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Abraji abre chamada de trabalhos para seminário de pesquisa em jornalismo investigativo

O 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo incluirá pela primeira vez um eixo destinado à apresentação e discussão de pesquisas científicas em torno do tema.

A iniciativa é da nova diretoria da Abraji, da qual participo como conselheiro fiscal e uma espécie de liaison com a academia. Há uma grande abertura dos repórteres, hoje, para o debate com pesquisadores do jornalismo, em grande parte, me parece, devido ao aporte científico necessário para praticar o jornalismo guiado por dados.

Por um lado, grande parte da tecnologia e, principalmente, o conhecimento sobre estatística e matemática usados pelas redações têm origem na academia. Pesquisadores da comunicação, como a equipe do Labic, por exemplo, têm contribuído com expertise na área de análise de redes sociais.

Por outro lado, as redações são laboratórios por excelência para o teste de tecnologia e novas propostas de formatos jornalísticos. Parcerias entre jornalistas profissionais e pesquisadores podem render grandes benefícios ao campo como um todo e, quem sabe, encontrar uma forma de ajudar a salvar essa importante instituição democrática que é a imprensa.

De fato, a era digital oferece a primeira oportunidade na história do jornalismo para que a academia tome a frente na proposição de novas formas de organizar a produção e a distribuição de notícias.

Hoje, bastam computadores, software open source e conexão à Internet para que pesquisadores criem jornais-laboratório capazes de adotar e testar as tecnologias mais recentes. Antigamente, era preciso arcar com custos de impressão ou radiodifusão, o que sempre é um problema para as ciências humanas, em geral tratadas como secundárias pelas agências de fomento.

Além disso, jornais-laboratório não têm compromisso com audiência ou acionistas e podem, por isso, errar bastante ao aplicar tecnologias e propor novas formas de narrativa jornalística. Redações profissionais não podem se dar ao luxo de quebrar o contrato de leitura o tempo todo.

Enfim, os pesquisadores interessados em debater os caminhos da investigação jornalística, a situação das vias de acesso à informação pública, o jornalismo guiado por dados, os desafios do ensino e outros temas serão bem vindos no próximo congresso da Abraji, entre os dias 24 e 26 de julho de 2014, em São Paulo.

Veja aqui o call for papers para o I Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo da Abraji.