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Dando um tempo

Os leitores já devem ter percebido que este blog está parado nos últimos meses. Isso está acontecendo por razões excelentes e outras talvez nem tanto:

1- Em primeiro lugar, minha filha nasceu no dia 12 de julho. Obviamente, estou concentrando todo o meu tempo livre nela e na Tati.

2- Estou cruzando o Cabo da Boa Esperança no meu doutorado em Comunicação Social na PUCRS, de modo que as seis horas restantes do meu dia de 30 horas têm sido usadas em leituras e redação da tese.

Minha atividade principal é a de professor, este e outros blogs são apenas uma forma de trabalho voluntário. Não estão no topo da lista de atividades a renunciar, mas estão logo antes de todas as tarefas que rendem dinheiro e, principalmente, das relacionadas à família.

Embora este blog esteja diretamente relacionado com minha atuação como professor, não vejo outro remédio senão suspender as postagens até a vida ficar mais tranquila.

Enquanto isso, recomendo acompanhar meu perfil no Delicious, onde costumo compartilhar leituras interessantes. Deixo ainda os links para alguns artigos e entrevistas publicados na imprensa nos últimos tempos:

Blogs que documentam gravidez são tendência — Mauren Motta

Pais estão dividindo melhor  tarefa de formação emocional dos filhos — ClicRBS

Deep-throat versão século XXI – Sul 21

A decadência do Jornal do Brasil — Sul 21

Sobre o #diasemglobo — Sul 21

Balançando a rede: redes sociais, eleições e #calabocagalvão — ZH Cultura

Redes sociais conquistam espaço dos blogs na preferência dos internautas – ZH Digital

O dito pelo não-dito — Sul 21

O que falam, quem segue quem, o mais citado: conheça o Twitter dos presidenciáveis – UOL Eleições

Como os pais podem administrar o uso da Internet – Zero Hora

A grande mídia não é mais tão grande assim — Sul 21

Algumas entrevistas dos últimos tempos

Enquanto não arranjo tempo para escrever um texto um pouco mais elaborado, fiquem com opiniões expressas em entrevistas sobre alguns assuntos relacionados à cibercultura nas últimas semanas:

Autor de ‘hit’ contra empresa aérea dá dicas para reclamar no You Tube

Saiba os cuidados que blogueiros devem ter na hora de fazer campanha na rede

Tom e conteúdo oficiais atrapalham Blog do Planalto, dizem blogueiros

Fora Sarney: da internet para as ruas

Área VIP da Abril ainda repercutindo

O caderno Link, do Estadão, traz essa semana uma matéria sobre o caso, para a qual fui entrevistado:

Marcelo Träsel, de 30 anos, do blog Martelada (www.insanus.org/martelada), não aceitou. “Teria de montar um blog novo. Seria muito trabalho. Se me pagassem, daí poderia considerar.”

Tenho a impressão de que essas aspas me fazem parecer preguiçoso (sou, mesmo) e mercenário (não sou).

A editora responde através de Aline Sordilli: “A Abril já produz muito conteúdo. O que queremos com os VIPs é povoar a nossa nova ferramenta de blogs.”

Deveras! Conforme inclusive sugere a matéria principal sobre o assunto, as empresas de mídia estão buscando não o conteúdo dos blogs, mas a infinidade de novas páginas diárias que são capazes de gerar todos os dias. Cada novo post é uma nova página que pode ser usada para veicular anúncios. E anúncios significam dinheiro para a Abril ou qualquer outro portal que esteja recrutando blogueiros, mas em geral não para os blogueiros.

A exigência de cessão de direitos autorais provavelmente era apenas uma proteção jurídica para a Abril, embora em tese permitisse à empresa usar textos de blogueiros em suas revistas sem remuneração, por exemplo.

O engraçado nisso tudo, no fim das contas, é que se a Abril simplesmente tivesse pedido para reproduzir trechos dos meus blogs em suas páginas, fornecendo o devido crédito na forma de um link, teria permitido na boa — como, aliás, aconteceu com o Yahoo! Posts. Sou daqueles ingênuos dos primórdios da Internet que acreditaram no ideal de Tim Berners-Lee: um grande repositório de documentos perfeitamente intercambiáveis e relacionáveis. O que está na Web é para ser linkado. Ter de pedir autorização para citar um trecho e criar um link para determinada página é uma degradação causada por uso excessivo de advogados.

E como se ganha dinheiro com isso? — perguntarão os probloggers. Ora, da mesma forma que os criadores da infraestrutura usada para publicar blogs, veicular anúncios contextuais e banners de programas de afiliados: convertendo reputação em oportunidades. Os inventores do modem, do correio eletrônico, do IRC, do HTML, todos o fizeram por amor à causa. Uma resposta que o repórter não usou na matéria:

Com os blogs eu angario muita reputação na Web. Esse capital social eu converto em capital financeiro através de oportunidades de emprego. Não tive um emprego sequer até hoje em cujo processo seletivo minha produção cultural na Internet não tenha contado muitos pontos.

Infelizmente, não há ideal que resista ao capital.