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Cerveja brasileira

Entendo muito pouco de cerveja e não deveria estar falando sobre o assunto, mas, instado por uma conversa com o Träsel, vou meter minha colher. Meu método pessoal de seleção da bebida envolve basicamente os seguintes passos:

Dê um gole. É alcoólico? Se sim, passe para a próxima etapa. -> Tem cheiro de cereais ou vegetais menos nobres decompostos? Se não, próxima etapa. -> Deixa retrogosto de cloro ou água podre? Se não, passe para a próxima etapa. -> Beba o resto.

Para o meu paladar, seguindo à risca esses preceitos, no Brasil inteiro só passam a Itaipava, Boêmia, Original e Cerpa. De todas elas a que mais gosto é a Itaipava, pois sucede que, além de passar nos testes acima, costuma ser a mais barata do grupo.

Há alguns dias estava falando com o especialista no assunto e ele disse que todo mundo de São Paulo que ele conhece fala mal da Itaipava, ao que eu respondi: Isso deve ser opinião de mulher, a maioria dos bebedores profissionais de cerveja que conheço aqui trocam quase qualquer outra pela Itaipava. Mulher não gosta porque é barata e as paulistanas têm isso de não gostarem de coisas baratas – são sinônimo, para elas, de coisa ruim. Enfim. E ele respondeu: “bingo”.

Esse é o mesmo tipo de mulher que bebe Freixenet ou Prosecco feito em alambiques fétidos na Sicília e acha muito melhor que espumante brasileiro (aqueles mesmos que ganham a maioria dos concursos de degustação às escuras na França). Os importadores brasileiros são sujeitos muito sortudos, pois a combinação de um público que não faça idéia do que está bebendo e que tenha os bolsos forrados e pródigos deve ocorrer muito raramente em outras paragens.

Passei uns cinco anos tomando cervejas uruguaias quando morei na fronteira e trabalhava no Uruguai: Nenhuma das cervejas uruguaias dos anos 90 – não sei como estão hoje – tinha o gosto nítido e marcante de água de piscina que quase todas as cervejas brasileiras têm. As exceções são as que estão na lista acima.

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