz excelentes risotos e pescados e o cliente ainda pode admirar uma das melhores vistas da Praia do Rosa de uma imensa plataforma, enquanto bebe um aperitivo e aguarda a comida. A pousada em si √© tamb√©m muito bonita.

Os pratos servem duas pessoas e custam em torno de R$ 80. Sugiro encomendar uma entrada e um prato principal para duas pessoas, ou dois pratos principais para uma mesa com tr√™s. Come√ßamos com o risoto Ilha do Mel: lula, polvo, camar√£o, coentro, tomate, alho, suco de laranja e cacha√ßa envelhecida. A primeira garfada foi uma surpresa. N√£o esperava, sinceramente, um risoto t√£o bom. √Č perfeitamente √ļmido e o sabor aciona todos os tipos de papilas gustativas.

Em seguida, veio o robalo assado em folha de bananeira com vinagrete de doce de goiaba e pur√™ de ervilhas. Outro prato excelente. O robalo assado por 50 minutos dessa maneira ret√©m um gosto marinho pronunciado — at√© pronunciado demais para mim. O peixe √© acompanhado de fatias de batata doce assada, bem crocantes, salpicadas com urucum. Ficam √≥timas embebidas no molho.

A carta de vinhos √© pequena, mas h√° boas op√ß√Ķes. Escolhemos o clarete espanhol Tremendus, da vin√≠cola Honorio Rubio. √Č um vinho de cor salm√£o, cujo mosto de uvas garnacha e viura passa uma noite macerando antes de seguir adiante no processo de fermenta√ß√£o. Bastante leve, sem ser suave. Custou uns R$ 10 a mais do que o pre√ßo de R$ 45 nas importadoras, ou seja, o Urucum n√£o ganha muito em cima dos vinhos.

Gostar√≠amos de ter pedido sobremesa, mas desistimos quando o gar√ßom informou levarem meia hora para cozinhar um prato de frutas flambadas na cacha√ßa ou banana flambada com sorvete de creme. O brownie levaria apenas dez minutos, mas era comum demais para valer a pena. Talvez estivessem demorando tanto nas sobremesas porque havia pouca gente no restaurante, ou porque fosse tarde, e fosse preciso come√ß√°-las do zero; ainda assim levar 30 minutos para flambar qualquer coisa parece mais um eufemismo para “por favor, v√° embora, estamos querendo fechar”. Por outro lado, o atendimento √© simp√°tico e eficiente.

Se estiver aproveitando alguns dias na Praia do Rosa ou em Garopaba e quiser investir num bom jantar, vá ao Urucum. Fica aberto o ano todo. Você não vai se arrepender.

URUCUM
Estrada Geral da Praia do Rosa – Mapa
48 3355-7330 ou 3355-6144

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