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Mudando o currículo do Jornalismo

Estou participando da redação de uma proposta da Rede de Pesquisa Aplicada em Jornalismo e Tecnologias Digitais para a consulta pública do MEC sobre diretrizes curriculares. Minha opinião sobre o que deveria ser contemplado nos novos currículos dos cursos de Jornalismo  — que não necessariamente será aceita integralmente, ou mesmo parcialmente, pelos colegas da rede — é que deve-se preparar os estudantes para uma convergência de mídias cada vez mais profunda.

Visto com entusiasmo ou com objeções pelos profissionais do Jornalismo e por pesquisadores, trata-se ainda assim de um processo irreversível e irrefreável do ponto de vista técnico. Se em pouco mais de dez anos de desenvolvimento do jornalismo na Web podemos verificar um movimento tão pronunciado no sentido da convergência, o que esperar dos próximos dez anos, data em que os primeiros jornalistas formados a partir dessas diretrizes curriculares estarão saindo das universidade?

Se nosso papel como educadores é participar da formação de profissionais capazes de assumir as responsabilidades e suprir as demandas que a sociedade lhes impõe, é fundamental que as novas diretrizes curriculares acompanhem o processo de convergência midiática. Desse ponto de vista, as atuais divisões no ensino das linguagens jornalísticas parecem excessivamente impermeáveis. Os alunos criam produtos noticiosos audiovisuais voltados para a televisão em disciplinas de Telejornalismo e depois criam produtos voltados para a Web em disciplinas de Jornalismo Online — isto é, quando existem tais disciplinas –, de forma totalmente independente, quando hoje na maioria das redes de televisão espera-se dos conteúdos que possam servir tanto para transmissão via espectro eletromagnético, quanto via Web. De fato, redes como a MTV e a TV Cultura apresentam já uma programação mista, que se estende da televisão para o computador num continuum. O mesmo ocorre com jornais, revistas e emissoras de rádio.

Seria o ideal, portanto, que as novas diretrizes eliminassem as divisões entre telejornalismo, radiojornalismo, jornalismo impresso e Web, e que as linguagens audiovisuais e textuais fossem trabalhadas sempre em conjunto, tomando o formato de uma redação integrada. O meio digital seria o amálgama que permite o traslado da informação entre essas diferentes linguagens — mas não se resumiria a isso, porque a hipermídia tem características e uma lógica comunicacional própria, que precisam ser aprendidas.

MEC realiza consulta pública sobre diretrizes curriculares do Jornalismo

O Ministério da Educação recebe até o dia 30 de março manifestações da sociedade sobre como devem ser as novas diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo. Quem tiver sugestões sobre o perfil mais adequado para os jornalistas do futuro ou sobre as habilidades a serem adquiridas na graduação deve enviá-las para o endereço consulta.jornalismo@mec.gov.br. As diretrizes curriculares são documentos que informam às faculdades e universidades as condições mínimas para um aluno merecer o diploma de jornalista.

Só é pena que o MEC tenha decidido usar o correio eletrônico em lugar de algum outro tipo de ferramenta de discussão, como um fórum ou wiki. Esses sistemas, por permitirem que os participantes vejam as manifestações uns dos outros,  ensejariam um avanço muito maior da discussão até o final da consulta pública. O debate da comissão escolhida para formular as novas diretrizes poderia partir de um degrau muito mais alto.

Se algum leitor enviar sugestões ao MEC, sugiro publicá-las no espaço de comentários abaixo.

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