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O Tigre Asiático da Praia do Rosa

O restaurante Tigre Asiático ocupa hoje a lacuna deixada pelo Koh Pee Pee na Praia do Rosa, quando o pioneiro da culinária tailandesa no Sul se mudou para Porto Alegre. Infelizmente, o substituto não parece carregar a tocha com a mesma competência.

Não que a comida do Tigre Asiático seja ruim. Pelo contrário: todos os pratos que provamos estavam muito bem executados. O pad talay (lulas ao alho e óleo com especiarias) da entrada, por exemplo, apresentaram talvez a melhor consistência deste molusco que já encontrei em restaurantes. Estavam al dente.

Tampouco tenho reclamações quanto ao prato principal de polvo com quatro pimentas (koh sa mui), outra carne difícil que foi cozida no ponto perfeito pela equipe do Tigre Asiático. Em ambos os casos, os molhos estavam ótimos.

Minha companhia pediu como prato principal um pad thay, talvez a receita mais conhecida da Tailândia. Também neste caso, os legumes vieram no ponto perfeito, assim como o macarrão de arroz, e o sabor poderia figurar como padrão métrico de pad thay.

As sobremesas foram pepper chocolat um brownie com sorvete e calda de pimenta e damasco fresh, um sorvete de frutas exóticas com calda de damasco e amêndoas. De novo, o brownie era uma reprodução perfeita do cânone.

O sorvete da outra sobremesa parecia levar maracujá e talvez alguma outra fruta amarela, como manga. A calda doce, mas cítrica, com gengibre, dava um bom contraponto, ainda mais com lâminas de damasco gelado salpicadas sobre o sorvete.

A sobremesa com damascos foi a primeira surpresa da noite e esse é o principal defeito do Tigre Asiático: tudo é executado de acordo com o cânone, o que resulta em uma refeição perfeitamente satisfatória, mas apenas isso.

Lembro da ocasião em que comi um menu degustação no Koh Pee Pee e tive uma epifania ao provar a entrada de vieiras em molho de açúcar de palma com limão. Ali estava um forte candidato a melhor prato da minha vida! Outros pratos do menu, entretanto, deixavam a desejar.

A cozinha do Tigre Asiático é mais regular que a do Koh Pee Pee, para o bem e para o mal. Se não decepciona em momento algum, também não emociona. Recomendaria como um excelente primeiro encontro com a culinária tailandesa.

Noutros aspectos, o restaurante da Praia do Rosa não brilha tanto. O cardápio é bastante breve, por exemplo. Há apenas três tipos de entradas, sendo uma delas variação da mesma receita com frango, lula ou camarões. Há uma lista fixa e uma lista que varia conforme a estação. Os pratos de estação parecem ser os mais elaborados. O Tigre Asiático também oferece sushi e sashimi, mas pessoalmente preferiria que eles dedicassem essa energia a ampliar as opções de comida tailandesa.

A carta de vinhos é uma das piores que já vi. Todo freqüentador de restaurantes sabe que os preços da carta são, em geral, ao menos o dobro do preço de varejo das bebidas. Todavia, a maior parte dos restaurantes toma o cuidado de não oferecer muitos vinhos encontráveis no supermercado, pois isso facilita a comparação de preços e causa ao cliente uma sensação desagradável de estar sendo logrado ao ser convidado a pagar mais de R$ 50 por um vinho chileno vagabundo que custa menos de R$ 20 no Zaffari. O único vinho acessível da carta que me era desconhecido, Domínio Vicari riesling, estava em falta no dia.

Outro defeito do Tigre Asiático é não oferecer estacionamento aos clientes, o que pode ser um problema muito sério na Praia do Rosa em determinadas épocas. Esse tipo de facilidade é o mínimo a se esperar de estabelecimentos que se pretendem de alto padrão.

No geral, a experiência de comer no Tigre Asiático compensa os preços de pratos principais na faixa entre R$ 40 e R$ 70. Uma refeição com entrada, sobremesa e vinho deve custar mais ou menos R$ 150 por pessoa.

Caso esteja na região da Praia do Rosa, porém, sugiro comer primeiro no Urucum e no Lua Marinha, antes de ir ao Tigre Asiático. Os preços são semelhantes e a proposta destes dois outros restaurantes é mais arrojada.

TIGRE ASIÁTICO
Centrinho do Rosa – Praia do Rosa — Mapa
48 3355-7045

Lua Marinha

Neste verão, conheci finalmente o restaurante Lua Marinha, um dos mais antigos e respeitados da Praia do Rosa, Santa Catarina. São famosos pelos pratos exóticos com frutos do mar e pela belíssima vista da lagoa de Ibiraquera, às margens da qual fica o estabelecimento.

Infelizmente, não pudemos conferir o pôr-do-sol na lagoa, porque, como vocês sabem, Tati e eu somos pais de uma menininha de sete meses e isso torna muito difícil sair de casa no horário planejado. É uma boa idéia ir cedo para o Lua Marinha, tanto para pegar o fim de tarde, quanto para se locomover pela estrada de chão que leva até lá — é bem sinalizada, mas no escuro pode ser difícil ver os buracos e atoleiros.

Há dois salões de jantar e um deck sobre a lagoa. Por causa da posição da porta, não vimos que um segundo salão fica perto da água e acabamos sentando no principal, que de qualquer forma é muito agradável. Fique perto das janelas, para pegar a brisa fresca.

O polvo do Lua Marinha é bem famoso e quase pedimos o que leva o nome da casa, com passas de uva e cogumelos, mas desistimos em prol do também recomendado camarão com abacaxi e cachaça no prato principal. Como entradas, ostras com bloody mary e vieiras com leite de coco e favas de baunilha, uma dúzia de cada. As ostras estavam maravilhosas com o molho de tomate e vodca, muito, muito frescas mesmo. O molho das vieiras faz com que pareçam confeitos com sabor marinho — o que pode parecer meio repugnante lendo assim, mas funciona. Gosto muito de vieiras, peço sempre que há num cardápio, desde que comi pela primeira vez no Koh Pee Pee, cuja receita com molho de limão ainda é insuperável na minha experiência. O único defeito das entradas foi o pão dormido e a manteiga ordinária que as acompanhavam.

O camarão com abacaxi decepcionou, por outro lado. Achamos que faltou um arremate, algo que arredondasse o sabor. Estava correto, mas meu comentário foi que “poderia muito bem fazer isso em casa”. Parece não haver truque algum no preparo, fora juntar o abacaxi, o camarão e flambar na cachaça. Quando vou a restaurantes bons, espero sempre comer coisas que não conseguiria reproduzir em casa. O arroz que acompanha também é assim: um arroz branco comum misturado com gergelim preto e dourado tostados levemente. Parece elaborado, mas é simples. Finalmente, a porção é supostamente para dois, mas ambos teríamos comido um pouco mais, mesmo após duas entradas.

A sobremesa foi um sorvete de creme com morangos flambados e molho picante. Aqui a coisa voltou a ficar boa, achamos a combinação fora de série. O molho é feito com melado e pimenta malagueta e tem a consistência um pouco mais espessa do que geléia, mas não sei se posso acreditar nos ingredientes, porque a garçonete castelhana que nos atendeu, embora competente, estava de má-vontade naquela noite.

Se voltar ao Lua Marinha no próximo verão, vou considerar seriamente pedir apenas entradas e sobremesas, já que as entradas não parecem muito menores do que os pratos principais e são mais interessantes. Ceviche de polvo está na lista. No mais, a má-vontade da garçonete e o pão dormido realmente incomodam quando a conta de um jantar para dois com bebida e 10% fica em R$ 288. Detalhes desse tipo acabam manchando uma experiência que foi no geral muito boa.

LUA MARINHA
Estrada Geral de Ibiraquera (siga as placas) – Mapa
48 3354-0543

Urucum

Há grandes chances de que o Urucum seja o melhor restaurante na região de Garopaba, uma colônia litorânea gaúcha em Santa Catarina. A cozinha da pousada Solar Mirador produz excelentes risotos e pescados e o cliente ainda pode admirar uma das melhores vistas da Praia do Rosa de uma imensa plataforma, enquanto bebe um aperitivo e aguarda a comida. A pousada em si é também muito bonita.

Os pratos servem duas pessoas e custam em torno de R$ 80. Sugiro encomendar uma entrada e um prato principal para duas pessoas, ou dois pratos principais para uma mesa com três. Começamos com o risoto Ilha do Mel: lula, polvo, camarão, coentro, tomate, alho, suco de laranja e cachaça envelhecida. A primeira garfada foi uma surpresa. Não esperava, sinceramente, um risoto tão bom. É perfeitamente úmido e o sabor aciona todos os tipos de papilas gustativas.

Em seguida, veio o robalo assado em folha de bananeira com vinagrete de doce de goiaba e purê de ervilhas. Outro prato excelente. O robalo assado por 50 minutos dessa maneira retém um gosto marinho pronunciado — até pronunciado demais para mim. O peixe é acompanhado de fatias de batata doce assada, bem crocantes, salpicadas com urucum. Ficam ótimas embebidas no molho.

A carta de vinhos é pequena, mas há boas opções. Escolhemos o clarete espanhol Tremendus, da vinícola Honorio Rubio. É um vinho de cor salmão, cujo mosto de uvas garnacha e viura passa uma noite macerando antes de seguir adiante no processo de fermentação. Bastante leve, sem ser suave. Custou uns R$ 10 a mais do que o preço de R$ 45 nas importadoras, ou seja, o Urucum não ganha muito em cima dos vinhos.

Gostaríamos de ter pedido sobremesa, mas desistimos quando o garçom informou levarem meia hora para cozinhar um prato de frutas flambadas na cachaça ou banana flambada com sorvete de creme. O brownie levaria apenas dez minutos, mas era comum demais para valer a pena. Talvez estivessem demorando tanto nas sobremesas porque havia pouca gente no restaurante, ou porque fosse tarde, e fosse preciso começá-las do zero; ainda assim levar 30 minutos para flambar qualquer coisa parece mais um eufemismo para “por favor, vá embora, estamos querendo fechar”. Por outro lado, o atendimento é simpático e eficiente.

Se estiver aproveitando alguns dias na Praia do Rosa ou em Garopaba e quiser investir num bom jantar, vá ao Urucum. Fica aberto o ano todo. Você não vai se arrepender.

URUCUM
Estrada Geral da Praia do Rosa – Mapa
48 3355-7330 ou 3355-6144

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