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Usando o Google Acadêmico para se manter em dia com a bibliografia

Uma das melhores ferramentas do Google — e que inexplicavelmente é pouco valorizada pela empresa — é o sistema de alertas por correio eletrônico para palavras-chave determinadas pelo usuário. Basta cadastrar os termos de interesse, para receber uma mensagem sempre que o motor de buscas indexar uma nova página condizente com eles.

Se pouca gente sabe dos Alertas dos Google, menos ainda sabe que é possível cadastrar alertas que só retornem resultados do Google Acadêmico. É importante usar operadores de busca para refinar os gatilhos de alerta. Abaixo, alguns exemplos:

  • Para alertas com mais de um termo, coloque-os entre aspas: “data-driven journalism”
  • Para alertas relacionados a um autor específico: autor: “Marcelo Träsel”
  • Para alertas cujos termos devem constar no título do artigo ou livro: tudonotítulo: “jornalismo guiado por dados”

Também é interessante criar um perfil no Google Acadêmico e listar sua produção científica. Com isso, o sistema passa a varrer a Web em busca de referências relevantes para o seu foco de pesquisa.

Produção e Colaboração no Jornalismo Digital

Livro da Rede JorTecEstá na praça o segundo livro acadêmico do qual participo com um capítulo. No caso, o trabalho “apuração distribuída como técnica de webjornalismo participativo“, apresentado no 7º Encontro da SBPjor, em 2009. Segue o texto de divulgação:

Rede JorTec lança seu primeiro livro

Rede de Pesquisa Aplicada em Jornalismo e Tecnologias Digitais – JorTec – lança seu primeiro livro, Produção e Colaboração no Jornalismo Digital, que reúne o trabalho de 16 pesquisadores de 10 distintas instituições de ensino e pesquisa.

O livro busca evidenciar através dos Núcleos de Pesquisa da Rede JorTec (Tecnologia, Interface, Narrativas e Colaboração) algumas das mais importantes questões para a prática contemporânea do jornalismo digital, como a integração qualificada do leitor no processo de produção jornalístico, possibilidades de interatividade, narrativa e visualização do conteúdo, diferenciações do processo de produção, modelos de negócio e possíveis tecnologias aplicadas ao jornalismo digital.

O lançamento ocorre no 8º Encontro da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (8º SBPJor), no dia 9 de novembro, terça-feira, às 20 horas, em São Luis, Maranhão.

Oficializada pela SBPJor em janeiro de 2009, a Rede JorTec vem sendo articulada desde o início de 2007 com o intuito de produzir pesquisa aplicada visando à experimentação e criação de inovações tecnológicas digitais nos processos de captação, produção, empacotamento, transmissão e distribuição de conteúdos jornalísticos nas convergentes plataformas comunicacionais. Para isso, conta com pesquisadores de diversas regiões e universidades brasileiras.

Livro: Produção e Colaboração no Jornalismo Digital

Autores:
Alvaro Bufarah Junior, Ana Maria Brambilla, Ben-Hur Correia, Carla Schwingel, Carlos d’Andréa, Carlos Eduardo Franciscato, Carlos A. Zanotti, Dijna Andrade Torres, Diólia de Carvalho Graziano, Fernando Firmino da Silva, Gabriele Maciel, Getúlio Cajé dos Santos, Jorge Rocha, Marcelo Träsel, Raquel Ritter Longhi, Walter Teixeira Lima Junior

Organizadores:

Carla Schwingel e Carlos A. Zanotti

Editora Insular
Preço: R$ 35,00

Imprensa, público, comensalismo e simbiose

Um estudo do ecossistema noticioso de Baltimore, publicado pelo Project for Excellence in Journalism, descobriu que 95% das informações novas veiculadas na imprensa durante uma semana vieram da mídia tradicional, sendo a maioria do jornal. Além disso, verificou-se que 80% das notícias simplesmente reapresentaram informação já conhecida. Quase metade da informação nova foi divulgada pelo Baltimore Sun, o principal jornal da cidade.

A pesquisa traz importantes indícios para investigar as causas do declínio da imprensa como indústria e de como reinventá-la.

O papel das redes sociais e weblogs no ecossistema noticioso, conforme o estudo, é servir principalmente como sistema de alerta e repercussão da informação desencavada pelas redações de jornais e reproduzida nos websites jornalísticos.

Ainda assim, um dos seis principais temas do noticiário na semana abordada pelo estudo foi disparado por um blog independente. O autor do Maryland Politics Watch percebeu no website da Procuradoria distrital uma consulta da empresa de transporte público do Estado de Maryland sobre a possibilidade de instalar microfones para supervisionar as conversas de passageiros. Os veículos de imprensa local começaram a perseguir a pauta logo em seguida. O blogueiro não entrevistou ninguém, apenas o repórter do Baltimore Sun tomou esse trabalho. O resto da mídia, aparentemente, apenas copiou e colou — sem creditar.

O caso mostra o quanto é fundamental a participação do público no atual ecossistema noticioso. Um cidadão ser o responsável por iniciar uma das principais coberturas semanais em uma cidade grande não é pouca coisa. O estudo dá a impressão de menosprezar um tanto o trabalho do blogueiro, embora ele tenha sido fundamental. A cadeia causal gerada por seu comentário acabou por matar no berço a idéia vigilantista da empresa de transporte público da região.

Os críticos podem dizer que não houve esforço de reportagem real do blogueiro, Paul Gordon, porque ele não entrevistou ninguém, apenas apontou um link. Há aí dois problemas de avaliação. Primeiro, não é papel do público entrevistar fontes. Isso é papel dos jornalistas. Se um leitor por acaso se dá esse trabalho, ótimo, mas cobrar o mesmo nível técnico dos profissionais em material produzido por colaboradores ou jornalistas amadores é um contrasenso — a não ser que os jornalistas estejam realmente querendo abdicar de sua profissão. Em segundo lugar, descobrir uma informação nova é a parte mais importante do processo de reportagem. Sem um furo, ninguém sai do lugar. Portanto, o Gordon realizou a parte principal do trabalho — o que, aliás, deveria ser motivo de humilhação para toda a imprensa de Baltimore.

Muitos websites jornalísticos e weblogs divulgaram informações coletadas por outros sem fornecer os devidos créditos, além disso. Esse dado corrobora uma opinião que emiti recentemente em entrevista ao Alec Duarte: não existe mais informação exclusiva. O Baltimore Sun levou três dias para perceber o texto no Maryland Politics Watch, mas outros websites levaram poucas horas para replicar a informação do Baltimore Sun. A imprensa como um todo ignorou a nota no website da Procuradoria por um mês. Se não fosse por Gordon, o público correria o risco de saber do projeto de vigilância apenas quando já estivesse implantado.

Apesar de não existir mais informação exclusiva, ainda existem enfoques exclusivos. A imprensa deveria investir naquilo que as redes sociais e weblogs não podem investir: encontrar fontes que tragam novos argumentos e pontos de vista sobre os acontecimentos. Infelizmente, a julgar pelos resultados do estudo, não parece ser essa a abordagem dos jornais. A maioria das novas informações no período estudado teve como ponto de partida a administração pública ou organizações. Foram muito poucas as informações novas provenientes de fontes descobertas por iniciativa de repórteres.

Os jornais devem aprender a direcionar melhor o inegável poder de fogo que mantêm, mesmo após 20 anos de World Wide Web. Há cerca de dez anos, pensava-se que a essa altura o jornal impresso estaria morto ou em coma avançado. No entanto, continua sendo o principal produtor de informação. Porém, o estudo também mostra que tem sido produzida cada vez menos informação nova. Os jornais são vencedores numa competição de várzea, não numa Copa do Mundo. Isso pode explicar o declínio da indústria e a necessidade de reinventá-la.

O caminho para a reinvenção, a meu ver, é unir o potencial do público em levantar pautas com a técnica de reportagem e narrativa dos jornalistas. Os jornais devem criar sistemas de captação de informação gerada pela comunidade e, ao mesmo tempo, partir do princípio de que toda informação estará disponível imediatamente a toda a concorrência. Devem tomar essa informação como base e passar a investir mais na repercussão com fontes inusitadas, que dêem um enfoque especial para cada veículo, em vez de reproduzir as mesmas aspas disponíveis em todo o ecossistema midiático.

A relação entre imprensa e o público dotado de acesso às redes sociais e ferramentas de publicação ainda é de comensalismo: os dados da pesquisa mostram que, em geral, weblogs e redes sociais reaproveitam a informação gerada pelas redações. Manchetes e links são distribuídos e trechos são comentados Web afora, mas as redes sociais raramente produzem notícias.

Alguns poderiam considerar isso parasitismo, mas, apesar do que dizem os Rupert Murdochs da vida, a distribuição e repercussão das notícias não causa mal algum aos jornais e, às vezes, pode beneficiá-los. O parasitismo existe, é claro, mas geralmente se dá entre jornalistas. O caso do Maryland Politics Watch, aliás, mostrou que a imprensa algumas vezes parasita os blogs e redes sociais, reproduzindo informação sem fornecer os devidos créditos.

A atual relação de comensalismo entre imprensa e público, na qual o público é levado a reboque pelos jornalistas, como as rêmoras e os tubarões, deveria se tornar uma relação de mutualismo, na qual os dois agentes se beneficiassem. Quem sabe, até mesmo evoluindo um dia para uma relação de simbiose. O público tem muito com que colaborar, mas as redações precisam se abrir a essa colaboração.

Apuração distribuída e jornalismo no 7º SBPJor

Nesta quinta-feira estarei participando da III Mesa Coordenada Rede JorTec – Processos Colaborativos e Narrativas Digitais, no 7º Encontro da SBPJor. O encontro deste ano será na ECA/USP, em São Paulo. A programação pode ser conferida aqui. A íntegra do trabalho está no link abaixo:

A apuração distribuída como técnica de webjornalismo participativo

Leia a matéria feita pela equipe de alunos do Espaço Experiência da PUCRS para o Eu sou Famecos.

XI Seminário Internacional de Comunicação da PUCRS reabre inscrições

Na próxima terça-feira, começa o XI Seminário Internacional de Comunicação da PUCRS, com uma palestra do francês Michel Maffesoli a respeito das relações entre o pensamento de Auguste Comte e a cibercultura. A maioria dos outros palestrantes é também francês ou tem relações acadêmicas com o país, porque o seminário deste ano está inserido nas comemorações do Ano da França no Brasil.

Aliás, Maffesoli vai participar de um evento único: fará uma palestra sobre a influência do pensamento de Comte na cultura brasileira no templo positivista de Porto Alegre, na quarta-feira, 4 de novembro, às 18:00.

As inscrições para o seminário foram encerradas na semana passada, porque o limite de público foi atingido. Como houve uma grande procura, porém, elas foram reabertas com mais cem vagas. Embora na página esteja o aviso de encerramento, basta dirigir-se à secretaria da PROEX da PUCRS, para realizar a inscrição. Com isso, o local das apresentações de trabalhos e de algumas palestras também pode mudar, então fique atento aos avisos.

Participarei do seminário coordenando a mesa de Cibercultura na terça e na quarta-feira à tarde, na sala 209. Também apresentarei a pesquisa “A formação do imaginário tecnológico no Brasil: cibercultura na revista Veja entre 1993 e 2008″, na terça-feira.