Quem vive pequeno, morre pequeno

No dia 22 de fevereiro de 1943, a estudante alemã Sophie Scholl foi guilhotinada pela Gestapo em Munique, junto com seu irmão e outros membros do movimento Rosa Branca. A Rosa Branca era um movimento antinazista não-violento, de inspiração católica.

O leitor mais razoável estaria desculpado por considerar Scholl e seus camaradas um bando de insensatos, por enfrentarem de peito aberto o nazismo quando ainda havia uma possibilidade muito real de o Terceiro Reich vencer. Para essas pessoas, o trecho abaixo dos escritos da estudante pode inspirar reflexão:

O verdadeiro dano é causado por aqueles milhões que querem “sobreviver”. Os homens honestos que só querem ser deixados em paz. Aqueles que não querem as suas pequenas vidas perturbadas por algo maior do que eles próprios. Aqueles que não têm lados nem causas. Aqueles que não tomam medida de suas próprias forças, por medo de antagonizar suas próprias fraquezas. Aqueles que não gostam de fazer marolas – ou inimigos. Aqueles para quem liberdade, honra, verdade e princípios são apenas literatura. Aqueles que vivem pequenos, se casam pequenos, morrem pequenos. É a abordagem reducionista da vida: se você a mantiver pequena, você a manterá sob controle. Se você não fizer barulho, o bicho-papão não o encontrará. Mas é tudo uma ilusão, porque eles também morrem, aquelas pessoas que enrolam seus espíritos em bolinhas minúsculas, para estarem seguras. A salvo?! De quê? A vida está sempre à beira da morte; ruas estreitas levam ao mesmo lugar que avenidas largas, e uma pequena vela se extingue da mesma forma que a tocha ardente. Eu escolho o meu próprio jeito de queimar.

Por que me lembrei disso hoje? Sei lá.

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