Lojas físicas precisam se reciclar

Essa semana uma experiência nas lojas Colombo do Iguatemi cristalizaram uma certeza: não vale mais a pena comprar eletrônicos em lojas tradicionais. Estava procurando um Home Theater e lá um vendedor apresentou um modelo interessante. Após uma pesquisa no HT Fórum e nas resenhas da CNET, aquele modelo emergiu como o de melhor custo/benefício.

Porém, uma tomada de preços em lojas eletrônicas indicou que, embora o produto estivesse sendo vendido por um valor razoável na Colombo, o Submarino oferecia por cerca de R$ 300 a menos. Ao ser questionado sobre isso numa segunda visita, o vendedor da Colombo emendou a maior engambelação:

— No Submarino eu encontrei esse mesmo aparelho R$ 300 mais barato.
— É que essas lojas eletrônicas não têm de pagar aluguel, então podem fazer um preço menor.
— Sim, mas será que vocês podem chegar num valor parecido?
— Não tem como, mas comprando aqui o senhor tem mais segurança, caso dê algum problema. Basta vir até a loja. Pela Internet, se o produto tiver algum defeito, fica mais difícil resolver.
— Bom, aqui tem a vantagem de que não preciso esperar, posso levar hoje mesmo o aparelho…
— Na verdade, o senhor estaria recebendo ele amanhã em sua casa…

O diálogo é chocante. Primeiro, porque o vendedor tenta enganar o cliente apelando para o medo e a incerteza — e isso que o Submarino é uma empresa grande e de idoneidade reconhecida. A vontade era chamar o Procon para autuar a Colombo. Devem estar muito desesperados para usar esse tipo de recurso. Isto é, pelo jeito estão perdendo muito mercado para o comércio eletrônico. O que torna ainda mais estranho o fato de não oferecerem ao cliente uma das poucas vantagens, senão a única, que as lojas físicas mantém: sair de lá com o produto embaixo do braço. Francamente, por que alguém deveria comprar na Colombo, se é mais caro, tentam lhe enganar e ainda por cima é preciso lidar com toda a incomodação de uma entrega em domicílio?

No livro A Cauda Longa, Chris Anderson mostra como o comércio eletrônico está subvertendo o mercado de certos bens, sobretudo bens culturais, eletrônicos e eletrodomésticos. Ao eliminarem a necessidade de um espaço físico caro em um shopping center ou no centro da cidade, as lojas eletrônicas podem ainda colocar um catálogo bem mais amplo à disposição dos clientes. É claro, o cliente às vezes precisa se dar o trabalho de ler resenhas e analisar os manuais dos produtos para verificar se são o que está procurando, além de ter de esperar para recebê-los, mas a diminuição nos preços e o fato de não ter de agüentar esse tipo de papinho de vendedores compensa.

A grande questão talvez seja a confiança, no fim das contas. Muita gente, sobretudo quem não cresceu usando a Internet, desconfia de compras em que não pode lidar com algum ser humano ou não sabe onde pode ir para reclamar verbalmente. Outros acham que é perigoso dar o número do cartão de crédito nessas transações. Mas é tudo falta de costume, mesmo.

Em primeiro lugar, transações eletrônicas são bastante seguras, porque a maioria das lojas não guarda o número dos cartões em seus bancos de dados. Numa loja física, por outro lado, o vendedor sempre fica com um boleto cheio de informações do cliente e um cadastro com seus dados pessoais. A ausência de intermediação humana é mais confiável no fim das contas, até porque, como dizia Kevin Mitnick, “a engenharia social supera todas as tecnologias, inclusive firewalls”.

Quanto à confiabilidade à qual o vendedor se referiu, é besteira. Claro, devolver um produto a uma loja eletrônica é um pouco mais difícil do que o método tradicional, mas o resultado é o mesmo. Além disso, casos de lojas físicas inventando desculpas para não fazer trocas são abundantes. E o Código de Defesa do Consumidor também se aplica à Internet. Convém, no entanto, fazer compras em grandes redes, cujos sistemas são provavelmente mais seguros. Se pretende comprar um produto de um vendedor qualquer no Mercado Livre, vale mais a pena usar transferência bancária ou Sedex a cobrar. E fugir de negócios que pareçam bons demais — como, aliás, todos deveriam fazer também no comércio tradicional.

18 ideias sobre “Lojas físicas precisam se reciclar

  1. Guilherme

    Eu concordo sobre a vantagem de comprar online. Mas daí a dizer que o Submarino tem “idoneidade reconhecida”… Forçou o argumento, né?

    http://www.google.com.br/search?q=pedrastation+submarino

    A vantagem de comprar na Colombo é que tu pode pegar a PEDRA que te venderam como um PS3 e, sei lá, atirar na vitrine. Ou te plantar na porta da loja com a caixa aberta, o “PS3” e a nota fiscal da loja pra quem quiser ver. Já no Submarino, a coisa fica mais complicada. E é por isso sim que eles tem q cobrar 300 reais mais barato. Seria, digamos, o Custo-Submarino.

    []’s
    Guilherme

  2. Träsel Autor do post

    Será grande vantagem, mesmo? Afinal, jogar a pedra na vitrine não vai resolver o problema. E acho que o achincalhamento da loja é mais eficiente num blog do que ficando postado lá com a pedra.

    De qualquer maneira, o caso do Pedrastation foi resolvido, o sujeito recebeu o dinheiro de volta, embora tenha demorado. Sigo achando que nesse quesito dá no mesmo comprar em loja eletrônica ou física.

  3. Alexandre Moraes

    Cara.. na Colombo realmente eles acreditam nisso. Tanto que eu vi uma impressora na loja por R$ 349,00. No site da Colombo custava R$296,00. Em ambos os casos era entrega a domicílio.

  4. Charles

    Marcelo, quer uma dica? Se você quer preço baixo nunca vá na Colombo. Se você comparar os preços dela com outras lojas ela só perde para a Manlec no quesito “preço alto”. O que eu costumo fazer é procurar na rede pela melhor oferta, imprimir, e ir negociar nas lojas, e sempre dá certo. Ah sim: geralmente o pessoal da Magazine Luíza é o que mais se coça para tentar te vender algo. Já saí da loja pagando 600 reais por um produto que estava sendo vendido por 800.

  5. GBRL

    As lojas passam a cagar pra ti depois que tu pagou e assinou o papelzinho que diz que a mercadoria foi entregue. Após isso, é com o fabricante. Te vira, magrão.

    Pela internet, ao contrário, o consumidor tem até 7 dias pra devolver o produto sem precisar dar nenhuma explicação.

  6. Mauricio

    Prezado Marcelo Träsel

    A Rede Spoiler o congratula pelos Prêmio Spoiler de MELHOR EDITOR/REDATOR divulgado nessa manhã. Seu nome foi eleito em enquete feita com mais de 1500 leitores. Parabéns

  7. André

    Eu não acredito nessa história da pedra. Cheira a golpe pra ganhar dinheiro fácil. Prontofalei.

  8. Antero - Seu Boga

    Sobre o artigo…é uma verdade a necessidade de uma revisão de muitas lojas sobre a forma de vender e atender seus clientes…principalmente lojas que vendem produtos de tecnologia…que por si só ja carregam uma competição de ofertas e modelos muito grande…

    Sobre o texto…e por falar em internet…um “produto mundial”…é sempre bom “se localizar” o fato narrado, loja Colombo, certo…Iguatemi??? O que é isso, muita gente pode não saber…e de onde??? existem Iguatemi em varios estados da federação….

    Parabens…

  9. phramxiskho

    apenas ressaltando: quanto à necessidade de troca ou devolução, só tive essa necessidade uma vez, e no proprio submarino. não houve dificuldades: os correios vieram a minha casa com a requisição, levaram o produto em questão e não houve a menor dificuldade (exceto o tempo propriamente necessário de ida e vinda), que desabonasse a loja eletronica. ao contrario das físicas, que sempre me trouxeram grandes dores de cabeça. hoje sou um comprador virtual e não me arrependo de modo algum. recomendo cautela e muitíssima atenção. somente.

  10. oneide

    Afinal comprou o produto? se comprou mais detalhes.
    preço quem regula eo mercado, se a colombo quer vender a 500r$ a mais e problema dela não sabemos os custos dela.

  11. FrankCastle

    Realmente as lojas físicas estão indo ladeira abaixo.

    O maior benefício de comprar algo na loja física, é realmente ter o produto a pronta entrega e em algumas lojas, a possibilidade de poder testar um eletrônico, ver suas funções, mas as vantagens acabam por aí.

    Concordo que o contato direto com o produto é uma coisa boa, mas na internet, temos muito mais informações e detalhes nos sites. Eu, por exemplo, se vou comprar um tênis, faço pesquisa, já chego na loja perguntando o número, a cor e o modelo que vou querer levar, muitos vendedores se assustam pelo fato de eu falar o modelo exato e não só a marca. Ou seja, eu não quero pilhas de calçados, eu quero “esse” ou então, dou meia volta e vou embora.

    As lojas pecam também neste quesito: Variedade. Nos sites, há uma grande gama de cores e modelos dos produtos. Nos dá uma sensação de escolha bem maior, pois em lojas temos que escolher apenas dentre os produtos que lá estão.

    Outro ponto fraquíssimo das lojas: o fator humano.
    Se tem um emprego que nunca aceitei e provavelmente nunca vou aceitar é o de vendedor. Sei que existem pessoas qualificadas, mas infelizmente são a minoria. Para mim, o atendimento na hora de comprar conta muito, não é raro eu boicotar a loja por causa de mal atendimento. Geralmente o que vejo em muitas lojas são vendedores mal treinados, sem conhecimento, querendo nos enrolar, com má vontade para testar produtos ou dar informações.

    Se eu pudesse, compraria TUDO pela internet, só para não ter contato com vendedores. Eu particularmente, me sinto mais a vontade na loja sozinho, vendo e mexendo no produto, pois geralmente ao entrar lá, já tenho muito mais conhecimento sobre o produto do que o vendedor, ou seja: ela não me ajudará em nada (na verdade irá me atrapalhar)

    O que dificulta ainda nas vendas online são os preços e prazos de entrega, mas mesmo assim, estou muito satisfeito com a evolução das lojas. Ainda existem pessoas desonestas, mas a grande maioria das lojas de verdade, mesmo as pequenas, tem pessoas querendo vender seu produto honestamente com a melhor qualidade possível para seu cliente.

    Lojas Físicas ainda são um mal necessário, mas com certeza se continuarem só no “Físico” irão ter um enorme prejuízo, desde livrarias, lojas de eletrônicos até supermercados já estão com lojas virtuais também, quem ficar só no “físico” se dará mal.

  12. Paola

    Caí já no conto d”a loja física é mais segura, blablabla”. Me mudei recentemente pra Sao Paulo e compramos uma mesa da Tramontina na Comlines em Porto Alegre e to HÁ TRÊS SEMANAS esperando a mesa aqui e nada. ligo pra loja e nem à merda não me mandam.
    ALIÁS: NAO COMPRE NA COMPLINES.

  13. Pingback: Comércio eletrônico x Comércio local (loja física) « Dimiguel - desenvolvimento web

  14. Pingback: vestiário/rapidinhas : Lojas físicas já estão ficando obsoletas

  15. samuel

    atualmente só tenho utilizado as lojas físicas pra ver o produto pra ter certeza de que ele é realmente o que eu quero. Depois disso, chego em casa e compro pela internet. Já experimentei até tênis em lojas pra ter certeza de que aquele era o tamanho que eu queria e depois faço a aquisição virtual.

  16. josé maria caminha

    Já vou falar do meu defeito de cara , para poupar o tempo de quem queira ler o que tenho a dizer : SOU COMERCIANTE !
    Acredito que a discussão aqui é do tipo NÓS e ELES !!!
    Nós ( no caso vocês) , os consumidores que somos enganados todo o tempo por pessoas que nos acham bobas e não tem a mínima consideração …
    Eles (pertenço a esse grupo , pois AINDA tenho um comércio), insensíveis , multimilionários , e por aí vai ….
    Bom , como todos sabemos , as micro e pequenas empresas é que mais empregam no território nacional e pagam impostos para isso!
    O futuro é inevitável , acho que as lojas virtuais vieram para ficar mas temos (agora falo no coletivo) que estar cientes que há uma equação que trará conseqüencias para todos nós , a saber:
    MENOS VENDAS = MENOS LUCRO = MENOS EMPREGO = MAIS DESEMPREGO …
    Ou seja, também quero comodidade , menor preço e coisa e tal , mas terei que viver com as conseqüencias disso .
    Não seria melhor lutar para que as lojas de rua melhorassem o atendimento , criassem sistemas de fidelização com descontos e por aí vai ????
    Tenho uma loja de bicicletas e todos os clientes são encorajados e testar os produtos (bicicletas ) antes de comprar .Será que dará para fazer isso em uma loja virtual ?
    Quem atenderá no caso de um a compra mal feita ? (Ande em uma bicicleta de tamanho padrão se você tiver mais de 1,80 m e saberá o que estou falando !)
    Tudo tem dois lados ! Saibamos enxergá-los !

  17. Diego V.

    Veja bem: E se você não tivesse ido até a loja colombo? Como você conheceria (materialmente) o produto que você almejava comprar? Você não acha que: é muita malandragem, ir até uma loja física, conhecer o produto (de fato) e ir na internet pesquisar sobre e querer pechinchar na loja??? Sacanagem!! Vai na loja só pra conhecer e depois compra na internet? me desculpe, mas…. então pesquise preço entre lojas físicas a diferença de preço! pq internet!?!?!!? Manda dinheiro pra São Paulo, pra pagar mais barato? Assim você tira dinheiro de circulação da economia local, que gera emprego, renda pra região e manda para os paulistanos: Você vai ver onde isso vai acabar, lá na frente!

  18. Träsel Autor do post

    Diego, se você me apresentar um relatório de fornecedores da Colombo, comprovando que eles se esforçam em preencher o estoque com produtos de fornecedores locais, mesmo pagando um preço maior para manter o dinheiro circulando em nossa economia, eu prometo passar a comprar só em lojas físicas. Senão, continuarei enviando meu dinheiro para São Paulo ou Burkina Fasso ou onde for mais barato adquirir um produto.

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