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Famecos tem grupo de estudos para curso online de introdução ao jornalismo guiado por dados

No dia 19 de maio, começa o MOOC Doing journalism with data, um curso a distância introdutório sobre jornalismo guiado por dados. Entre os professores estão o veterano da Reportagem Assistida por Computador Steve Doig; o antigo editor de dados do Guardian e hoje analista do Twitter, Simon Rogers, autor de Facts are sacred; o infografista Alberto Cairo, autor de The functional art; o professor Paul Bradshaw, autor de Scraping for journalists e de Finding stories with spreadsheets; e Nicolas Kayser-Bril, fundador da agência Journalism++.

O programa inclui:

  • Módulo 1 — Jornalismo guiado por dados na redação
  • Módulo 2 — Encontrando dados para embasar notícias
  • Módulo 3 — Desenvolvendo ideias de pauta com análise de dados
  • Módulo 4 — Como limpar dados bagunçados
  • Módulo 5 — Contando histórias com visualizações

Os inscritos poderão participar do grupo de estudos gratuito organizado por mim na Famecos/PUCRS, em Porto Alegre, a convite da Escola de Dados. O grupo terá quatro encontros ao longo do curso, sempre entre 16 e 19h, em quatro sextas-feiras:

  • 23 de maio
  • 6 de junho
  • 13 de junho
  • 20 de junho

A proposta do grupo de estudos é trocar experiências e tirar dúvidas de forma colaborativa. Isto significa que não vou dar aulas sobre jornalismo guiado por dados, mas oferecer um espaço para as discussões e — tomara! — aprender com os outros participantes.

Os interessados podem entrar em contato pelo correio eletrônico professortrasel [arroba] gmail [ponto] com.

Aberta nova turma de Jornalismo Digital

Estão abertas as inscrições para uma nova turma da especialização em Jornalismo Digital, curso de pós-graduação lato sensu oferecido pela Famecos/PUCRS coordenado por mim. As aulas começam em abril de 2011 e vão até agosto de 2012, nas sextas à noite e sábados pela manhã, a cada duas semanas. O valor das 18 mensalidades é de R$ 500.

Informações sobre datas, disciplinas, corpo docente, datas e documentos necessários para a inscrição no site da especialização em Jornalismo Digital.

Muitos leitores manifestaram o desejo de cursar essa especialização na versão a distância, mas infelizmente ainda não temos condições de oferecer essa modalidade.

Aula inaugural de Jornalismo Digital

Na próxima sexta-feira, acontece a aula inaugural do curso de especialização em Jornalismo Digital da Famecos, com uma palestra da editora de treinamento da Folha de São Paulo, Ana Estela de Sousa Pinto. Ana vai falar sobre o processo de integração entre as redações online e impressa do jornal. Chance rara de conhecer esse tipo de integração em primeira mão.

A aula inaugural, com o tema “O impacto das tecnologias digitais no cotidiano das redações”, é aberta e gratuita. Começa às 17h30 e termina às 19h, no auditório da Famecos (2º andar do prédio 7 da PUCRS). Haverá transmissão via Web, fiquem de olho no @posdigital para mais detalhes.

Pós-graduação em Jornalismo Digital

Gostaria de lhes apresentar meu filho: o curso de especialização lato sensu em Jornalismo Digital, cujas aulas começam em março na Famecos/PUCRS.

Quem entrar no site, desenvolvido pela equipe do Espaço Experiência, vai perceber a integração com ferramentas como Delicious, Twitter e, futuramente, Flickr e Vimeo. Não é à toa: a idéia é não ficar restrito ao estudo e prática das técnicas básicas de jornalismo digital, como edição de vídeos, criação de animações e webwriting, mas incorporar as ferramentas de Web 2.0 e as redes sociais. A nosso ver, a habilidade de lidar com essas características do contexto atual da comunicação são indispensáveis para qualquer jornalista — porque a própria audiência da próxima década está sendo formada nessas redes sociais e pelo uso dessas ferramentas.

Além de uma disciplina voltada especificamente para a sociabilidade no jornalismo digital e um seminário sobre relacionamento com o público, os alunos e professores serão incentivados a usar redes sociais e serviços de Web 2.0 em todas as atividades do curso. São características fundamentais da sociedade contemporânea e portanto são características fundamentais do projeto pedagógico.

Outro avanço curricular que buscamos foi um aprofundamento em programação. Os alunos aprenderão ao menos o suficiente para produzir alguns mash-ups simples que possam ajudar no cotidiano de uma redação digital. Conhecer as linguagens mais usadas no jornalismo — Ajax, PHP, HTML — é também importante no momento de gerenciar projetos.

Um terceiro ponto a ressaltar é o foco na inovação e empreendedorismo. Na última década, as ferramentas de comunicação em escala massiva se tornaram acessíveis não apenas a todos os jornalistas, mas a todas as pessoas. Se antes era preciso ter dinheiro para investir num parque gráfico ou num estúdio para ser seu próprio chefe, hoje é possível criar produtos informativos e noticiosos digitais sem a necessidade de muitos recursos. De fato, o único recurso indispensável para abrir uma empresa é o conhecimento técnico para desenvolver uma idéia.

Para dar conta desse aspecto, foram chamados Marta Gleich, diretora de Internet, e Eduardo Lorea, gerente de pesquisa e desenvolvimento, ambos do Grupo RBS. Ambos vão assumir as disciplinas de gerenciamento e negócios do curso. Além disso, durante a especialização cada aluno deverá criar e planejar um produto digital. O trabalho de conclusão será a entrega de um protótipo do produto. Esperamos com isso fomentar a criação de novas empresas no mercado gaúcho e brasileiro e mostrar aos profissionais, com exemplos palpáveis, as novas possibilidades abertas pela Comunicação Digital.

Além disso, vamos oferecer também uma disciplina de jornalismo em mídias móveis e entraremos na seara da televisão digital, ambos temas de pesquisa científica dos professores da Famecos e ambos temas pouco explorados nos currículos de especializações no Brasil.

Chamo de meu filho e sou o coordenador, mas o curso foi concebido pela equipe de Comunicação Digital da faculdade em conjunto. Os professores Eduardo Pellanda, André Pase e Andréia Mallmann me ajudaram muito na preparação do projeto pedagógico e estão no corpo docente. Por sinal, o Pase está coordenando o curso de especialização em Jogos Digitais, uma parceria da Famecos e da Facin com a Ubisoft.

Em 2010 começam também os cursos de especialização em Cinema Expandido, Branding de Conexão e Planejamento em Comunicação e em Gestão de Crises de Imagem. Todos na Famecos.

XI Seminário Internacional de Comunicação da PUCRS reabre inscrições

Na próxima terça-feira, começa o XI Seminário Internacional de Comunicação da PUCRS, com uma palestra do francês Michel Maffesoli a respeito das relações entre o pensamento de Auguste Comte e a cibercultura. A maioria dos outros palestrantes é também francês ou tem relações acadêmicas com o país, porque o seminário deste ano está inserido nas comemorações do Ano da França no Brasil.

Aliás, Maffesoli vai participar de um evento único: fará uma palestra sobre a influência do pensamento de Comte na cultura brasileira no templo positivista de Porto Alegre, na quarta-feira, 4 de novembro, às 18:00.

As inscrições para o seminário foram encerradas na semana passada, porque o limite de público foi atingido. Como houve uma grande procura, porém, elas foram reabertas com mais cem vagas. Embora na página esteja o aviso de encerramento, basta dirigir-se à secretaria da PROEX da PUCRS, para realizar a inscrição. Com isso, o local das apresentações de trabalhos e de algumas palestras também pode mudar, então fique atento aos avisos.

Participarei do seminário coordenando a mesa de Cibercultura na terça e na quarta-feira à tarde, na sala 209. Também apresentarei a pesquisa “A formação do imaginário tecnológico no Brasil: cibercultura na revista Veja entre 1993 e 2008″, na terça-feira.

Filosofia e literatura

Interessante o ciclo de palestras Filosofia e Literatura, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS. Os encontros acontecem durante nove segundas-feiras, sempre às 17h15, na sala 315 do prédio 8 da universidade. O ingresso para todo o ciclo de eventos é a doação de um livro.

24/08
Plotino filósofo, Plotino escritor
Prof. Dr. José Carlos Baracat Júnior (Instituto de Letras/UFRGS)

31/08
Hermenêutica e literatura
Prof. Dr. Draiton Gonzaga (Faculdade de Filosofia/PUCRS)

28/09
A razão em pane: de Hegel a Kafka
Prof. Dr. Eduardo Luft (Faculdade de Filosofia/PUCRS)

05/10
Heidegger
Prof. Dr. Ernildo Stein (Faculdade de Filosofia/PUCRS)

19/10
Bachelard
Profa. Dr. Ana Maria Lisboa de Mello (Faculdade de Letras/PUCRS)

26/10
O Iluminismo e a descoberta da natureza
Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil (Faculdade de Letras/PUCRS)

09/11
Adorno
Prof. Dr. Ricardo Timm de Souza (Faculdade de Filosofia/PUCRS)

16/11
Jacques Derrida, desconstrução e literatura
Prof. Dr. Sérgio Bellei (Faculdade de Letras/PUCRS)

23/11
Jacques Derrida, literatura e filosofia
Prof. Dr. Nythamar H. F. de Oliveira Júnior (Faculdade de Filosofia/PUCRS)

Cai diploma para jornalistas. Comofas?

O Supremo Tribunal Federal decidiu, por oito votos a um, derrubar a exigência de diploma para exercer a função de jornalista. Há quem comemore, há quem chore. O jornalista Leandro Demori respondeu de forma irônica algumas das reações dos formados na área:

“E agora, a faculdade de jornalismo não serve pra nada?”. Minha filha, é AGORA que serve (ou não, depende dela). #diplomadejornalistaaproximadamente 18 horas ago from twhirl

@deysicioccari Fim da vida mágica nas redações, dos altos salários, da baixa carga horária e da proteção da classe. #diplomadejornalistaaproximadamente 18 horas ago from twhirl in reply to deysicioccari

“Sem diploma nossos salários serão horríveis!”. Claro! O diploma é que garantia o teu salário de marajá, agora fodel! #diplomadejornalistaaproximadamente 18 horas ago from twhir

“Mas o padeiro VAI querer roubar o meu emprego?”. Não. #diplomadejornalistaaproximadamente 18 horas ago from twhirl

“Agora um padeiro pode roubar o meu emprego?” Se depois de 4 anos na faculdade tu escreve pior do que o padeiro, sim. #diplomadejornalistaaproximadamente 18 horas ago from twhirl

As empresas, claro, irão contratar semi-analfabetos para escrever nos jornais (ops, isso algumas já fazem). #diplomadejornalistaaproximadamente 18 horas ago from twhirl

Agora que caiu exigência do diploma, todo mundo vai querer ser jornalista pra ganhar milhões.aproximadamente 19 horas ago from twhirl

Brincadeiras à parte, Marcelo Soares, outro repórter de respeito, também acredita que o ensino formal continuará valendo muito na busca por um emprego como jornalista. A verdade, como indicam as manifestações de ambos, é que trabalho para gente realmente qualificada nunca falta — pelo contrário, falta é gente qualificada. E por qualificada não se compreenda apenas um foca com um canudo na mão, mas um jornalista que correu atrás de uma formação cultural mais sólida em paralelo à faculdade e, principalmente, burilou sua habilidade narrativa continuamente ao longo dos quatro anos de estudos.

Como informa a biografia aí na coluna da direita, sou professor de jornalismo na Famecos/PUCRS. Alguns poderiam pensar que minha recente defesa do diploma foi um ato desesperado de manter o emprego. Pois não foi, porque não vejo ameaça aos empregos de professores da área. Acredito que os vocacionados para o jornalismo continuarão procurando os cursos universitários sérios, como forma de imergir na cultura da profissão desejada e aprender técnicas básicas que lhes garantam alguma vantagem no mercado. E — por que não? — para fazer contatos com outros aspirantes a jornalistas e profissionais que possam lhes abrir as portas da carreira. Afinal, o estabelecimento de contatos é uma parte importante de uma faculdade.

Essa certeza vem de minha atuação no curso de Publicidade. Nunca houve exigência de diploma para ser publicitário, mas nem por isso a procura pelos cursos universitários deixou de ser alta. O motivo é simples: qual empresário contrataria uma pessoa completamente ignorante a respeito da cultura e dos conceitos básicos de uma profissão, quando pode contratar uma pessoa que já detém esse conhecimento? Treinamento custa caro, dificilmente as empresas de comunicação vão querer assumir esse ônus. Apenas empresas de fundo de quintal se dão o luxo de privilegiar candidatos sem formação. Tanto que a Globo, por exemplo, já se manifestou, afirmando que continuará a privilegiar diplomados em jornalismo.

Hás duas posturas típicas entre os estudantes. Alguns encaram qualquer faculdade como um tipo de purgatório que os separa da atividade profissional. Por causa dessa perspectiva, evidentemente, adotam uma postura passiva frente aos estudos e limitam-se a fazer saques de conhecimento quando o professor, visto como um guichê, impõe alguma exigência. Sua atitude poderia ser expressa com algo como “OK, estou aqui, agora me ensine alguma coisa”.  Outros alunos adotam uma atitude mais ativa e seguem adiante por si mesmos nos caminhos indicados pelos professores — por mais que um docente se esforce para atender às necessidades individuais de seus estudantes, é humanamente impossível e os discentes têm a responsabilidade de adquirir certos conhecimentos por iniciativa própria.

É esse segundo tipo de profissional, dotado de autonomia, que as empresas jornalísticas sempre valorizaram e continuarão valorizando. O ato de obter um diploma, mesmo sem a exigência de um para atuar como jornalista, é um indício forte de compromisso com a qualidade. Portanto, quem já tirou ou está em vias de tirar um diploma em jornalismo terá vantagens na busca por um emprego mais tarde. Também não custa lembrar que os estágios, a principal porta de entrada para qualquer profissão, são vantajosos para as empresas de comunicação e somente universitários podem ser contratados sob esse regime.

Os diplomas não se tornaram inválidos pela decisão do STF, nem jornalismo deixou de ser uma profissão. Na verdade, o conhecimento sobre processos de comunicação oferecido pela universidade será cada vez mais necessário para o desempenho das tarefas jornalísticas, à medida que a convergência de mídias se aprofundar.

Como entrar no mestrado

Todo ano, a partir de agosto, começo a receber e-mails de pessoas pedindo dicas sobre como se preparar para a seleção dos programas de pós-graduação da UFRGS ou da PUCRS. Em geral, chegam por indicação de amigos que conhecem minha trajetória como ex-aluno e ex-postulante às vagas nos dois programas. Como aparentemente há muito interesse no assunto, resolvi compartilhar meu padrão de trabalho para esse tipo de seleção. As dicas valem principalmente para os programas em Ciências Sociais Aplicadas, mas podem ser úteis a outras áreas. As dicas valem principalmente para o mestrado, até porque um candidato ao doutorado já deveria saber de tudo isso.

Colaborem com suas observações no espaço de comentários.

Conheça o programa e seus professores

A preocupação principal em uma seleção de mestrandos ou doutorandos é garantir que as linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação se mantenham. Cada PPG tem uma identidade própria e privilegia certas abordagens do campo de atuação. Essa identidade é dada pelo conjunto das pesquisas dos professores integrantes. Por exemplo, há até pouco tempo o PPGCOM da UFRGS não tinha ninguém habilitado a orientar pesquisas em cinema, portanto qualquer projeto com um tema ligado a essa área era recusado, ou o candidato obrigado a desistir de sua idéia.

O mínimo que você tem a fazer se quer entrar numa pós-graduação, portanto, é conhecer o trabalho dos professores (até para poder indicar os possíveis orientadores quando for preencher o formulário de inscrição). O primeiro passo é buscar a página da Web dos programas que lhe interessam e ler atentamente todo o material, em especial as descrições das linhas de pesquisa. Não se preocupe muito em compreendê-las, em geral são redigidas de forma criar o mínimo de limitações de trabalhos que possam ser incluídos em seu escopo. Basta identificar aquela em que sua proposta parece se encaixar melhor. Depois, cheque os Currículos Lattes dos professores dessa linha de pesquisa e tente ler ao menos alguns de seus artigos.

Mantenha o foco no projeto de pesquisa

O documento mais importante em uma seleção de pós-graduação é seu projeto, ou anteprojeto (porque o projeto vai se consolidar durante o primeiro semestre de mestrado). Na prática, é uma proposta explicando o que você pretende fazer durante os dois anos de estudos. Esse texto indica aos selecionadores quais são seus interesses, sua bagagem teórica, sua capacidade de formular problemas e imaginar soluções metodológicas e, de uma maneira geral, sua afinidade com a academia. O projeto deve estar adequado às linhas de pesquisa e, de preferência, a algum orientador do PPG. Você pode até passar nas provas, mas se o projeto for de má qualidade ou inadequado, esqueça.

O mais difícil na concepção do projeto é formular o problema de pesquisa. Pode parecer algo trivial, mas não é. A pergunta central de sua proposta deve condensar todas as suas premissas e todas as suas hipóteses. Não é algo para se pensar numa viagem de ônibus. Um bom problema de pesquisa só aparece após muita leitura e alguma observação do objeto. De fato, tenha certeza de que estará até o último momento do mestrado refletindo sobre a formulação de seu problema. Os selecionadores sabem disso, então se esforce, mas não se estresse tentando resolver essa parte. Por outro lado, evite apegar-se a este e a qualquer aspecto do projeto, porque ele fatalmente vai sofrer mudanças.

Todo o resto do projeto decorre do problema de pesquisa. Todos os elementos devem estar subordinados à meta de esclarecer a pergunta a ser respondida ao longo de seus estudos. Alguns programas divulgam um roteiro sugerido para o projeto. Convém segui-lo. O PPGCOM da Unisinos oferece um excelente tutorial de elaboração de projetos. Uma técnica que costumo usar: escrevo uma primeira versão do projeto e dou um título. Depois, separo cada conceito no título e verifico se o texto explica cada um deles. Por exemplo, se o título é A pluralização no webjornalismo participativo: uma análise das intervenções no Wikinews e no Kuro5hin, o projeto deve apresentar o conceito de webjornalismo e de pluralização do ponto de vista do jornalismo, além de descrever os objetos (no caso, o Wikinews e o Kuro5hin) e também fornecer indicações metodológicas (como será feita a tal análise das intervenções). Costuma funcionar muito bem comigo no sentido de organizar o pensamento.

Não esqueça de seguir as normas da ABNT na redação.

Como passar na prova

Nenhum mistério: leia atentamente a bibliografia recomendada e responda às perguntas. :-)

Em geral as provas de seleção de Pós-Graduação não perguntam sobre pontos específicos das obras exigidas, mas dão um tema sobre o qual o candidato tem de dissertar. Algumas provas são mais abertas do que outras, mas há sempre uma ampla margem. Não se preocupe em ser absolutamente correto na discussão, até porque não existe verdade absoluta em Ciências Sociais, mas sim em mostrar capacidade de argumentação, sintetização e concatenação de idéias. Uma forma de estudar para esse tipo de prova é escrever dissertações relacionando as idéias dos autores lidos.

Muitos programas também exigem prova de proficiência em alguma língua estrangeira (caso da PUCRS) ou prova de inglês (caso da UFRGS). Em ambas, responde-se sempre em português e exige-se muita tradução. Então, trate de investir na poliglossia, se pretende cursar uma pós-graduação. Pessoalmente, não vejo como hoje em dia alguém pode querer fazer pesquisa sem entender ao menos o inglês, que para o bem e para o mal tornou-se o novo latim.

Lembre-se de que a prova serve apenas para separar os candidatos mais capazes e/ou mais estudiosos do resto. É uma etapa classificatória e eliminatória. Tirar nota máxima não garante a vaga no mestrado, apenas que os selecionadores vão se dar o trabalho de ler seu projeto e entrevistá-lo.

Como passar na entrevista

A entrevista serve para três coisas no processo seletivo para um PPG: a) tentar aferir o grau de sanidade mental do candidato; b) ter certeza de que o candidato está disposto a suportar os sacrifícios monumentais exigidos por uma dissertação e tem condições para tanto; e c) ter certeza de que o projeto de pesquisa foi escrito pelo próprio candidato.

Sobre o item a não tenho dicas a dar, porque depende da personalidade de cada um. Os gestores e professores de um curso de pós-graduação têm uma preocupação principal quanto aos candidatos selecionados: que eles terminem a dissertação ou tese dentro do prazo estipulado pela Capes, o órgão supervisor desse tipo de formação. Convém então passar o máximo de tranqüilidade e credibilidade possível durante a entrevista.

Para dar conta de b, você antes de mais nada precisa ter muita certeza de que quer MUITO fazer mestrado. Sugiro ler o relato da Aline de Campos sobre a experiência de cursar uma pós. Durante a entrevista, fatalmente perguntarão se você conseguirá conciliar trabalho e/ou família com os estudos, se pretende seguir no mestrado mesmo sem bolsa e, no caso de universidades não-públicas, se terá condições de pagar as mensalidades por pelo menos dois anos. Responda com entusiasmo que faria qualquer coisa para terminar e defender a dissertação. Não hesite, mesmo que não tenha certeza, nem se sinta um estelionatário por dar garantias sem ter certeza, porque mesmo gente convicta muda de idéia.

Finalmente, farão perguntas sobre a proposta de pesquisa. O objetivo dessas perguntas é aferir a familiaridade do candidato com a teoria e especialmente com a metodologia. No fim das contas, os entrevistadores querem saber se você sabe onde está se metendo. Solicitarão que descreva as etapas que pretende seguir e como exatamente pretende atingir os objetivos prometidos e responder ao problema de pesquisa. É bom estar preparado para explicar tudo isso, embora provavelmente a pesquisa vá mudar bastante ao longo do mestrado. De fato, os entrevistadores podem perguntar se você aceitaria fazer mudanças no projeto. Diga que sim e demonstre o mínimo de apego possível a seu projeto, até porque à medida que for estudando, você fará correções voluntariamente. Algumas pessoas até mudam o foco e o tema da pesquisa.