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Frente de libertação do queijo nacional

O Slow Food Brasil divulgou um manifesto pela liberação da produção de queijos com leite cru.

Os queijos produzidos no Brasil são deprimentes em grande parte porque precisam se ater à legislação do Ministério da Agricultura, que ordena o uso apenas de leite pasteurizado — eliminando todas as bactérias que poderiam render sabores e consistências diferentes — e a adequação a alguma categoria pré-determinada — gorgonzola, brie, gouda, lanche, prato, mussarela etc. Sobra pouco espaço para o produtor se diferenciar.

O objetivo de proteger a saúde do cidadão contra contaminações é louvável, mas isso poderia ser resolvido exigindo a presença de um aviso no rótulo do queijo, informando se é ou não pasteurizado. Como cidadão, acredito ter o direito de arriscar minha saúde comendo queijos produzidos com leite cru, se assim achar melhor. De fato, tenho feito isso a minha vida inteira: os funcionários da granja dos meus avós produzem um ótimo queijo colonial com leite cru. Eu mesmo faço coalhada em casa com leite de vaca não-fervido. Jamais tive problema algum.

O mesmo tipo de legislação bem-intencionada, porém excessivamente restritiva, levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária a proibir o comércio de flor de sal no Brasil. Motivo? Não leva o iodo exigido na legislação que ordena a produção de sal de cozinha.

O argumento das agências governamentais é sempre o mesmo e prevejo que a reação nesse caso será idêntica: não existem os métodos, o conhecimento ou a estrutura necessária para fiscalizar a produção desse tipo de queijo. Então, como sempre, a solução no Brasil é passar uma régua e determinar o mínimo denominador comum como a regra, impedindo os temerários de comerem sal sem iodo ou queijo não-pasteurizado.

O melhor pudim de leite do mundo

Pudim de leiteAo provar uma colherada do pudim da minha mãe, um amigo adotou uma expressão deprimida, ficou quieto por alguns segundos e, num momento de silêncio na mesa, perguntou: “Foi esse pudim que você comeu por toda a infância?” Uma injustiça com todas as outras crianças, segundo ele. Esses dias me dei conta de que não sabia fazer esse pudim de leite condensado e, caso algo acontecesse com a minha mãe, os netos dela ficariam sem prová-lo.

Sem mais delongas, portanto, liguei para a progenitora e pedi as instruções. Como vocês podem verificar, não exije grande perícia ou esforço.

PUDIM DE LEITE CONDENSADO

  • 2 latas de leite condensado
  • 2 latas de leite integral
  • 6 gemas
  • 1 colher de chá de açúcar de baunilha
  • Açúcar para caramelizar

O primeiro passo é envolver a forma específica para pudim com uma película de caramelo. Há quem use água e execute com todo cuidado essa tarefa, mas isso não é realmente necessário. Simplesmente jogue açúcar no fundo e mexa com uma colher de pau até estar quase completamente dissolvido. Desligue o fogo antes de todos cristais se fundirem, para evitar que o caramelo queime. Com a colher, espalhe o caramelo no fundo e até a metade das bordas da forma, de modo que tudo fique coberto.

Em seguida, ponha as seis gemas no liquidificador e bata por uns cinco segundos. Derrame uma das latas de leite condensado. Encha a mesma lata com leite e acrescente à mistura. Bata por mais dez segundos, então derrame a lata restante de leite condensado, volte a enchê-la de leite integral e acrescentar no copo do liquidificador. Finalmente, coloque o açúcar de baunilha e bata até ficar homogêneo.

Agora basta encher a forma e ferver em banho-maria por uma hora. Sério. É só isso.

Quando estiver pronto, espere esfriar e ponha no congelador. Na hora de servir, leve ao fogo alto até que o pudim solte da forma, depois vire-a com cuidado numa travessa.

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