Posts tagged: batata

Paleta de porco assada

Paleta de porco assadaO prato mais popular aqui em casa √©, de longe, o assado de porco. A carne de porco √© barata e relativamente saud√°vel — mais gorda que o frango e peixe, menos gorda do que vaca, dependendo do corte. J√° dei in√ļmeras receitas, mas essa semana uma descoberta me agradou particularmente.

Estou com um fogão novo e foi a primeira vez em que usei o forno. As paletas de porco estavam fatiadas um tanto finas e puxando exsudando muita água e gordura. O problema nisso é que a carne estava quase cozida e a forma estava cheia de líquido.

Pensei primeiro em drenar a forma, mas aí tive uma idéia melhor: fiz uma cama com batatas e cebolas fatiadas no fundo da forma e dispus a carne em cima. Assim, consegui o melhor de dois mundos: a carne ficou dourada e as batatas e cebolas adquiriram um sabor espetacular.

As paletas ficaram marinando por cerca de 18 horas em salmoura com suco de lim√£o, alho, cebolinha, louro, alecrim, anis estrelado (um apenas), cravo (tr√™s apenas), zimbro, pimenta do reino branca e preta, pimenta da jamaica, coentro e mostarda — todos estes √ļltimos em gr√£os.

Quem falou que n√£o existe comida azul?

Purê de batata roxa

Encontrei essas batatas inglesas roxas e minha primeira rea√ß√£o foi: “nossa, que beterrabas bonitas!”. Um pequeno grupo de curiosos me fez perceber a plaquinha informando serem na verdade batatas. N√£o acreditava que fossem roxas por dentro, mas ainda assim comprei para testar. Um dos resultados est√° na foto a√≠ em cima, um pur√™ de batatas roxas. Al√©m do pur√™, fi-las assadas no forno junto com um uma copa de lombo, processo que conferiu um tom quase preto aos tub√©rculos.

Em termos de sabor, essa batata não é muito diferente da branca ou da rosa. Talvez seja um poquinho mais amarga. O visual é incomparável, porém. Excelente para impressionar os amigos.

Borscht branco

Borscht brancoEsses dias minha amiga Sabrina Fonseca comentou sobre o quanto anda viciada em borscht branco, uma sopa polonesa típica da Páscoa, também conhecida como ?urek. Sabrina mora em Greenpoint, bairro polonês de Nova York. Gosto muito do borscht normal e ainda mais de hypes nova-iorquinos, então fui atrás de uma receita. Descobri que, enquanto o borscht normal é reconhecido pelo tom vermelho da beterraba, o branco do ?urek vem do líquido de farinha de centeio fermentada.

BORSCHT BRANCO

  • 3 x√≠caras de farinha de centeio
  • 6 x√≠caras de √°gua
  • 3 litros de caldo de legumes
  • 2 cenouras
  • 1 cebola m√©dia
  • Aipo
  • Salsinha
  • Alho-por√≥
  • 1/2 quilo de batatas
  • 500g de ling√ľi√ßa fatiada
  • AlhoFermenta! Fermenta!Na foto ao lado d√° para ver tr√™s x√≠caras de farinha de centeio fermentando com oito x√≠caras de √°gua. √Č importante ferver a √°gua por dois motivos: primeiro, evitar contamina√ß√£o por bact√©rias e fungos indesejados; segundo, evaporar o cloro, que pode prejudicar a fermenta√ß√£o ou dar um sabor estranho. S√≥ deixe esfriar um pouco antes de misturar 3/4 da farinha para cada 2 x√≠caras de √°gua. Isso rende 2 x√≠caras de l√≠quido, suficiente para muita sopa. Esfarele uma fatia de p√£o de centeio dentro, para inocular a levedura adequada. A receita sugeria deixar o processo ocorrer por dois a cinco dias, dependendo do n√≠vel de azedume desejado. Por seguran√ßa, resolvi fermentar por apenas dois dias em um vidro de boca larga coberta por um pano de prato. N√£o se assuste com o aspecto, a coisa n√£o vai sair andando. Se voc√™ vir bolhas como as da foto se formarem, √© porque est√° funcionando. Quando estiver fermentado a gosto, filtre atrav√©s de um pano para obter um l√≠quido parecido com o da foto abaixo.

    Centeio fermentadoParece v√īmito e tem cheiro de v√īmito. S√≥ pude realizar essa receita sob protestos de minha m√£e e da Tati. No entanto, incrivelmente, o sabor final √© √≥timo. Confie em mim. Prepare um caldo de legumes com a cebola, a cenoura, um pouco de aipo, salsinha e alho-por√≥. Deixe ferver por duas horas. Descarte os vegetais e ent√£o junte a batata picada e sal. Cozinhe as batatas e a√≠ acrescente um ou dois dentes de alho amassados e a ling√ľi√ßa fatiada, bem como o fermentado. A receita previa usar uma colher de farinha de trigo dissolvida em √°gua para engrossar, mas achei desnecess√°rio. Deixe ferver mais um pouco e ent√£o corrija o sal.

    Teria usado pimenta do reino como tempero, mas estava sem. Na verdade, fiquei surpreso com a pouca exig√™ncia de temperos para o borscht branco. Provavelmente se deve ao fato de que n√£o crescem muitas ervas nas regi√Ķes frias onde teve origem. Talvez por isso o uso de centeio fermentado: d√° um sabor especial. Ao servir, sugiro salsinha, ovo cozido e molho ingl√™s, bem como um bom p√£o integral para acompanhar.

  • Padaria Carina Barlett

    Neste domingo experimentei meio sem querer os p√£es de Carina Barlett, nome da boulangerie — nome fresco para padaria — que se mudou recentemente de um espacinho na Barros Cassal para uma bela loja na esquina das ruas Jo√£o Telles e Vasco da Gama. Todos os supermercados de Porto Alegre estavam fechados gra√ßas ao dia dos pais e precisava receber amigos em casa. Ap√≥s buscar diversos mercadinhos e encontr√°-los tamb√©m fechados, arrisquei a padaria e dei sorte.

    Comprei uma baguete, um p√£o tipo r√ļstico, p√£o de batata, p√£o de moranga, p√£o sueco e o que se chamava notre-dame, mas pela descri√ß√£o do L√ľdtke parece que o atendente se enganou, porque tratava-se de um p√£o de farinha integral com umas fatiazinhas de ma√ß√£ no topo. Todos esses custam at√© R$ 4 a pe√ßa. Todos muito bons, especialmente o suposto notre-dame, o sueco e o r√ļstico, em minha opini√£o.

    Se algo falta na capital, s√£o mais padarias boas como essa. Com raras exce√ß√Ķes, o p√£o daqui tem uma produ√ß√£o absolutamente tosca. Os cacetinhos n√£o t√™m miolo, os integrais se esfacelam durante o corte, os italianos dos supermercados s√£o borrachudos.

    CARINA BARLETT BOULANGERIE
    Rua Jo√£o Telles, 237 – Mapa
    51 3222-7878

    WordPress Themes