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Felipe Vieira está me processando

Os representantes legais de Felipe Vieira, apresentador da Rede Bandeirantes, apresentaram uma queixa-crime por injúria e difamação contra mim.

O processo não corre em segredo de justiça, conforme informações disponíveis no TJ-RS na tarde de hoje. Portanto, sinto-me no direito e no dever de colocar a queixa-crime produzida pelo escritório Campos Advocacia Empresarial e assinada pelo advogado Norberto Flach à disposição dos leitores.

Queixa-crime

Imprensa, público, comensalismo e simbiose

Um estudo do ecossistema noticioso de Baltimore, publicado pelo Project for Excellence in Journalism, descobriu que 95% das informações novas veiculadas na imprensa durante uma semana vieram da mídia tradicional, sendo a maioria do jornal. Além disso, verificou-se que 80% das notícias simplesmente reapresentaram informação já conhecida. Quase metade da informação nova foi divulgada pelo Baltimore Sun, o principal jornal da cidade.

A pesquisa traz importantes indícios para investigar as causas do declínio da imprensa como indústria e de como reinventá-la.

O papel das redes sociais e weblogs no ecossistema noticioso, conforme o estudo, é servir principalmente como sistema de alerta e repercussão da informação desencavada pelas redações de jornais e reproduzida nos websites jornalísticos.

Ainda assim, um dos seis principais temas do noticiário na semana abordada pelo estudo foi disparado por um blog independente. O autor do Maryland Politics Watch percebeu no website da Procuradoria distrital uma consulta da empresa de transporte público do Estado de Maryland sobre a possibilidade de instalar microfones para supervisionar as conversas de passageiros. Os veículos de imprensa local começaram a perseguir a pauta logo em seguida. O blogueiro não entrevistou ninguém, apenas o repórter do Baltimore Sun tomou esse trabalho. O resto da mídia, aparentemente, apenas copiou e colou — sem creditar.

O caso mostra o quanto é fundamental a participação do público no atual ecossistema noticioso. Um cidadão ser o responsável por iniciar uma das principais coberturas semanais em uma cidade grande não é pouca coisa. O estudo dá a impressão de menosprezar um tanto o trabalho do blogueiro, embora ele tenha sido fundamental. A cadeia causal gerada por seu comentário acabou por matar no berço a idéia vigilantista da empresa de transporte público da região.

Os críticos podem dizer que não houve esforço de reportagem real do blogueiro, Paul Gordon, porque ele não entrevistou ninguém, apenas apontou um link. Há aí dois problemas de avaliação. Primeiro, não é papel do público entrevistar fontes. Isso é papel dos jornalistas. Se um leitor por acaso se dá esse trabalho, ótimo, mas cobrar o mesmo nível técnico dos profissionais em material produzido por colaboradores ou jornalistas amadores é um contrasenso — a não ser que os jornalistas estejam realmente querendo abdicar de sua profissão. Em segundo lugar, descobrir uma informação nova é a parte mais importante do processo de reportagem. Sem um furo, ninguém sai do lugar. Portanto, o Gordon realizou a parte principal do trabalho — o que, aliás, deveria ser motivo de humilhação para toda a imprensa de Baltimore.

Muitos websites jornalísticos e weblogs divulgaram informações coletadas por outros sem fornecer os devidos créditos, além disso. Esse dado corrobora uma opinião que emiti recentemente em entrevista ao Alec Duarte: não existe mais informação exclusiva. O Baltimore Sun levou três dias para perceber o texto no Maryland Politics Watch, mas outros websites levaram poucas horas para replicar a informação do Baltimore Sun. A imprensa como um todo ignorou a nota no website da Procuradoria por um mês. Se não fosse por Gordon, o público correria o risco de saber do projeto de vigilância apenas quando já estivesse implantado.

Apesar de não existir mais informação exclusiva, ainda existem enfoques exclusivos. A imprensa deveria investir naquilo que as redes sociais e weblogs não podem investir: encontrar fontes que tragam novos argumentos e pontos de vista sobre os acontecimentos. Infelizmente, a julgar pelos resultados do estudo, não parece ser essa a abordagem dos jornais. A maioria das novas informações no período estudado teve como ponto de partida a administração pública ou organizações. Foram muito poucas as informações novas provenientes de fontes descobertas por iniciativa de repórteres.

Os jornais devem aprender a direcionar melhor o inegável poder de fogo que mantêm, mesmo após 20 anos de World Wide Web. Há cerca de dez anos, pensava-se que a essa altura o jornal impresso estaria morto ou em coma avançado. No entanto, continua sendo o principal produtor de informação. Porém, o estudo também mostra que tem sido produzida cada vez menos informação nova. Os jornais são vencedores numa competição de várzea, não numa Copa do Mundo. Isso pode explicar o declínio da indústria e a necessidade de reinventá-la.

O caminho para a reinvenção, a meu ver, é unir o potencial do público em levantar pautas com a técnica de reportagem e narrativa dos jornalistas. Os jornais devem criar sistemas de captação de informação gerada pela comunidade e, ao mesmo tempo, partir do princípio de que toda informação estará disponível imediatamente a toda a concorrência. Devem tomar essa informação como base e passar a investir mais na repercussão com fontes inusitadas, que dêem um enfoque especial para cada veículo, em vez de reproduzir as mesmas aspas disponíveis em todo o ecossistema midiático.

A relação entre imprensa e o público dotado de acesso às redes sociais e ferramentas de publicação ainda é de comensalismo: os dados da pesquisa mostram que, em geral, weblogs e redes sociais reaproveitam a informação gerada pelas redações. Manchetes e links são distribuídos e trechos são comentados Web afora, mas as redes sociais raramente produzem notícias.

Alguns poderiam considerar isso parasitismo, mas, apesar do que dizem os Rupert Murdochs da vida, a distribuição e repercussão das notícias não causa mal algum aos jornais e, às vezes, pode beneficiá-los. O parasitismo existe, é claro, mas geralmente se dá entre jornalistas. O caso do Maryland Politics Watch, aliás, mostrou que a imprensa algumas vezes parasita os blogs e redes sociais, reproduzindo informação sem fornecer os devidos créditos.

A atual relação de comensalismo entre imprensa e público, na qual o público é levado a reboque pelos jornalistas, como as rêmoras e os tubarões, deveria se tornar uma relação de mutualismo, na qual os dois agentes se beneficiassem. Quem sabe, até mesmo evoluindo um dia para uma relação de simbiose. O público tem muito com que colaborar, mas as redações precisam se abrir a essa colaboração.

Algumas entrevistas dos últimos tempos

Enquanto não arranjo tempo para escrever um texto um pouco mais elaborado, fiquem com opiniões expressas em entrevistas sobre alguns assuntos relacionados à cibercultura nas últimas semanas:

Autor de ‘hit’ contra empresa aérea dá dicas para reclamar no You Tube

Saiba os cuidados que blogueiros devem ter na hora de fazer campanha na rede

Tom e conteúdo oficiais atrapalham Blog do Planalto, dizem blogueiros

Fora Sarney: da internet para as ruas

A imprensa contra o blog da Petrobras

No próximo final de semana estarei em Curitiba, participando do XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Apresento o trabalho Comunicação mediada por computador e newsmaking: o caso do blog da Petrobras na tarde de sábado, na mesa “Interações na blogosfera” do GP de Cibercultura, na sala 215 do bloco azul da Universidade Positivo. Se algum leitor estiver no Intercom, apareça na sessão e aproveite a oportunidade rara de me criticar ao vivo.

Sarney faz propaganda enganosa

Reproduzo abaixo uma mensagem enviada ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária por meio do formulário de contato do site há várias semanas, até hoje sem resposta:

Prezados,

Sou jornalista, professor de comunicação da PUCRS e edito um blog sobre tecnologia e cultura, hospedado em http://trasel.com.br/blog.

Gostaria de questionar o CONAR sobre o enquadramento de propaganda realizada em redes sociais como Orkut e comentários de blogs. Pretendo publicar as respostas em meu blog e como orientação para meus alunos de Publicidade.

Ofereço como exemplo o caso das ações de uma equipe contratada pelo jornalista Álvaro Lins, que tem publicado comentários falsos em comunidades do Orkut, Twitter e outros sites de redes sociais. Há provas da publicação de tais comentários falsos no link abaixo:

Empresário que montou equipe para salvar imagem de Sarney participou da campanha de Collor em 1989

Considerando o artigo primeiro do código do CONAR:

“Todo anúncio deve ser respeitador e conformar-se às leis do país; deve, ainda, ser honesto e verdadeiro.”

Gostaria de saber a posição do CONAR sobre as seguintes questões:

1- Comentários publicados por uma equipe contratada para divulgar algum tipo de informação em redes sociais, blogs, fóruns eletrônicos e outros tipos de ambientes de interação na Web podem ser considerados anúncios?

2- Comentários realizados sob pseudônimos neste tipo de ambiente, com o objetivo de levar o leitor a interpretá-los como observações espontâneas de outros internautas, podem ser considerados propaganda enganosa?

3- Caso as respostas às duas primeiras questões sejam positivas, qual seria o procedimento para denunciar os responsáveis pela propaganda enganosa em redes sociais e blogs?

Obrigado.

A equipe contratada pelo senador José Sarney para levar adiante uma estratégia de desinformação da sociedade, através do uso de redes sociais e outros canais conversacionais de comunicação, está infringindo claramente o código de ética auto-imposto pelos publicitários brasileiros. Mais do que isso, Sarney e sua equipe estão infringindo também o Código de Defesa do Consumidor:

Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.

Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem.

Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.

§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.

Será que isso não configura quebra de decoro parlamentar?

Em todo caso, é apenas um exemplo de como os formatos conversacionais de comunicação mediada por computador têm sido usados muitas vezes de forma antiética por empresas, agências de publicidade e, agora, políticos. A tentação de se aproveitar do relativo anonimato na Internet para ludibriar o cidadão, fazendo-o depositar mais fé numa informação do que ela merece, é, de fato, quase irresistível. No entanto, como o caso acima mostra, a mentira tem perna curta em um mundo hiperconectado. Dificilmente passa despercebido, dificilmente não vaza o uso antiético de ferramentas de mídia social.

Porém, vazar, apenas, não basta. Os órgãos reguladores, como o CONAR e a Delegacia do Consumidor, devem adaptar seus métodos e passar a fiscalizar também esse tipo de publicidade. É claro, a linha entre a publicidade e a expressão espontânea de pontos de vista é tênue nas mídias sociais. Como separar um consumidor evangelista de um perfil falso num fórum eletrônico, ou de um splog? Dica: se a pessoa está publicando opiniões na Web sob contrato com qualquer empresa, trata-se de publicidade e, portanto, a atividade deve estar sujeita às regras do setor.

As mídias sociais ainda não entraram no radar dos órgãos reguladores. Casos como a equipe de desinformação do Sarney devem levar a punições, sob pena de a propaganda de má-fé criar um ambiente de deconfiança ainda maior em relação a conteúdos publicidados na Web. Se isso acontecer, todos saem perdendo: a sociedade, porque a Internet é uma ferramenta essencial para o compartilhamento de informação e mobilização da opinião pública no processo democrático; os proprietários de canais de mídias sociais, porque depreciam seu principal ativo, credibilidade; e os anunciantes, no fim das contas, porque esse tipo de tática sempre acaba saindo pela culatra.

Observe-se o que houve com os blogs, por exemplo. Assim que o formato se tornou popular e começou a ganhar influência na Web brasileira, empresas e agências de publicidade começaram a oferecer dinheiro a autores de blogs para comentar seus produtos. Difícil saber a real extensão da prática, mas o estrago na credibilidade dos blogs foi enorme. Chegou-se a um ponto em que quase ninguém pode publicar uma resenha de qualquer coisa sem gerar desconfiança no leitor. O Guilherme Valadares chegou a criar uma campanha pela transparência online, adotada por vários blogueiros preocupados em resguardar sua credibilidade.

Portanto, se o Conselho de Autorregulamentação Publicitária puder fazer a gentileza de responder às perguntas enviadas, ou ao menos começar a pensar no assunto a partir desse caso, todos sairão ganhando. Essa é a missão do CONAR, não?

Um prego no caixão da democracia

Rodrigo Alvares, o último membro da orquestra a abandonar o navio, decidiu hoje encerrar o blog A Nova Corja. Por um ou dois anos fui membro da trupe, certamente um dos menos dedicados, mas pude ao menos compartilhar a alegria de fazer reportagem política incondicional, no melhor estilo “jornalismo é oposição, o resto é balcão de secos e molhados”. Desejo a todos os jornalistas que tenham essa experiência ao menos uma vez na vida.

O motivo principal para o encerramento das operações é o desânimo causado pelos processos de Políbio Braga, Felipe Vieira e Banrisul. Não que os processos metessem medo. O problema é que eles custam dinheiro, mesmo quando o juiz decide a seu favor, e, principalmente, tomam muito tempo. Todos os membros atuais e antigos da Corja têm empregos e famílias para cuidar. O jornalismo político era algo como uma prestação de serviços à sociedade, um voluntariado. Quando os poderosos foram perturbados e resolveram se aproveitar do Judiciário para tentar calar a Corja, porém, a sociedade mostrou-se incapaz de ajudar. O tempo livre antes dedicado ao jornalismo passou a ser dedicado a defender-se da litigância de má-fé. Algumas famílias até mesmo sofreram ameaças.

Algumas lições importantes podem ser tiradas desse caso. Primeiro, percebe-se que o bom jornalismo ainda faz diferença. A luz do dia incomoda aos poderosos e, no contexto da comunicação em rede mediada por computador, está ao alcance de qualquer cidadão expor os fatos ao sol. É o que chamo de webjornalismo cidadão, uma prática cada vez mais incensada como panacéia para os problemas do jornalismo. Pois bem, esse caso mostra os limites do webjornalismo cidadão.

Expostos ao sol, os políticos e sua entourage costumam sentir-se acuados e apelam ao Judiciário para tentar calar seus inimigos. Não precisam nem mesmo vencer um processo: os trâmites legais em si mesmos já têm um enorme poder disruptivo sobre o trabalho de pessoas que não vivem para a política e precisam se dedicar à vida real. Repórteres funcionários de empresas de comunicação podem contar com o setor jurídico para defendê-los nestes processos e seguir com sua rotina produtiva. Também não precisam pagar os custos judiciais. Repórteres amadores ou sem apoio institucional, por outro lado, são alvos fáceis para a intimidação jurídica.

Casos desse tipo de intimidação têm se acumulado. À medida que os canais disponíveis para a manifestação do cidadão se multiplicam e ganham influência, políticos e empresas — especialmente aqueles envolvidos em atitudes imorais, antiéticas ou ilegais — passam a combater a liberdade de expressão com o instrumento favorito dos canalhas: a Justiça. É lamentável que as leis possam ser usadas em prejuízo da democracia, mas o Estado de Direito ainda é preferível à barbárie. Cabe à sociedade fiscalizar e organizar-se para impedir ou diminuir esse tipo de tramóia.

Desde o primeiro processo iniciado contra a Corja, cristalizou-se em meu ponto de vista a necessidade de uma organização como a Electronic Frontier Foundation no Brasil. Seu objetivo seria a educação da sociedade quanto aos direitos e deveres do cidadão na Internet e também o apoio técnico e jurídico a repórteres amadores e demais vítimas de litigância de má-fé e outras injustiças. Um dia, quem sabe, a idéia sai do papel.

COP15 investe em webjornalismo participativo

A próxima Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, sediada em Copenhagen entre os dias 7 e 18 de dezembro, terá a participação de três blogueiros convidados — como aconteceu na reunião do G20 em Londres este ano.

Para selecionar os convidados, foi lançado o concurso mundial Th!nk about it, para o qual as inscrições estão abertas. É preciso enviar um currículo e uma carta de intenções em até 250 palavras. Até setembro, 81 candidatos serão escolhidos para fazer parte da competição. Estes deverão escrever três artigos mensais para o blog do projeto. A cada mês, três vencedores serão definidos pelo Centro Europeu de Jornalismo, um para cada categoria: qualidade, impacto e uso de multimídia nos artigos. Os três convidados para participar da conferência em dezembro serão escolhidos entre esses vencedores. Outros prêmios incluem iPhones, MacBooks e câmeras digitais. Os 81 selecionados também irão a Copenhagen em setembro, com tudo pago, para receber treinamento e uma câmera HD.

Obviamente, tudo deve ser feito em inglês.

Arqueologia da cibercultura

Relendo A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, publicado por Walter Benjamin em 1936, um trecho que passou despercebido nas leituras anteriores chamou a atenção na tese “Exigência de ser filmado”:

Durante séculos, houve uma separação rígida entre um pequeno número de escritores e um grande número de leitores. No fim do século passado, a situação começou a modificar-se. Com a ampliação gigantesca da imprensa, colocando à disposição dos leitores uma quantidade cada vez maior de órgãos políticos, religiosos, científicos, profissionais e regionais, um número crescente de leitores começou a escrever, a princípio esporadicamente. No início, essa possibilidade limitou-se à publicação de sua correspondência na seção “Cartas dos leitores”. Hoje em dia, raros são os europeus inseridos no processo de trabalho que em princípio não tenham uma ocasião qualquer para publicar um episódio de sua vida profissional, uma reclamação ou uma reportagem. Com isso, a diferença essencial entre autor e público está a ponto de desaparecer. Ela se transforma numa diferença funcional e contingente. A cada instante, o leitor está pronto a converter-se num escritor. Num processo de trabalho cada vez mais especializado, cada indivíduo se torna bem ou mal um perito em algum setor, mesmo que seja num pequeno comércio, e como tal pode ter acesso à condição de autor.

Não há quase nenhuma questão atual da Comunicação sobre a qual a Escola de Frankfurt não se tenha debruçado, ou ao menos comentado en passant. A citação de Benjamin resume a lógica da comunicação mediada por computador, cujo aprofundamento é responsável pelos debates em torno de webjornalismo participativo, blogs, Web 2.0, construção colaborativa do conhecimento e situação profissional do jornalista que hoje se travam.

Webjornalismo participativo no G20

Não deixem de acompanhar essa semana o G20 Voice, um webjornal participativo composto por 50 blogueiros convidados ao redor do mundo para ir a Londres com todas as despesas pagas, para cobrir o encontro das 20 nações mais ricas do planeta. Entre eles, Rodrigo Oliveira, do Nova Corja, o único brasileiro. O projeto é uma ação conjunta do governo britânico e de uma coalização de ONGs. O projeto recebeu de leitores ao redor do mundo 700 indicações, das quais saíram os 50 selecionados.

Trata-se talvez de um dos maiores reconhecimentos já recebidos pelos praticantes do jornalismo amador. O Partido Democrata já havia tratado blogueiros como VIPs durante as prévias que escolheram Obama como candidato, mas o objetivo então era a propaganda, não o jornalismo. Durante a preparação para a luta pelo governo francês, Sarkozy deu entrevista exclusiva para um blogueiro, mas apenas um e do mesmo lado do espectro político. No caso do G20, os blogueiros foram chamados não para repercutir as posições dos anfitriões, mas para botar os líderes da economia mundial contra a parede.

Vale a pena dar uma olhada também no Put People First, que agrega o material sobre o evento publicado em diversas ferramentas de compartilhamento de informação, como Twitter, Del.icio.us e Facebook. É o que se pode chamar de uma cobertura colaborativa.

Nova Corja é processada mais uma vez

A Nova Corja está respondendo a um novo processo por injúria e difamação. Desta feita, o reclamante é o jornalista Felipe Vieira, âncora da BandRS. Reproduzo abaixo o texto que a Corja está divulgando por correio eletrônico:

Depois dos processos cível e criminal movidos pelo jornalista e
advogado Polibio Braga contra Walter Valdevino, ex-integrante da Nova Corja, e da liminar movida pelo Banrisul contra o blog A Nova Corja, agora é a vez do jornalista e âncora da Band RS, Felipe Vieira, entrar com ação criminal contra Rodrigo Oliveira Alvares, Leandro Demori, Walter Valdevino Oliveira Silva, Mário Camera e Jones Rossi, todos integrantes ou ex-integrantes do A Nova Corja.

Como o blog acredita que a transparência total e irrestrita é o primeiro passo para a consolidação de relações mais éticas no Brasil, enviamos link da página criada exclusivamente para acompanhar as movimentações processuais.

Um abraço
A Nova Corja

Falo apenas por mim mesmo quando digo que esse negócio de jornalista processar jornalista é coisa de maricas.

Todo cidadão tem direito a processar um jornalista pelo qual se sinta difamado, caluniado ou injuriado. Jornalistas, por outro lado, têm à sua disposição tanto a habilidade quanto os meios para investigar um desafeto e expor todos os seus podres ao mundo como forma de retribuição. Embora tenham tanto direito a processar outros jornalistas quanto qualquer cidadão, arrastar o nome dos acusadores na lama parece uma atitude dotada de maior hombridade.

Quero crer que os Felipes e Políbios da vida também pensam assim, mas se deparam com o fato de que nenhum integrante da Corja deve nada a ninguém e ficam sem alternativa, senão recair na mais abjeta pusilanimidade.