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Websites e weblogs dedicados ao jornalismo guiado por dados

Há alguns meses, iniciei uma busca por websites e weblogs cujo foco principal fosse o jornalismo guiado por dados. A tarefa se mostrou bastante mais difícil do que se poderia imaginar. Com o falecimento dos blogrolls, infelizmente, desapareceu a curadoria espontânea produzida pelos autores de weblogs, que até a metade da década de 2000 oferecia conjuntos valiosos de referências sobre todos os assuntos blogáveis — ou seja, N+1 temas existentes no universo.

As ferramentas de busca não foram de grande ajuda, retornando resultados pífios, mesmo com o apoio de operadores lógicos. Muitos websites simplesmente não se apresentam como focados em jornalismo guiado por dados. Por outro lado, como são especializados, terminam soterrados sob o peso do PageRank da Wikipedia, de páginas de grandes universidades e websites generalistas sobre jornalismo na busca orgânica.

A solução foi convocar a coletividade para criar a lista. A partir de uma simples planilha no Google Docs, aberta à edição por qualquer pessoa, a base de dados cresceu de dez para mais de cem registros. Há desde as referências mais óbvias até websites produzidos por gente muito longe dos grandes centros, especialmente América Latina e África.

A planilha foi divulgada na revista Data Driven Journalism e em listas de discussão como as da Abraji. Por sorte, muitos nós importantes no Twitter e Facebook abraçaram a iniciativa. O resultado mostra que o princípio do crowdsourcing pode ser aplicado de maneira bastante simples.

Ao longo das semanas, vários colaboradores fizeram sugestões. A primeira foi esclarecer a licença de uso da planilha, de modo que os participantes tivessem certeza do interesse público deste esforço. Coloquei a planilha sob domínio público. Uma outra sugestão importante foi indicar a linguagem de cada website, porque muitos autores escrevem em inglês, apesar de esta não ser sua língua nativa, e para facilitar a filtragem. Também percebi que muitos colaboradores não tinham uma noção clara do conceito de jornalismo guiado por dados, então incluí na planilha uma referência ao verbete na Wikipedia.

Inicialmente, também havia uma lista em português, mas houve poucas contribuições e muito spam, então ela ficou para trás.

TCE diz que anúncios da prefeitura de Canoas em blogs de jornalistas gaúchos eram irregulares

Não há como identificar a intenção de fornecer acesso facilitado ao sítio da Prefeitura Municipal de Canoas por meio dos banners veiculados nos sítios privados de Felipe Vieira, Ricardo Orlandini, Rogério Mendelski, Érico Valduga, Diego Casagrande e Fernando Albrecht. Não há prova de que os referidos banners possuíam o adequado meio eletrônico de acesso, inexistindo qualquer formalização dessa propriedade técnica.

O trecho acima é do processo número 5127-02.00/08-2 do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, que corre no gabinete do conselheiro Algir Lorenzon. Além dos jornalistas citados acima, Políbio Braga também está envolvido no processo.

Campus Party

Na quinta-feira, às 15h45, vou mediar o debate O Direito e a Internet, na terceira edição da Campus Party. Os participantes são Flávia Penido, Alessandro Martins, Jorge Araújo e Marcel Leonardi. Na pauta, a questão da liberdade de expressão e crimes de opinião relacionados a blogs. A discussão promete ser bastante produtiva e eu realmente espero sair de lá com algum tipo de plano para criar uma organização que preste apoio jurídico a blogueiros envolvidos em processos por conta da veiculação de suas idéias e opiniões.

Será a primeira vez que participo da Campus Party, apelidada por alguns de Woodstock Nerd. Estou realmente curioso para ver com que se parece uma conexão de 10Gb e ver se meu toque de celular com uma frase do seriado Monty Python fará sucesso. Passarei a semana inteira em São Paulo e pretendo frequentar a Campus Party em alguns dias. Se quiser marcar um encontro por lá, deixe um comentário ou envie um e-mail.

Jornalismo e micropagamentos

O pessoal do TechCrunch não acredita que os micropagamentos possam salvar o jornalismo. Em resumo, o colunista Robin Wauters não vê jeito de convencer uma audiência mimada por anos de informação gratuita a pagar por essa mercadoria, ainda que seja menos de um centavo por texto. Essa alternativa já foi defendida aqui mesmo neste blog, alguns meses atrás.

De lá para cá, o acompanhamento das discussões e projetos fez a idéia parecer cada vez menos viável. Em primeiro lugar, existe uma causa anterior à resistência das pessoas em pagar para ler notícias na Web: a má qualidade do jornalismo. Ninguém vai querer pagar pelo noticiário burocrático de hoje em dia. De fato, é a insipidez da imprensa que tem levado tantos leitores a mudar boa parte de seu consumo de informação de jornais para mídias sociais, como blogs, wikis e outros tipos de noticiários participativos ou colaborativos. Mídias sociais que já nasceram gratuitas e cujos autores têm nos anúncios contextuais e outros tipos de micropublicidade, ou mesmo doações, apenas uma fonte de renda extra.

É claro, a maioria dos canais de mídia social baseia seu conteúdo em reprocessamento do noticiário profissional. Caso esse noticiário passe a ser cobrado, o resultado mais provável é os blogueiros migrarem para agências de notícias governamentais e institucionais gratuitas — de onde a imprensa retira a maior parte das pautas de qualquer forma. Isso para não falar em sítios dedicados a redistribuir conteúdo fechado para toda a Web, como já acontece com músicas, vídeos, jogos eletrônicos e software.

O efeito mais grave do modelo de micropagamentos no jornalismo, porém, não seria apenas uma enorme decepção para os acionistas das empresas, mas o fim da reportagem séria. Como pergunta Greg Horowitz em uma coluna do blog Digitalists, o que os executivos vão fazer assim que tiverem informação mais detalhada do que nunca a respeito do retorno financeiro de cada notícia, de cada tipo de pauta, de cada editoria? Podemos apostar num futuro com micropagamentos e apenas manchetes sobre novos tipos de dieta, as dez melhores posições sexuais, futebol e pesquisas científicas mal compreendidas pelo repórter. Isso porque os assuntos realmente essenciais costumam ser chatos e, como qualquer pessoa que já tenha trabalhado em um webjornal ou portal sabe por experiência própria, têm audiência pífia.

Micropagamentos podem até salvar os jornais, portanto, mas dificilmente salvam o jornalismo. A resposta à crise deve ser procurada em algum outro lugar. Bons começos talvez sejam empresas de comunicação sem fins lucrativos, como a PBS americana e as britânicas BBC e Guardian. Ou projetos do tipo “repórter de aluguel”, como o Spot.us e blogs como Back to Iraq. O principal argumento de empresas, profissionais, acadêmicos e audiência para a necessidade de se salvar o jornalismo é o fato de a imprensa ser essencial para a manutenção da democracia. Pela primeira vez na história, existe uma tecnologia, um meio de produção, que está nas mãos dos cidadãos e permite a eles financiarem diretamente a atividade jornalística. Não seria o caso de deixar as empresas de comunicação seguirem o curso natural de nascimento, vida e morte no capitalismo e os cidadãos tomarem a reponsabilidade de manter a imprensa para si?

Afago no ego

Não sou muito de entrar em disputas de mais belo blog do universo e quetais, mas quando se é indicado e se vence na categoria “melhor editor/redator” de 2008, em um júri popular de 1,5 mil votos no total, é preciso sentir ao menos uma ponta de orgulho. Fico feliz que muitos leitores de blogs por aí tenham achado que mereço o Spoiler Blogs 2009 pelos meus talentos de escritor e editor.