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MoDi

Numa viagem recente a São Paulo, aproveitei um domingo de garoa para almoçar com amigos no MoDi, bistrô da moda em frente ao parque Buenos Aires. É recomendado por oferecer boa comida a preços razoáveis numa cidade de preços frequentemente irracionais. O proprietário-gerente não estava no local no dia, então não foi possível verificar se o nome remete ao artista plástico Modigliani, mas o fato de haver um coquetel com seu nome no cardápio é uma evidência em favor da teoria.

A perspectiva é primordialmente italiana. Há massas, assados de cordeiro, risotos, focaccias e caponatas. Há no menu sempre um prato do dia, que varia conforme o dia da semana. No final de semana, pode-se encomendar qualquer um dos pratos do dia da semana anterior, que costumam ser um pouco mais baratos. Além disso, remetem a uma culinária mais popular, caseira, usando miúdos frequentemente.

Entrada de borsch frio com massa recheada de queijo de cabra.

Dispensamos o couvert e pedimos coquetéis para abrir o apetite, já que chegáramos ao local antes de o café da manhã abrir espaço para o almoço. Poucos minutos depois de sentarmos, cerca de 12:05, começou a se formar uma fila de espera. Após uma espera longa o suficiente para ser sentida, a garçonete veio informar que não havia os ingredientes necessários para os coquetéis solicitados. Para um martini “sujo”, faltava polvo em conserva, para a mistura que, salvo engano, se chamava Modigliani, faltava poejo ou alguma erva do tipo — estava sem meu caderno de anotações e, quando tenho companhia, evito anotar no telefone.

De fato, o atendimento estava inseguro no dia. Primeiro, não sabiam da falta de ingredientes para os coquetéis e demoraram a retornar para refazer o pedido. Depois, ao explicar a natureza do orzotto, o garçom afirmou que poderia ser preparado com ossobuco; feito o pedido, entretanto, retornou para dizer que só havia a versão com frutos do mar no dia. No mais, tudo era demorado, embora o serviço estivesse apenas começando.

Orzotto de lula e camarão do MoDi.

A comida, porém, estava boa. Após um coquetel de caju bastante forte e relativamente seco, chegou a entrada: um cálice de borscht frio com ravióli de queijo de cabra. Sua consistência era cremosa e o sabor, suave, sem ser insípido. O prato principal foi o orzotto, ou risoto de cevada, com lula e camarão. Nunca havia provado essa versão do tradicional risoto, que é, de fato, bastante interessante. A cevada cozida é mais consistente do que o arroz, sem ser dura, e tem um sabor um pouco mais denso, selvagem. A lula e o camarão vieram com uma consistência adequada e bom tempero.

Para a sobremesa, escolhi o cheesecake de queijo de cabra, excelente — mas apenas porque o canoli, assim como diversos outros ítens do cardápio, estava em falta. O queijo de cabra é bastante mais leve do que a versão clássica com cream cheese ou ricota. Além disso, a pungência do leite ovino equilibra ainda melhor o doce da geleia.

Cheesecake de queijo de cabra.

A conta resultou em cerca de R$ 100 por pessoa, incluindo bebidas e café. É um valor razoável pela qualidade da comida, mas o atendimento, ao menos neste dia, deixou a desejar. Por outro lado, embora tenhamos esperado um tanto pelos coquetéis e pela comida, o ambiente é extremamente agradável e tem vista para o parque, em especial se o cliente estiver sentado no mezanino. Vale a pena conhecer.

MoDi

Rua Alagoas, 475 – Higienópolis (Mapa)
Telefone: 11 3564-7031

Iaiá Bistrô

Iaiá BistrôDomingo passado almocei com a família no Iaiá Bistrô, um restaurante novo e extremamente agradável na Zona Sul de Porto Alegre. É especializado em culinária brasileira, privilegiando no cardápio os frutos do mar. Os carros-chefe são as moquecas e caldeiradas. É também o único lugar da capital a servir um prato com tucupi: uma releitura do ensopado de pato tradicional do Pará.

Não se anime demais, porém. Não foi dessa vez que Porto Alegre ganhou um restaurante de culinária brasileira comme il faut. O cardápio foi adequado ao paladar insosso do gaúcho para temperos — ainda que os chefs, o americano Loyd Martin e o paulistano Maurício Cupini, sejam de fora. Compreensível: restaurantes são negócios e portanto não podem se dar o luxo de agredir o gosto do público em geral. A proprietária, Daniela Craidy, certamente conhece o mercado, pois foi sócia-fundadora do Sanduíche Voador, um dos mais relevantes estabelecimentos na formação da cultura gastronômica porto-alegrense.

Iaiá BistrôOs pontos altos da refeição foram as entradas. O bolinho de peixe é perfeito. O bacalhauzinho a Gomes de Sá é igualmente ótimo. Os espetinhos de camarão com queijo coalho e abacaxi fazem o sujeito se sentir em uma praia de areia branca e mar esmeralda. Pedimos como pratos principais a caldeirada de frutos do mar e o bobó de camarão. Ambos muito competentes, peixes, moluscos e crustáceos no ponto correto, mas carecendo de um pouco mais de força nos temperos. Dá para subir um pouco mais a temperatura e ainda manter a clientela. Por outro lado, os chefs demonstram coragem ao servir caruru como acompanhamento. Quiabo é um modo quase certo de desagradar à metade dos comensais, logo de saída. (Eu gosto muito.)

O atendimento no Iaiá é simpático, bem como o ambiente. Há um deck ótimo para aproveitar o final de tarde da zona sul e o salão é bastante iluminado e arejado. O café é passado em uma cafeteira italiana e levado à mesa nela mesma — e é o melhor “espresso” desse tipo de cafeteira que já provei, talvez por ser do Café do Mercado. Abre de quarta a sexta-feira, das 19h às 22h, e aos sábados e domingos, das 12h às 0h. Uma refeição, com bebidas e café, custa cerca de R$ 50 por pessoa.

IAIÁ BISTRÔ
Rua Chavantes, 636 – Mapa
51 3222-0098

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