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Francesco Bistrô

O Francesco, aberto em 2008, é um dos poucos estabelecimentos a usar corretamente o nome “bistrô” em Porto Alegre. A casa de Michel Vallandro — o Francesco do nome é seu filho — serve no almoço de segunda a sexta e no jantar de quinta a sábado um menu a preço fixo (R$ 57 por pessoa à noite), cujo pratos são definidos pelo chef com base na oferta de produtos no mercado. As opções dadas ao cliente à noite são saber os pratos com antecedência ou ser surpreendido. E só. A comida é boa e farta, o atendimento é um dos melhores que já me foram dispensados e o ambiente é muito simpático, especialmente nos dias mais quentes, quando as mesas no pátio ou na rua, sob o túnel verde da Gonçalo de Carvalho, podem ser usadas.

Na noite em questão, infelizmente, Vallandro estava acometido de gripe e não pôde apresentar as duas entradas, dois pratos principais e sobremesa do cardápio. Deixou, porém, uma sugestão de vinho, o rosé da vinícola Milantino, de Encruzilhada do Sul. Bom vinho ao razoável preço de R$ 43. Pedimos o couvert, com pão tostado na chapa, caponata, gorgonzola, terrine de fígado, geléia de ameixa e manteiga. Uma boa combinação, especialmente da geléia com a terrine de fígado. A caponata é uma das melhores que já provei em restaurantes — ainda não achei uma que supere a minha receita. Apenas o pão poderia ser menos tostado; as pontinhas queimadas dão um bonito visual, mas predominam demais no sabor.

A primeira entrada foi uma salada verde com molho de mostarda de Dijon, ovo poché e cubos de bacon. Parece estranho à primeira vista, mas o sabor untuoso da gema escorrida sobre as folhas e a crocância do bacon casam perfeitamente. A segunda entrada foram frutos do mar grelhados ao molho dos marinheiros. Basicamente, mexilhões, berbigões, polvo, camarões grandotes e talvez algum outro marisco que não tenha sido capaz de identificar, servidos em uma pequena torre sobre um molho de ostras, camarão e mexilhão. Excelente consistência dos frutos do mar, mas o molho em minha opinião poderia ter uma pitada de sal a menos.

O primeiro prato principal foi um filé de peixe marinho cujo nome soou como “lot” sobre um espaguete de cenoura com molho de capim santo. Conforme o garçom, trata-se de um peixe de fundo do mar, que se alimenta somente de camarão. De fato, o bichinho tinha uma ótima carne, bastante densa. Destaque para o espaguete de cenoura, al dente e substituindo a massa  — note que era feito apenas com cenoura, não um espaguete alaranjado com cenoura — e acompanhando o peixe com perfeição. O segundo prato principal foi um entrecôte de porco com batatas gratinadas. A carne estava num bom ponto, rosadinha, mas um pouco dura. Nota dez, porém, para o gratin de verdade, tradicional, não meras batatas cobertas por parmesão ou catupiry.

A sobremesa foi uma tortinha de maçã com sorvete de creme e lascas de castanha-do-Pará, polvilhada com canela. Um bom fecho clássico para a refeição. O garçom nos ofereceu uma infusão de funcho, hortelã e capim santo feita com ervas frescas, pela qual o Francesco merece elogios. É raro encontrar chá de verdade em restaurantes. Para finalizar, o famoso limoncello feito segundo a receita da avó de Vallandro.

Um detalhe a ressaltar é a extrema gentileza de todos os funcionários do Francesco. Jamais cruzam a tênue linha entre o atendimento atencioso e a simpatia forçada. Eles também empregam o provavelmente mais bem-educado segurança de Porto Alegre. Mais restaurantes deveriam investir nesse aspecto da experiência.

Dica: não custa nada reservar uma mesa, especialmente em dias agradáveis, porque o lugar é pequeno. Eles seguram as reservas até as 20:45.

FRANCESCO BISTRÔ
Rua Benjamin Flores, s/n, esquina com a rua Gon̤alo de Carvalho РMapa
51 3072-1365

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