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Sistema de brainstorming para o jornalismo digital

Recentemente, adaptei para uso nas aulas da especialização em Jornalismo Digital da PUCRS o sistema de brainstorming proposto no artigo Cultivating the Landscape of Innovation in Computational Journalism, do pesquisador e consultor norte-americano Nicholas Diakopoulos. O jogo proposto por Diakopoulos foi aplicado pela primeira vez no Tow-Knight Center for Entrepreneurial Journalism, um núcleo de pesquisas na City University de Nova York (CUNY).

Diakopoulos propõe que o brainstorm seja realizado da seguinte maneira: em grupos, estudantes ou profissionais puxam cartas de dois baralhos diferentes. Um deles traz os conceitos e tecnologias da computação, o outro traz conceitos ligados ao jornalismo, num total de 28 cartas em cada uma dessas duas categorias. A seguir, cada grupo tem cinco minutos para pensar em ao menos um produto que combine uma tecnologia computacional com um uso, ideal ou prática do jornalismo. Deve-se realizar diversas rodadas em sequência, de modo a reunir o maior número de ideias possível.

O objetivo é tornar evidente como o potencial da informática é mal aproveitado no jornalismo e abrir os olhos para as possibilidades de empreendimento e inovação na área.

Como os baralhos não estão disponíveis em português, uma alternativa é usar um dado de 28 lados (D28) para este exercício. Como dados D28 são pouco comuns, adaptei um script que simula jogadas. Para realizar o brainstorm, cada grupo deve recarregar a página, anotar o primeiro resultado, recarregar novamente a página e anotar o segundo resultado. Depois, basta encontrar o primeiro número na lista de conceitos e tecnologias da computação e o segundo número na lista de conceitos e objetivos do jornalismo. As listas, com tradução minha, estão disponíveis aqui. Caso vá imprimi-las, é melhor separar cada lista em folhas diferentes.

Por exemplo, se o script for acionado duas vezes, resultando nos números 12 e 23, respectivamente, o grupo deverá pensar num produto que combine “realidade aumentada” e “adaptabilidade”. Após a rodada, cada grupo expõe aos colegas suas propostas e a turma discute sua validade.

É recomendável apresentar e explicar todos os conceitos de ambas as listas à turma antes de iniciar o brainstorm.

Curso online gratuito sobre jornalismo digital e interesse público

Estão abertas as inscrições para o curso Ferramentas digitais para o jornalismo de interesse público, oferecido pelo International Center For Journalists e do qual sou instrutor, junto o repórter especializado em transparência pública Fabiano Angélico.

O curso é gratuito, a distância e voltado a jornalistas e ativistas comprometidos com questões sociais. Fui aluno deste curso em 2012 e posso dizer que é muito produtivo — e, espero, se mantenha assim com a minha contribuição.

Segue o release:

Data limite para inscrições: 10 de maio de 2013 (Clique aqui para se inscrever)

Curso: 27 de maio a 28 de junho de 2013

O International Center for Journalists (ICFJ) está oferecendo um programa de treinamento de cinco semanas para 35 jornalistas brasileiros, patrocinado pela AT&T: “Ferramentas digitais para o jornalismo de interesse público”. O curso é focado no desenvolvimento de projetos multimídia sobre temas relacionados às principais dificuldades enfrentadas por comunidades pobres, como saneamento básico, educação, saúde pública e desastres naturais.

A versão brasileira do curso, ministrada em português, será dirigida por Fabiano Angélico, jornalista especializado em transparência pública, e por Marcelo Träsel, professor de Jornalismo Digital na PUCRS. Os participantes vão aprender sobre a importância das ferramentas digitais e mídias móveis, para fornecer informação de qualidade e respeitando princípios eticos em suas atividades diárias. O objetivo é a aquisição de habilidades permanentes em narrativas multimídia, que os auxiliarão em seu futuro trabalho jornalístico. Além disso, espera-se que muitos dos projetos e relatórios criados pelos participantes como atividades do currículo se tornem duradouros.

Algumas das técnicas a ser apresentadas aos participantes são o refinamento de buscas, o uso de mapas para descobrir informação, preparação de fotografias e vídeos para publicação na Web e criação de weblogs. O currículo é estruturado para encorajar os alunos a desenvolver um projeto multimídia capaz de causar um impacto positivo em sua comunidade. O curso também vai ensinar melhores práticas de uso de habilidades multimídia e plataformas durante coberturas jornalísticas.

Currículo

Semana 1: Jornalismo de interesse público
Semana 2: Internet – Uma ferramenta de serviço público
Semana 3: Ferramentas digitais
Semana 4: Como tornar seu projeto viável
Semana 5: Discussão de projetos em jornalismo de interesse público

Durante as duas últimas semanas do curso, os participantes serão convidados a propor um projeto voltado ao jornalismo de interesse público. Os ministrantes vão colaborar na definição do foco dos projetos e ajudar a definir metas e resultados concretos, assim como indicar as ferramentas digitais mais adequadas a cada projeto.

Os coordenadores vão selecionar até 15 dos participantes que apresentarem as melhores propostas e acompanhá-los em seu desenvolvimento por um mês após o término do curso. Seu papel será oferecer sugestões, críticas e encorajamento.

Em caso de dúvidas, entre em contato pelo email brasil@icfj.org. Para se inscrever, clique aqui.

Como se preparar para bancas de monografia

Ao contrário do que muitos alunos pensam, a banca de monografia não é um momento de prazer sádico e vingativo dos professores que os acompanharam durante toda a faculdade, mas sim um momento de celebração e um tipo de aula magna.

Na banca, os professores avaliam as habilidades de comunicação e a desenvoltura no uso dos conhecimentos desenvolvidos durante o curso. A banca de monografia pode ser vista, talvez, como um ritual de passagem, no qual o aprendiz finalmente se coloca (ou não) à altura de seus mestres e, assim, adquire o direito de receber o diploma e atuar na sociedade através da profissão escolhida.

É sempre bom ter em mente que, em geral, quando o aluno vai para a banca, é porque o orientador tem razoável certeza de que o trabalho será aprovado.

As dicas e esclarecimentos abaixo foram originalmente produzidas para meus alunos na PUCRS, mas podem servir para monografandos de outros cursos e universidades.

O ritual
As bancas de monografia são compostas pelo professor orientador e, no caso de trabalhos de conclusão de curso de graduação, em geral dois professores examinadores, que têm a tarefa de avaliar o trabalho. Normalmente, o processo dura entre 30 e 60 minutos conforme o seguinte roteiro:

  • Orientador introduz o aluno e o trabalho
  • Aluno apresenta o trabalho em 10 a 15 minutos
  • Primeiro examinador toma a palavra, faz considerações e perguntas
  • Aluno responde às perguntas
  • Segundo examinador toma a palavra, faz considerações e perguntas
  • Aluno responde às perguntas
  • O aluno e audiência se retiram da sala para a deliberação da nota
  • A nota é anunciada pela banca

Há bancas mais formais e bancas menos formais. A quantidade de salamaleques depende da configuração de professores que a compõem. Todavia, o roteiro acima é sempre seguido, com uma ou outra pequena alteração dependendo da instituição.

Apresentação
A apresentação deve ser objetiva e evitar repetir temas exaustivamente tratados no trabalho. Os examinadores e o orientador já leram e conhecem a monografia, então digressões teóricas excessivas, por exemplo, acabam se tornando maçantes. O melhor é investir em apresentar o percurso da pesquisa e os resultados. Se os professores tiverem dúvidas sobre a seção teórica, sempre podem fazer perguntas no momento da arguição.

Recomendo não ultrapassar a extensão de dez lâminas na apresentação, contando a capa, o que dá mais ou menos um minuto de fala por lâmina. Se não for possível resumir o trabalho em dez lâminas, é porque o aluno não tem compreensão da própria monografia. Usar imagens e frases curtas pode ser uma boa estratégia, assim como dedicar cada lâmina a uma idéia.

A apresentação segue mais ou  menos o formato da conclusão da monografia. O ideal é deixar claro qual foi a pergunta motivadora do trabalho, quais técnicas foram usadas para chegar a uma resposta e qual foi a resposta obtida. O roteiro recomendado para a apresentação é o seguinte:

  • Tema do trabalho e pergunta de pesquisa
  • Objetivos
  • Objeto
  • Técnicas de pesquisa
  • Resultados
  • Limites e problemas do trabalho

O último item é muito importante. Caso o aluno se dê conta, entre a entrega das cópias da monografia e o dia da banca, de que há uma lacuna ou um equívoco muito importante no trabalho, é uma boa idéia se antecipar aos examinadores e fazer uma retificação durante a apresentação. Para erros de português e normas técnicas, há o recurso de entregar uma errata impressa no início da apresentação.

Além disso, antes de começar a falar sobre o trabalho em si, é de bom tom agradecer aos examinadores pela presença e fazer uma breve introdução sobre si mesmo, explicando por que elegeu aquele tema. Ao final da apresentação, cabe dar uma opinião pessoal sobre o significado daquele tema para o campo científico e para si mesmo, enquanto profissional formado.

Elogio da linearidade

A Zero Hora publicou há algumas semanas matéria especial sobre os desafios colocados pelos jovens de hoje para as escolas. Sem grandes novidades: pedagogos reconhecem a defasagem entre o modelo de educação atual e as habilidades desenvolvidas pelas crianças através do uso de computadores, telefones móveis, jogos eletrônicos e outros elementos da cibercultura. Dizem que é preciso mudar a forma de ensinar e um entrevistado, Paulo Al-Assal, vem com aquela arenga de sempre sobre a escola matar a criatividade e tudo o mais.

Os problemas todos são pendurados na conta dos educadores, considerados anacrônicos, mas a meu ver a questão é um pouco mais complexa. Em primeiro lugar, é preciso admitir que, de fato, muitos professores desconhecem as ferramentas de comunicação e entretenimento digitais e passam longe das redes sociais. Em geral esse professor passa a ser desvalorizado, considerado um dinossauro.

Cabe perguntar-se, no entanto: realmente queremos um sistema educacional reconstruído com base na personalidade da nova geração?

A meu ver, a resposta é que devemos fazer adequações no sistema educacional, mas não reinventá-lo completamente. Isso porque o formato de aula do século XIX desenvolve uma habilidade importante e não-inata nos seres humanos: a linearidade. Como diz o pesquisador André Lemos, ser hipertextual é a configuração padrão do ser humano, a linearidade é que exige treino.

E treino duro. Deixada à própria sorte, nossa mente passa de imediato a realizar livre-associações. Os alunos atuais não se dispersam porque a Internet os acostumou a começar uma busca procurando por dados sobre a extensão do Rio Amazonas e terminar tendo frio na espinha ao ler notícias sobre pessoas atacadas pelo candiru. Eles se dispersam porque nossa mente é dispersiva e a Internet é uma reprodução técnica desse caráter hipertextual do pensamento.

Um livro didático oferece poucas chances de dispersão, pois, em geral, é organizado em uma sequência lógica da menor para a maior concentração de conhecimento. As boas e velhas enciclopédias impressas já ofereciam risco mais alto de dispersão, pois ao lado do verbete sobre o Rio Amazonas podiam aparecer ilustrações de guerreiras sensuais montadas a cavalo, ou uma remissão a Manaus, ao Ciclo da Borracha e daí para Deus sabe onde. Ainda assim, a necessidade de folhear ou buscar outro volume na estante dava ao estudante tempo para se dar conta da dispersão e retornar ao trabalho. Na Web, basta um clique e imediatamente se está em uma nova página, com novos links e novos caminhos abertos.

É como o fluxo do pensamento. A mente à solta deriva para todo lado. Saímos correndo atrás da primeira linha raciocínio que aparece, assim como os cachorros correm latindo atrás dos carros passando na rua.

Diversas culturas criaram tecnologias cognitivas para evitar essa dispersão ao longo da história. No Oriente, surgiu a meditação, cujo principal objetivo é justo ensinar a mente a ficar quieta em seu lugar enquanto os carros passam. No Mediterrâneo, surgiu a retórica, com suas técnicas para organizar o discurso de forma linear. Na Europa, o códex deu uma base material à linearidade do pensamento, com a colocação organizada das idéias página após página numerada.

O homem se esforça há milênios para tentar ser linear. A linearidade só perdeu prestígio no século XX, sob ataque das artes e da teoria literária. No momento em que os seres humanos, através da indústria cultural, sobretudo da televisão, passaram a ter  contato diário com diferentes culturas — por mais enquadrado numa determinada visão de mundo que fosse esse contato –, perceberam estar sob o domínio um discurso monolítico, de um imaginário do progresso, e sentiram-se prisioneiros. Veio o Maio de 1968, veio a contracultura americana, veio o punk e diversos outros movimentos de libertação dos discursos. Veio o Pós-modernismo e o elogio da hipertextualidade, da polissemia. Esquecemos o valor da linearidade.

O mundo ficou muito melhor com o fim da repressão dos discursos totalitários, não se pode negar. Há muito mais liberdade hoje do que há um século. Mas convém não jogar o bebê fora com a água do banho. É bom abraçar os avanços proporcionados pelo reconhecimento do caráter hipertextual da mente, mas sem deixar de lado os benefícios da linearidade.

Infelizmente, não há outro espaço social para desenvolver a linearidade que não seja a escola. Portanto, a escola sempre foi e sempre será castradora. Os alunos não têm culpa de se sentirem desconfortáveis com a linearidade das aulas. É mesmo uma violência obrigar-se a focar a atenção por horas a fio todos os dias — e, antes de ser adulto, é difícil enxergar o valor de sacrificar-se em nome de um objetivo. Foucault dizia, não à toa, que a educação é “deixar-se foder pelo social” — o que não significa uma recomendação para deixar a escola por parte do filósofo francês, mas apenas uma provocação para incentivar os espíritos a buscarem autonomia. Os adultos, porém, não têm desculpa, exceto a imaturidade, para não ver os benefícios proporcionados pela escola.

Imaturidade é a chave aqui. A mente imatura detesta a linearidade. É a mente combatida, até certo ponto, pela meditação, e, às últimas consequências, pela filosofia. Pode ser difícil reconhecer o valor do treinamento na linearidade quando passamos a atuar no mundo adulto, mas ele é essencial para a maior parte das situações profissionais. O problema das técnicas cognitivas é que os novos comportamentos se tornam anteriores às ações e, assim, passamos a confundir os padrões de pensamento com nosso próprio eu. Ou seja, quem passou pela escola acredita que sempre foi linear, porque se vê capaz de focalizar a atenção numa tarefa com grande competência. Pelo retrovisor, a escola parece ensinar apenas aquilo que já sabíamos o tempo inteiro.

Nossa cultura vem se tornando cada vez mais imatura. A juventude domina o imaginário social. A medicina luta contra o envelhecimento. A moda faz os adultos parecerem adolescentes. A falta de compromisso é sinônimo de liberdade. Infelizmente, os aspectos mais negativos da juventude parecem ser os mais valorizados. Em vez da abertura da mente de principiante de que falava Shunryu Suzuki e da seriedade ao brincar de que falava Nietzsche, temos o narcisismo típico da infância. Narcisismo que leva a considerar o individual sempre superior ao social. Neste caso, leva à conclusão de que a escola precisa se adaptar aos estudantes, não os estudantes à escola.

A escola tem de mudar suas práticas — em alguns casos, mudar muito — sem abandonar, no entanto, os princípios fundamentais. É saudável que os alunos possam questionar os professores e que estes não se vejam mais como detentores únicos do conhecimento; é saudável que os professores deixem de ser figuras de autoridade para se tornar facilitadores do processo de aprendizagem; é saudável adotar as ferramentas oferecidas pelas tecnologias de computação e informação na sala de aula. Mas também é saudável manter ao menos um reduto da tradição ocidental de raciocínio linear, que bem ou mal nos trouxe até um momento histórico no qual as condições de vida são suficientes para passarmos a questionar a própria idéia de progresso histórico.

Pós-graduação em Jornalismo Digital

Gostaria de lhes apresentar meu filho: o curso de especialização lato sensu em Jornalismo Digital, cujas aulas começam em março na Famecos/PUCRS.

Quem entrar no site, desenvolvido pela equipe do Espaço Experiência, vai perceber a integração com ferramentas como Delicious, Twitter e, futuramente, Flickr e Vimeo. Não é à toa: a idéia é não ficar restrito ao estudo e prática das técnicas básicas de jornalismo digital, como edição de vídeos, criação de animações e webwriting, mas incorporar as ferramentas de Web 2.0 e as redes sociais. A nosso ver, a habilidade de lidar com essas características do contexto atual da comunicação são indispensáveis para qualquer jornalista — porque a própria audiência da próxima década está sendo formada nessas redes sociais e pelo uso dessas ferramentas.

Além de uma disciplina voltada especificamente para a sociabilidade no jornalismo digital e um seminário sobre relacionamento com o público, os alunos e professores serão incentivados a usar redes sociais e serviços de Web 2.0 em todas as atividades do curso. São características fundamentais da sociedade contemporânea e portanto são características fundamentais do projeto pedagógico.

Outro avanço curricular que buscamos foi um aprofundamento em programação. Os alunos aprenderão ao menos o suficiente para produzir alguns mash-ups simples que possam ajudar no cotidiano de uma redação digital. Conhecer as linguagens mais usadas no jornalismo — Ajax, PHP, HTML — é também importante no momento de gerenciar projetos.

Um terceiro ponto a ressaltar é o foco na inovação e empreendedorismo. Na última década, as ferramentas de comunicação em escala massiva se tornaram acessíveis não apenas a todos os jornalistas, mas a todas as pessoas. Se antes era preciso ter dinheiro para investir num parque gráfico ou num estúdio para ser seu próprio chefe, hoje é possível criar produtos informativos e noticiosos digitais sem a necessidade de muitos recursos. De fato, o único recurso indispensável para abrir uma empresa é o conhecimento técnico para desenvolver uma idéia.

Para dar conta desse aspecto, foram chamados Marta Gleich, diretora de Internet, e Eduardo Lorea, gerente de pesquisa e desenvolvimento, ambos do Grupo RBS. Ambos vão assumir as disciplinas de gerenciamento e negócios do curso. Além disso, durante a especialização cada aluno deverá criar e planejar um produto digital. O trabalho de conclusão será a entrega de um protótipo do produto. Esperamos com isso fomentar a criação de novas empresas no mercado gaúcho e brasileiro e mostrar aos profissionais, com exemplos palpáveis, as novas possibilidades abertas pela Comunicação Digital.

Além disso, vamos oferecer também uma disciplina de jornalismo em mídias móveis e entraremos na seara da televisão digital, ambos temas de pesquisa científica dos professores da Famecos e ambos temas pouco explorados nos currículos de especializações no Brasil.

Chamo de meu filho e sou o coordenador, mas o curso foi concebido pela equipe de Comunicação Digital da faculdade em conjunto. Os professores Eduardo Pellanda, André Pase e Andréia Mallmann me ajudaram muito na preparação do projeto pedagógico e estão no corpo docente. Por sinal, o Pase está coordenando o curso de especialização em Jogos Digitais, uma parceria da Famecos e da Facin com a Ubisoft.

Em 2010 começam também os cursos de especialização em Cinema Expandido, Branding de Conexão e Planejamento em Comunicação e em Gestão de Crises de Imagem. Todos na Famecos.

Campanha relevante

Diga não ao bloqueio de blogs

O professor de Ciências da Informação Hamilton, contrariado com o bloqueio de seu próprio blog — e qualquer outro hospedado no Blogspot — na escola de sua filha, no trabalho de sua esposa e até mesmo na faculdade onde estuda, criou uma campanha de conscientização tanto dos estudantes e professores quanto dos profissionais de TI.

Não apenas ele esclarece a questão, como indica ferramentas que permitem a administradores de sistema não-preguiçosos como bloquear apenas blogs maliciosos, em vez de todo um serviço.

Mudando o currículo do Jornalismo

Estou participando da redação de uma proposta da Rede de Pesquisa Aplicada em Jornalismo e Tecnologias Digitais para a consulta pública do MEC sobre diretrizes curriculares. Minha opinião sobre o que deveria ser contemplado nos novos currículos dos cursos de Jornalismo  — que não necessariamente será aceita integralmente, ou mesmo parcialmente, pelos colegas da rede — é que deve-se preparar os estudantes para uma convergência de mídias cada vez mais profunda.

Visto com entusiasmo ou com objeções pelos profissionais do Jornalismo e por pesquisadores, trata-se ainda assim de um processo irreversível e irrefreável do ponto de vista técnico. Se em pouco mais de dez anos de desenvolvimento do jornalismo na Web podemos verificar um movimento tão pronunciado no sentido da convergência, o que esperar dos próximos dez anos, data em que os primeiros jornalistas formados a partir dessas diretrizes curriculares estarão saindo das universidade?

Se nosso papel como educadores é participar da formação de profissionais capazes de assumir as responsabilidades e suprir as demandas que a sociedade lhes impõe, é fundamental que as novas diretrizes curriculares acompanhem o processo de convergência midiática. Desse ponto de vista, as atuais divisões no ensino das linguagens jornalísticas parecem excessivamente impermeáveis. Os alunos criam produtos noticiosos audiovisuais voltados para a televisão em disciplinas de Telejornalismo e depois criam produtos voltados para a Web em disciplinas de Jornalismo Online — isto é, quando existem tais disciplinas –, de forma totalmente independente, quando hoje na maioria das redes de televisão espera-se dos conteúdos que possam servir tanto para transmissão via espectro eletromagnético, quanto via Web. De fato, redes como a MTV e a TV Cultura apresentam já uma programação mista, que se estende da televisão para o computador num continuum. O mesmo ocorre com jornais, revistas e emissoras de rádio.

Seria o ideal, portanto, que as novas diretrizes eliminassem as divisões entre telejornalismo, radiojornalismo, jornalismo impresso e Web, e que as linguagens audiovisuais e textuais fossem trabalhadas sempre em conjunto, tomando o formato de uma redação integrada. O meio digital seria o amálgama que permite o traslado da informação entre essas diferentes linguagens — mas não se resumiria a isso, porque a hipermídia tem características e uma lógica comunicacional própria, que precisam ser aprendidas.

MEC realiza consulta pública sobre diretrizes curriculares do Jornalismo

O Ministério da Educação recebe até o dia 30 de março manifestações da sociedade sobre como devem ser as novas diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo. Quem tiver sugestões sobre o perfil mais adequado para os jornalistas do futuro ou sobre as habilidades a serem adquiridas na graduação deve enviá-las para o endereço consulta.jornalismo@mec.gov.br. As diretrizes curriculares são documentos que informam às faculdades e universidades as condições mínimas para um aluno merecer o diploma de jornalista.

Só é pena que o MEC tenha decidido usar o correio eletrônico em lugar de algum outro tipo de ferramenta de discussão, como um fórum ou wiki. Esses sistemas, por permitirem que os participantes vejam as manifestações uns dos outros,  ensejariam um avanço muito maior da discussão até o final da consulta pública. O debate da comissão escolhida para formular as novas diretrizes poderia partir de um degrau muito mais alto.

Se algum leitor enviar sugestões ao MEC, sugiro publicá-las no espaço de comentários abaixo.

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Como entrar no mestrado

Todo ano, a partir de agosto, começo a receber e-mails de pessoas pedindo dicas sobre como se preparar para a seleção dos programas de pós-graduação da UFRGS ou da PUCRS. Em geral, chegam por indicação de amigos que conhecem minha trajetória como ex-aluno e ex-postulante às vagas nos dois programas. Como aparentemente há muito interesse no assunto, resolvi compartilhar meu padrão de trabalho para esse tipo de seleção. As dicas valem principalmente para os programas em Ciências Sociais Aplicadas, mas podem ser úteis a outras áreas. As dicas valem principalmente para o mestrado, até porque um candidato ao doutorado já deveria saber de tudo isso.

Colaborem com suas observações no espaço de comentários.

Conheça o programa e seus professores

A preocupação principal em uma seleção de mestrandos ou doutorandos é garantir que as linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação se mantenham. Cada PPG tem uma identidade própria e privilegia certas abordagens do campo de atuação. Essa identidade é dada pelo conjunto das pesquisas dos professores integrantes. Por exemplo, há até pouco tempo o PPGCOM da UFRGS não tinha ninguém habilitado a orientar pesquisas em cinema, portanto qualquer projeto com um tema ligado a essa área era recusado, ou o candidato obrigado a desistir de sua idéia.

O mínimo que você tem a fazer se quer entrar numa pós-graduação, portanto, é conhecer o trabalho dos professores (até para poder indicar os possíveis orientadores quando for preencher o formulário de inscrição). O primeiro passo é buscar a página da Web dos programas que lhe interessam e ler atentamente todo o material, em especial as descrições das linhas de pesquisa. Não se preocupe muito em compreendê-las, em geral são redigidas de forma criar o mínimo de limitações de trabalhos que possam ser incluídos em seu escopo. Basta identificar aquela em que sua proposta parece se encaixar melhor. Depois, cheque os Currículos Lattes dos professores dessa linha de pesquisa e tente ler ao menos alguns de seus artigos.

Mantenha o foco no projeto de pesquisa

O documento mais importante em uma seleção de pós-graduação é seu projeto, ou anteprojeto (porque o projeto vai se consolidar durante o primeiro semestre de mestrado). Na prática, é uma proposta explicando o que você pretende fazer durante os dois anos de estudos. Esse texto indica aos selecionadores quais são seus interesses, sua bagagem teórica, sua capacidade de formular problemas e imaginar soluções metodológicas e, de uma maneira geral, sua afinidade com a academia. O projeto deve estar adequado às linhas de pesquisa e, de preferência, a algum orientador do PPG. Você pode até passar nas provas, mas se o projeto for de má qualidade ou inadequado, esqueça.

O mais difícil na concepção do projeto é formular o problema de pesquisa. Pode parecer algo trivial, mas não é. A pergunta central de sua proposta deve condensar todas as suas premissas e todas as suas hipóteses. Não é algo para se pensar numa viagem de ônibus. Um bom problema de pesquisa só aparece após muita leitura e alguma observação do objeto. De fato, tenha certeza de que estará até o último momento do mestrado refletindo sobre a formulação de seu problema. Os selecionadores sabem disso, então se esforce, mas não se estresse tentando resolver essa parte. Por outro lado, evite apegar-se a este e a qualquer aspecto do projeto, porque ele fatalmente vai sofrer mudanças.

Todo o resto do projeto decorre do problema de pesquisa. Todos os elementos devem estar subordinados à meta de esclarecer a pergunta a ser respondida ao longo de seus estudos. Alguns programas divulgam um roteiro sugerido para o projeto. Convém segui-lo. O PPGCOM da Unisinos oferece um excelente tutorial de elaboração de projetos. Uma técnica que costumo usar: escrevo uma primeira versão do projeto e dou um título. Depois, separo cada conceito no título e verifico se o texto explica cada um deles. Por exemplo, se o título é A pluralização no webjornalismo participativo: uma análise das intervenções no Wikinews e no Kuro5hin, o projeto deve apresentar o conceito de webjornalismo e de pluralização do ponto de vista do jornalismo, além de descrever os objetos (no caso, o Wikinews e o Kuro5hin) e também fornecer indicações metodológicas (como será feita a tal análise das intervenções). Costuma funcionar muito bem comigo no sentido de organizar o pensamento.

Não esqueça de seguir as normas da ABNT na redação.

Como passar na prova

Nenhum mistério: leia atentamente a bibliografia recomendada e responda às perguntas. :-)

Em geral as provas de seleção de Pós-Graduação não perguntam sobre pontos específicos das obras exigidas, mas dão um tema sobre o qual o candidato tem de dissertar. Algumas provas são mais abertas do que outras, mas há sempre uma ampla margem. Não se preocupe em ser absolutamente correto na discussão, até porque não existe verdade absoluta em Ciências Sociais, mas sim em mostrar capacidade de argumentação, sintetização e concatenação de idéias. Uma forma de estudar para esse tipo de prova é escrever dissertações relacionando as idéias dos autores lidos.

Muitos programas também exigem prova de proficiência em alguma língua estrangeira (caso da PUCRS) ou prova de inglês (caso da UFRGS). Em ambas, responde-se sempre em português e exige-se muita tradução. Então, trate de investir na poliglossia, se pretende cursar uma pós-graduação. Pessoalmente, não vejo como hoje em dia alguém pode querer fazer pesquisa sem entender ao menos o inglês, que para o bem e para o mal tornou-se o novo latim.

Lembre-se de que a prova serve apenas para separar os candidatos mais capazes e/ou mais estudiosos do resto. É uma etapa classificatória e eliminatória. Tirar nota máxima não garante a vaga no mestrado, apenas que os selecionadores vão se dar o trabalho de ler seu projeto e entrevistá-lo.

Como passar na entrevista

A entrevista serve para três coisas no processo seletivo para um PPG: a) tentar aferir o grau de sanidade mental do candidato; b) ter certeza de que o candidato está disposto a suportar os sacrifícios monumentais exigidos por uma dissertação e tem condições para tanto; e c) ter certeza de que o projeto de pesquisa foi escrito pelo próprio candidato.

Sobre o item a não tenho dicas a dar, porque depende da personalidade de cada um. Os gestores e professores de um curso de pós-graduação têm uma preocupação principal quanto aos candidatos selecionados: que eles terminem a dissertação ou tese dentro do prazo estipulado pela Capes, o órgão supervisor desse tipo de formação. Convém então passar o máximo de tranqüilidade e credibilidade possível durante a entrevista.

Para dar conta de b, você antes de mais nada precisa ter muita certeza de que quer MUITO fazer mestrado. Sugiro ler o relato da Aline de Campos sobre a experiência de cursar uma pós. Durante a entrevista, fatalmente perguntarão se você conseguirá conciliar trabalho e/ou família com os estudos, se pretende seguir no mestrado mesmo sem bolsa e, no caso de universidades não-públicas, se terá condições de pagar as mensalidades por pelo menos dois anos. Responda com entusiasmo que faria qualquer coisa para terminar e defender a dissertação. Não hesite, mesmo que não tenha certeza, nem se sinta um estelionatário por dar garantias sem ter certeza, porque mesmo gente convicta muda de idéia.

Finalmente, farão perguntas sobre a proposta de pesquisa. O objetivo dessas perguntas é aferir a familiaridade do candidato com a teoria e especialmente com a metodologia. No fim das contas, os entrevistadores querem saber se você sabe onde está se metendo. Solicitarão que descreva as etapas que pretende seguir e como exatamente pretende atingir os objetivos prometidos e responder ao problema de pesquisa. É bom estar preparado para explicar tudo isso, embora provavelmente a pesquisa vá mudar bastante ao longo do mestrado. De fato, os entrevistadores podem perguntar se você aceitaria fazer mudanças no projeto. Diga que sim e demonstre o mínimo de apego possível a seu projeto, até porque à medida que for estudando, você fará correções voluntariamente. Algumas pessoas até mudam o foco e o tema da pesquisa.