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Lua Marinha

Neste verão, conheci finalmente o restaurante Lua Marinha, um dos mais antigos e respeitados da Praia do Rosa, Santa Catarina. São famosos pelos pratos exóticos com frutos do mar e pela belíssima vista da lagoa de Ibiraquera, às margens da qual fica o estabelecimento.

Infelizmente, não pudemos conferir o pôr-do-sol na lagoa, porque, como vocês sabem, Tati e eu somos pais de uma menininha de sete meses e isso torna muito difícil sair de casa no horário planejado. É uma boa idéia ir cedo para o Lua Marinha, tanto para pegar o fim de tarde, quanto para se locomover pela estrada de chão que leva até lá — é bem sinalizada, mas no escuro pode ser difícil ver os buracos e atoleiros.

Há dois salões de jantar e um deck sobre a lagoa. Por causa da posição da porta, não vimos que um segundo salão fica perto da água e acabamos sentando no principal, que de qualquer forma é muito agradável. Fique perto das janelas, para pegar a brisa fresca.

O polvo do Lua Marinha é bem famoso e quase pedimos o que leva o nome da casa, com passas de uva e cogumelos, mas desistimos em prol do também recomendado camarão com abacaxi e cachaça no prato principal. Como entradas, ostras com bloody mary e vieiras com leite de coco e favas de baunilha, uma dúzia de cada. As ostras estavam maravilhosas com o molho de tomate e vodca, muito, muito frescas mesmo. O molho das vieiras faz com que pareçam confeitos com sabor marinho — o que pode parecer meio repugnante lendo assim, mas funciona. Gosto muito de vieiras, peço sempre que há num cardápio, desde que comi pela primeira vez no Koh Pee Pee, cuja receita com molho de limão ainda é insuperável na minha experiência. O único defeito das entradas foi o pão dormido e a manteiga ordinária que as acompanhavam.

O camarão com abacaxi decepcionou, por outro lado. Achamos que faltou um arremate, algo que arredondasse o sabor. Estava correto, mas meu comentário foi que “poderia muito bem fazer isso em casa”. Parece não haver truque algum no preparo, fora juntar o abacaxi, o camarão e flambar na cachaça. Quando vou a restaurantes bons, espero sempre comer coisas que não conseguiria reproduzir em casa. O arroz que acompanha também é assim: um arroz branco comum misturado com gergelim preto e dourado tostados levemente. Parece elaborado, mas é simples. Finalmente, a porção é supostamente para dois, mas ambos teríamos comido um pouco mais, mesmo após duas entradas.

A sobremesa foi um sorvete de creme com morangos flambados e molho picante. Aqui a coisa voltou a ficar boa, achamos a combinação fora de série. O molho é feito com melado e pimenta malagueta e tem a consistência um pouco mais espessa do que geléia, mas não sei se posso acreditar nos ingredientes, porque a garçonete castelhana que nos atendeu, embora competente, estava de má-vontade naquela noite.

Se voltar ao Lua Marinha no próximo verão, vou considerar seriamente pedir apenas entradas e sobremesas, já que as entradas não parecem muito menores do que os pratos principais e são mais interessantes. Ceviche de polvo está na lista. No mais, a má-vontade da garçonete e o pão dormido realmente incomodam quando a conta de um jantar para dois com bebida e 10% fica em R$ 288. Detalhes desse tipo acabam manchando uma experiência que foi no geral muito boa.

LUA MARINHA
Estrada Geral de Ibiraquera (siga as placas) – Mapa
48 3354-0543

A melhor costeleta de cordeiro do universo

Nem Montevidéu, nem Buenos Aires. Muito menos Porto Alegre. A melhor costeleta de ovelha do universo pode ser encontrada por exatos R$ 39 até o dia 14 de março no restaurante do Hotel Hilton, em São Paulo. A unidade da hospedaria da família Hilton acha que está no Morumbi, mas na verdade é o Brooklin.

Se a localização espanta um pouco — posso dizer que dificilmente me daria o trabalho de ir se não estivesse ao lado da redação do Terra — o ambiente, o serviço e, principalmente, o nível excepcional da cozinha estão muito além do preço exigido. Muito mesmo.

Na chegada, mesmo com o restaurante praticamente vazio, sugeriram uma poltrona. Dois minutos depois a mesa estava escolhida. A pasagem conhecida diariamente revelava um ambiente completamente novo. A cadeira com encosto de madeira e um tecido não identificado confortava.

A pouca iluminação estava voltada diretamente para o prato. Os garçons sugeriram um couvert, que foi recusado. Em seguida, um micro camarão com tomate cereja espetado chegou à mesa. “Cortesia de nossa cozinha”, explicou o garçom. Sem solicitação ou cerimônia, o garçom despeja uma água que custa R$ 6 no copo. O vinho também foi recusado.

Como entrada, uma competente salada verde com um wrap de nozes. Tudo montado com enorme cuidado. Duas mesas para lá, um americano traçava a mesma entrada com certo desleixo.

O prato principal veio com a devida pompa. Minha companhia preferiu camarão com pedaços de polpa de maçã (o nome do prato era outro, não conseguirei lembrar). Eu fui na carne animal mais nobre que existe. O maitre veio perguntar instantes depois se agradara. Quase chorei.

Para completar, uma torta de maçã com sorvete de pimenta jamaicana. Perfeição.

Para melhorar tudo, o restaurante não inclui os indigestos 10% no preço ao cliente. Nota-se uma certa tensão no ar, mas é só ignorar. Na mesa, os garçons colocam o cofrinho das contribuições para uma instituição que beneficia crianças. Escuto na mesa próxima o americano perguntar como faria se quisesse doar, “por exemplo”, quarenta reais.

CANVAS
Av. das Nações Unidas, 12901 – Mapa
11-2845-0000

Empada no Prato

Outro dia, minha mãe ganhou de uma amiga e me deixou meia dúzia de empadas do Empada no Prato. Não conhecia essa fábrica e fiquei surpreso: são muito boas.

A massa podre é bem fina e o recheio é farto. Na empada de camarão, os crustáceos não apenas são visíveis a olho nu, como são grandes o suficiente para ser sentidos na mordida. Há também uma empada doce de maçã com passas, quase uma tortinha.

As empadas estão disponíveis em alguns cafés de Porto Alegre, mas o pessoal também aceita encomendas e entrega em casa. Fale com o Carlos Eugênio no telefone 51 9956-8983.

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