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Antepasto ítalo-teuto-brasileiro

foto por sabrina fonsecaUm dos meus antipasti favoritos é a caponata. Trata-se de um refogado de berinjelas com tomates puxado no alho e no pimentão, temperado no mais das vezes com alcaparras e filezinhos de anchova. Há algumas variações, que podem incluir ou não doses generosas de vinagre, a desidratação da leguminosa antes do preparo, ou uvas-passas brancas. Minha mãe, brasileira de origem germânica, adaptou a receita que divido com os leitores logo abaixo.

O nome caponata pode enganar o lingüista mais afoito. Sugere logo ter algo a ver com capo, o nome dado aos chefões mafiosos. A popularidade do aperitivo na Sicília só reforça a tese oriunda do senso comum. Mas o historiador da culinária mediterrânea Clifford A. Wright posiciona o berço da receita na Catalunha.

Para ele, o nome vem do catalão capón de galera, nome de um gazpacho — muito parecido com a caponata — servido a bordo de navios espanhóis. O vinagre age como conservante, tornando-o um alimento conveniente em alto mar. Outra possibilidade citada por Wright é a receita ter origem na palavra latina caupo [taverna], onde a cauponae [ou "comida de boteco para viajantes"] era servida.

Seja como for, a caponata acabou chegando à Sicília e certamente o capo dei capi em pessoa é um fã.

A verdadeira caponata leva, como dissemos, vinagre e ainda muito sal, tornando-a bastante azeda. Minha mãe odeia coisas azedas e certa vez ficou sabendo que era possível adaptar a receita e usar menos destes ingredientes, o que a deixa bem mais suave ? embora um siciliano pudesse discutir se continua ou não sendo caponata. Como não pretendo ser perseguido por uma Mercedes negra toda vez que sair de casa, passarei a chamá-la de

Tira-gosto de berinjelas à Cristina Ruschel

  • 4 berinjelas médias
  • 2 pimentões vermelhos ou amarelos
  • 1 cabeça de alho (no mínimo)
  • Entre 50 e 100g de uvas-passas brancas
  • 1 vidro de azeitona em conserva fatiada
  • Azeite de oliva extra virgem
  • Aceto balsâmico
  • Orégano
  • Aji-no-moto
  • Sal

Descasque as berinjelas e corte-as em fatias finas na forma de meia lua. Corte os pimentões em tirinhas. Fatie o alho, bem fininho. Escolha uma panela com mais de 30 centímetros de diâmetro. Cubra o fundo com o azeite, em uma porção bem generosa. Refogue o alho, tomando muito cuidado para não queimar. Acrescente as berinjelas, mexa bem e deixe cozinhar por alguns minutos.

Se suas fatias de pimentão tiverem mais de 4 milímetros, coloque-as na panela assim que a berinjela começar a escurecer. Caso sejam mais finas, espere elas cozinharem mais, ou o pimentão desaparecerá, causando prejuízos ao aspecto do prato. Acrescente orégano a gosto, mas não menos de 3 colheres de sopa, e pelo menos uma colher de sopa de aji-no-moto. Jogue também uma colher de sopa de aceto balsâmico. Não deixe de mexer freqüentemente.

Caso o cozido comece a secar, use um pouco da água das azeitonas. Quando as berinjelas tiverem se tornado uma pasta, é o momento de adicionar as azeitonas, junto com a água da conserva e as uvas-passas. Desligue o fogo e deixe a panela tampada, abafando a caponata, até que esfrie. Então prove novamente e acrescente sal e orégano, se achar necessário. Depois guarde a conserva em potes de vidro, de preferência com boca larga, e cubra com um dedo de azeite, para evitar oxidação e fungos. À medida em que for usando, é recomendável manter o nível do azeite. Leve à geladeira.

A caponata pode ser comida pura, como acompanhamento, ou servida na forma de antepasto, com pão branco. A melhor combinação seria um pão italiano bem fresquinho.

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