Sharin

Semana passada fui gentilmente convidado por Alexandre Sharin, proprietário do restaurante indiano Sharin, para conhecer o lugar. É um estabelecimento sobre o qual sempre tive curiosidade, até porque adoro comida indiana, mas por um motivo ou outro nunca havia conseguido visitar. A história de como Alexandre acabou abrindo o Sharin é interessante: foi apadrinhado por um indiano. O padrinho o levou a fazer negócios com o país asiático e o contato cultural gerou o interesse pela culinária. Para criar o cardápio, Alexandre trouxe três cozinheiros nativos a Porto Alegre para treiná-lo e à equipe por alguns meses.

O cardápio oferece uma mistura de pratos tradicionais e releituras ocidentais, inclusive uma opção com carne de vaca, algumas alternativas de fora do subcontinente, como curries vietnamitas, e até mesmo o íidiche gefilte fish, numa versão com tamarindo. É o único restaurante indiano em Porto Alegre que dispõe de um tandoor, o forno tradicional, onde são feitos os pães com iogurte chamados nam e um pernil de cordeiro para quatro pessoas, que fiquei com vontade de provar.

O couvert, excelente, inclui nam acompanhado de chutney, pastas de gengibre com melado, banana, berinjela, nata com queijo, nata com mostarda e molho de tomate com páprica; e um bolinho de cordeiro recheado com um ovo de codorna.

Deixamos a escolha dos pratos principais por conta de Alexandre, que sugeriu o camarão gigante ao molho de manga (R$ 150) e cordeiro ao molho de hortelã (R$ 75), ambos acompanhados de arroz basmati. O camarão veio num bom ponto, al dente por assim dizer. As primeiras garfadas dão a impressão de que não é muito picante, mas aos poucos aquela ardência boa vai ganhando a boca. Pode parecer incrível, mas não vai pimenta no camarão, apenas gengibre e, o segredo da picância, canela. Faz sentido: chicletes e balas de canela são muito picantes.

Já o cordeiro com hortelã nada tem a ver com a horrível receita britânica. Na verdade, o sabor lembra muito um molho com cogumelos porcini. Nesse caso, o segredo, segundo Alexandre, é uma hortelã desidratada levada ao fogo por um tempo mais longo, que acaba liberando um gosto semelhante ao de outros vegetais secos, como cogumelos e tomates.

A sobremesa foram damascos com calda, flocos de chocolate e sorvete de creme, e chum chum, bananas grelhadas com açúcar de palmeira, salpicada com coco e também com sorvete de creme.

Embora os pratos não sejam baratos, a maioria começando em R$ 75, as porções são generosas, suficientes para duas pessoas. Os preços dos vinhos, em compensação, são um pouco mais baixos do que a média. Aliás, há opções interessantes, como um touriga nacional da Dal Pizzol (R$ 48), altamente recomendado. Não se encontra essa uva em qualquer lugar. O Sharin também tem uma loja de produtos indianos, inclusive temperos, no subsolo.

SHARIN
Rua Felipe Neri, 332 – Mapa
51 3333-8596

5 Comentários

  • By guilherme atencio, 04/07/2009 @ 08:10

    O Sharin está nos meus “Top 5″, e se pudesse comia lá uma vez por mês. Todas as vezes saí maravilhado, pois comer lá é uma experiência sensorial completa. O atendimento sempre foi impecável e a comida maravilhosa, além de ter um preço justo.

  • By rodrigo, 04/07/2009 @ 23:23

    Sempre ouvi falar bem, mas nunca fui. Deixa a maldita novela da Globo descobrir o Sharin.

  • By Carla., 06/07/2009 @ 23:48

    Achei o blog interessante,voltarei mais vezes,de qualquer forma,gostaria de manter contato…rs,se possivel fica ai meu email.

    beijos.

  • By Ariela, 17/07/2009 @ 00:33

    É uma delícia, mesmo! O bolinho de cordeiro com ovo deve ser coisa nova, não conheci. Fiz vários aniversários lá, e por conta da admiração aprendi a cozinhar com alguns temperos indianos. Resultou disso uma dívida culinária esquisita para com a casa: fazer um borsch lá em uma segunda-feira. Estou ensaiando em casa.

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  1. Dez anos do Sharin | Garfada - Onívoros, uni-vos! — 04/02/2010 @ 12:27

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